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Fruticultura e Horticultura

Manga e uva no Vale do São Francisco ampliam produção e exigem maior controle de pragas

Polo Petrolina/Juazeiro movimenta bilhões com a fruticultura irrigada e fortalece exportações, enquanto mosca-das-frutas, cigarrinhas e ácaros aumentam a importância do manejo fitossanitário


Publicado em: 20/08/2026 às 15:30hs

Manga e uva no Vale do São Francisco ampliam produção e exigem maior controle de pragas

A fruticultura do Vale do São Francisco consolidou-se como uma das atividades de maior relevância econômica do agronegócio irrigado brasileiro, tendo a manga e a uva entre suas principais culturas. A capacidade de produzir praticamente durante todo o ano transformou o polo Petrolina/Juazeiro, entre Pernambuco e Bahia, em importante fornecedor para os mercados brasileiro e internacional.

O avanço da produção, entretanto, também aumenta os desafios dentro das propriedades. Além da irrigação, nutrição e planejamento das colheitas, o controle de pragas em manga e uva tornou-se estratégico para preservar produtividade, qualidade dos frutos e atendimento às exigências fitossanitárias dos países importadores.

A cadeia produtiva da fruticultura irrigada na região gera cerca de 156 mil empregos e movimenta uma ampla estrutura de produtores, trabalhadores, empresas de insumos, packing houses, transportadoras e exportadores.

Vale do São Francisco produz frutas durante todo o ano

Uma das principais vantagens competitivas do Vale do São Francisco está nas condições que permitem maior controle sobre o ciclo produtivo.

A combinação de irrigação, temperaturas elevadas, baixa umidade e técnicas específicas de manejo possibilita programar diferentes períodos de produção e colheita.

Essa característica permite que manga e uva cheguem ao mercado em diferentes épocas do ano, inclusive em janelas comerciais consideradas estratégicas no exterior.

Ao mesmo tempo, ciclos produtivos praticamente contínuos exigem acompanhamento permanente das condições fitossanitárias, já que a presença das culturas durante grande parte do ano pode favorecer a manutenção de determinadas populações de pragas.

Produção irrigada movimenta R$ 4,8 bilhões em Pernambuco

Os números dos projetos públicos de irrigação mantidos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) demonstram a dimensão econômica da atividade.

Somente nos projetos localizados em Pernambuco, onde manga e uva estão entre as principais culturas, foram produzidas aproximadamente 914 mil toneladas de produtos agrícolas em 2024.

A produção ocorreu em uma área cultivada de cerca de 25,8 mil hectares, com Valor Bruto da Produção (VBP) próximo de R$ 4,8 bilhões.

Os indicadores reforçam a importância da agricultura irrigada para a geração de renda, empregos e desenvolvimento econômico no semiárido.

Exportações de manga e uva aumentam exigências fitossanitárias

A forte inserção internacional da fruticultura do Vale do São Francisco exige atenção especial à sanidade vegetal.

A movimentação permaneceu intensa em 2025. Apenas durante os plantões de Natal e Ano-Novo, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) emitiu 844 Permissões de Trânsito de Vegetais para garantir a continuidade das exportações de mais de 3,7 mil toneladas de frutas produzidas no Vale, especialmente manga e uva.

A documentação fitossanitária é uma etapa importante para permitir a circulação das frutas e comprovar o atendimento aos requisitos estabelecidos pelos mercados compradores.

Para os produtores que trabalham com exportação, portanto, o controle de pragas não está relacionado apenas às perdas de produtividade. Ele também pode determinar o acesso a determinados países.

Mosca-das-frutas exige atenção nas áreas de manga

Um exemplo ocorreu em setembro de 2025, quando a Adagro realizou uma operação em 20 propriedades produtoras de manga em Petrolina (PE).

O objetivo foi acompanhar o cumprimento dos protocolos fitossanitários estabelecidos para a safra 2025/26 destinada aos Estados Unidos.

Entre os principais pontos do trabalho estava o monitoramento e controle da mosca-das-frutas, seguindo os requisitos acordados para os embarques ao mercado norte-americano.

A praga representa uma preocupação relevante para a fruticultura porque pode provocar danos diretos aos frutos e gerar restrições fitossanitárias ao comércio internacional.

Por esse motivo, monitoramento, rastreabilidade e cumprimento dos protocolos oficiais fazem parte da rotina das propriedades habilitadas para determinados destinos.

Cigarrinha e ácaro-vermelho preocupam produtores de uva

Nas áreas produtoras de uva, os desafios fitossanitários envolvem diferentes organismos.

Entre aqueles que demandam acompanhamento estão cigarrinhas e ácaros, cuja ocorrência pode variar conforme as condições ambientais, estágio da cultura e pressão existente em cada propriedade.

O manejo exige monitoramento constante para identificar a presença das pragas e definir o melhor momento de intervenção.

Essa atenção ganha importância principalmente durante as fases de desenvolvimento e formação dos frutos, quando danos às plantas podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade comercial das uvas.

Tecnologias auxiliares entram no manejo de pragas

Com o aumento das exigências relacionadas à qualidade e aos resíduos nos alimentos, produtores também buscam ferramentas que possam ser integradas aos programas de manejo fitossanitário.

Uma das tecnologias utilizadas em áreas do Vale é o Hapan, desenvolvido pela Hydroplan-EB. Segundo a fabricante, trata-se de um adjuvante formulado com óleos essenciais de origem natural e com certificação IBD.

A empresa posiciona a tecnologia como ferramenta auxiliar no manejo de pragas durante diferentes fases da cultura, inclusive entre a frutificação e a maturação.

De acordo com a Hydroplan-EB, o produto já vem sendo utilizado em cultivos de uva na região e começa a avançar também sobre áreas de manga.

Tecnologia é avaliada contra cigarrinhas e ácaros

Nos parreirais, a empresa relata utilização principalmente como ferramenta auxiliar no manejo de cigarrinhas e ácaro-vermelho.

No caso das cigarrinhas, os resultados relatados pela companhia concentram-se especialmente sobre as ninfas. Para o ácaro-vermelho, a empresa informa atuação auxiliar em diferentes estágios do ciclo da praga.

Segundo João Quirino, coordenador técnico da Hydroplan-EB, a estratégia deve ser integrada ao acompanhamento permanente das lavouras.

“Na uva, temos observado resultados principalmente no manejo da cigarrinha e do ácaro-vermelho. Esse trabalho é importante durante todo o desenvolvimento da cultura e ganha atenção da frutificação até a colheita”, afirma.

De acordo com Quirino, a tecnologia também começou a ser utilizada em áreas de manga no Vale do São Francisco.

Controle de resíduos é estratégico para frutas destinadas à exportação

Além da eficiência agronômica, o mercado de frutas frescas exige crescente atenção aos limites máximos de resíduos e protocolos definidos pelos países compradores.

Essa questão ganha relevância especialmente para regiões exportadoras, nas quais uma mesma propriedade pode produzir frutas destinadas a diferentes mercados, cada um com suas próprias exigências.

Por isso, qualquer tecnologia utilizada no manejo precisa estar integrada às recomendações agronômicas, aos produtos autorizados para cada cultura e aos requisitos do destino comercial da produção.

A rastreabilidade também assume papel fundamental, permitindo acompanhar as práticas adotadas desde o campo até o processamento, embalagem e embarque.

Manejo integrado ganha espaço na fruticultura irrigada

A produção praticamente contínua de frutas no Vale do São Francisco torna o Manejo Integrado de Pragas (MIP) ainda mais relevante.

Monitoramento das áreas, identificação correta dos organismos, definição do momento de controle e integração de diferentes ferramentas ajudam a reduzir perdas e preservar a eficiência das tecnologias disponíveis.

No caso das frutas destinadas à exportação, a estratégia precisa considerar simultaneamente produtividade, qualidade visual, sanidade, rastreabilidade e conformidade fitossanitária.

Isso significa que o controle não começa quando a praga já provocou danos significativos. O acompanhamento precisa ocorrer durante todo o ciclo produtivo.

Manga e uva reforçam protagonismo do Vale do São Francisco

O desempenho da manga e da uva mostra como a agricultura irrigada transformou o Vale do São Francisco em um dos principais polos brasileiros de produção de frutas.

A capacidade de programar safras e abastecer diferentes mercados ao longo do ano criou uma vantagem competitiva importante para a região.

Por outro lado, a expansão da produção e das exportações aumenta a responsabilidade sobre a sanidade das lavouras.

Da irrigação ao monitoramento de pragas, passando pela rastreabilidade e pelos protocolos de exportação, tecnologia e planejamento tornam-se componentes cada vez mais importantes para proteger a produção.

Para os produtores do Vale do São Francisco, manter a competitividade da manga e da uva nos mercados brasileiro e internacional dependerá cada vez mais da capacidade de combinar alta produtividade, qualidade dos frutos, manejo fitossanitário eficiente e atendimento às exigências dos compradores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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