Produção de mamão nas Ilhas Canárias cresce 74,5% e amplia concorrência ao Brasil na Europa
Arquipélago espanhol busca Indicação Geográfica Protegida até 2027; proximidade dos compradores europeus pode favorecer logística e diferenciação da fruta
Publicado em: 23/10/2026 às 10:20hs
A produção de mamão nas Ilhas Canárias, na Espanha, cresceu 74,5% entre 2021 e 2024, passando de 19,6 mil para 34,2 mil toneladas. A expansão pode ampliar a presença da fruta espanhola no abastecimento europeu e representa um fator adicional de concorrência para os exportadores brasileiros.
Segundo informações do portal Fresh Plaza, citadas pelo Cepea, o arquipélago também busca obter o reconhecimento de Indicação Geográfica Protegida (IGP) até o fim de 2027, com o objetivo de fortalecer a identidade e a valorização do mamão produzido na região.
O movimento merece atenção pela importância da Europa para as vendas brasileiras. Além do crescimento da oferta, a produção espanhola pode se beneficiar da proximidade com os compradores do bloco.
Brasil exporta volume de mamão superior ao da Espanha
Apesar do avanço nas Ilhas Canárias, o Brasil mantém exportações de mamão significativamente maiores que as espanholas.
Dados da FAOSTAT mostram que o país embarcou 43,99 mil toneladas em 2024, enquanto a Espanha comercializou 9,67 mil toneladas no mercado internacional. O volume brasileiro foi cerca de 4,5 vezes o espanhol.
Em receita, o Observatório de Complexidade Econômica (OEC) registra US$ 80,7 milhões em exportações brasileiras, ante US$ 22,1 milhões da Espanha, no mesmo ano.
Os números se referem às exportações totais dos dois países e evidenciam a diferença de escala entre eles no comércio internacional da fruta.
Proximidade do mercado europeu favorece logística espanhola
A expansão da produção nas Canárias pode oferecer aos compradores europeus uma alternativa de abastecimento mais próxima.
A comercialização da fruta espanhola dentro do bloco pode proporcionar menores custos de transporte e maior agilidade nas entregas, vantagens relevantes diante das distâncias percorridas pelo mamão importado de países como o Brasil.
Esse cenário pode aumentar a pressão competitiva sobre a fruta brasileira, embora o crescimento da produção espanhola, isoladamente, não determine perda de mercado para os exportadores nacionais.
Busca por indicação geográfica reforça estratégia de diferenciação
Além de ampliar o volume produzido, as Ilhas Canárias procuram valorizar a origem do mamão. A expectativa de obter a IGP até 2027 integra essa estratégia, mas o reconhecimento ainda está sendo buscado.
Caso seja concedida, a identificação poderá contribuir para diferenciar a fruta no mercado e reforçar sua associação com o território produtor.
Para a cadeia brasileira, o avanço espanhol reúne dois fatores de atenção: a possibilidade de maior oferta próxima aos consumidores europeus e a busca por valorização da origem, em um mercado importante para as exportações nacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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