Peletização de sementes de salsão reduz ciclo de produção em até 15 dias e aumenta eficiência nos viveiros
Tecnologia elimina o repique, melhora a qualidade das mudas, otimiza a mão de obra e acelera a entrega aos produtores, trazendo mais produtividade para a horticultura.
Publicado em: 04/08/2026 às 07:00hs
A produção de mudas de salsão está passando por uma importante transformação com a adoção da tecnologia de peletização de sementes. A técnica permite reduzir em até 15 dias o ciclo de produção, eliminar etapas manuais, melhorar o desenvolvimento radicular e aumentar a eficiência operacional dos viveiros.
Além de facilitar a semeadura, a peletização proporciona maior uniformidade das mudas, reduz custos com mão de obra e contribui para elevar a produtividade dos produtores de hortaliças.
Peletização facilita a semeadura e aumenta a uniformidade das mudas
As sementes de salsão são naturalmente muito pequenas, o que dificulta a distribuição uniforme durante a semeadura. Com a peletização, cada semente recebe um revestimento mineral que padroniza seu tamanho e formato, permitindo a deposição de apenas uma unidade por célula nas bandejas.
Essa padronização facilita tanto a semeadura manual quanto a mecanizada, reduz falhas na formação das mudas e elimina a necessidade do repique, etapa tradicional em que as plantas são retiradas e transplantadas após a germinação.
Segundo Carlos Formoso, gerente de Qualidade e Tecnologia de Sementes da Agristar do Brasil, o revestimento não interfere nas características genéticas da semente.
"A peletização melhora o posicionamento da semente na bandeja ou no solo, favorecendo a semeadura unitária e proporcionando uma produção de mudas mais uniforme", explica.
Tecnologia elimina o repique e preserva o sistema radicular
Na produção convencional, diversas sementes são depositadas em uma mesma célula. Após a germinação, torna-se necessário realizar o repique, procedimento que demanda tempo, mão de obra especializada e pode causar danos às raízes das plantas.
Com a utilização das sementes peletizadas, essa etapa deixa de existir, preservando o sistema radicular e reduzindo os riscos de entrada de patógenos e doenças.
Além dos benefícios agronômicos, a mudança permite melhor aproveitamento da equipe dentro dos viveiros, que pode ser direcionada para outras atividades produtivas.
Viveiros reduzem ciclo de produção de 75 para 60 dias
Em Nova Friburgo (RJ), um dos principais polos produtores de mudas do país, os resultados da tecnologia já são percebidos na prática.
O viveirista Paulo Alcântara utiliza sementes peletizadas do salsão Olimpo, da linha TSV Sementes, desde fevereiro de 2026. Atualmente, são semeadas aproximadamente 10 mil sementes por semana.
Antes da adoção da tecnologia, um colaborador era dedicado exclusivamente ao repique das mudas. Hoje, a semeadura é realizada com equipamento específico, colocando apenas uma semente por célula.
Segundo Alcântara, o tempo de produção caiu significativamente.
Enquanto o ciclo utilizando sementes convencionais levava cerca de 75 dias, com as sementes peletizadas passou para aproximadamente 60 dias.
"Conseguimos ganhar cerca de 15 dias por ciclo dentro da estufa. Além disso, as mudas apresentam raízes mais saudáveis, pois não sofrem os danos provocados pelo repique", destaca.
Ganhos operacionais aumentam produtividade dos viveiros
Outro produtor da região serrana fluminense, Thiago Vidalino, trabalha com produção de mudas há mais de dez anos e iniciou os testes com sementes peletizadas em 2025.
Antes da mudança, todo o processo de semeadura era manual e exigia posterior separação das plantas.
Com a mecanização proporcionada pela peletização, o viveiro passou a utilizar um semeador específico para a cultura.
Segundo Vidalino, os ganhos foram rapidamente percebidos.
Entre os principais benefícios estão:
- maior velocidade na semeadura;
- melhor qualidade das mudas;
- redução dos danos ao sistema radicular;
- menor necessidade de mão de obra em etapas repetitivas;
- maior previsibilidade da produção.
Controle de qualidade garante desempenho das sementes
Após o processo de peletização, todas as sementes passam por avaliações laboratoriais para assegurar que o revestimento preserve sua qualidade fisiológica.
Os testes verificam germinação, vigor e desempenho, garantindo que o material mantenha o mesmo potencial do lote original.
De acordo com Carlos Formoso, o objetivo do revestimento é apenas facilitar o plantio.
"A semente peletizada deve conservar a mesma qualidade fisiológica do lote original. O revestimento apenas favorece o plantio e permite que a germinação ocorra normalmente quando há disponibilidade de umidade."
Tecnologia impulsiona a modernização da produção de mudas
A adoção da peletização representa um importante avanço para os viveiros especializados na produção de mudas de hortaliças.
Ao eliminar o repique, reduzir o tempo de permanência das plantas nas estufas e reorganizar a utilização da mão de obra, a tecnologia torna o processo mais eficiente, previsível e economicamente competitivo.
Com ciclos mais curtos, mudas de maior qualidade e maior capacidade produtiva, a peletização desponta como uma das principais inovações para elevar a eficiência da cadeia de produção de salsão no Brasil, acompanhando a crescente demanda por tecnologias que aumentem a produtividade e reduzam custos na horticultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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