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Pragas e Doenças

Greening atinge 47,63% das laranjeiras e exige novo manejo do psilídeo nos pomares

Avanço da doença e aumento da resistência aos inseticidas reforçam a necessidade de monitoramento, rotação de mecanismos de ação e manejo integrado na citricultura


Publicado em: 19/08/2026 às 17:30hs

Greening atinge 47,63% das laranjeiras e exige novo manejo do psilídeo nos pomares

O avanço do greening e a crescente resistência do psilídeo aos inseticidas estão levando a citricultura brasileira a rever as estratégias de controle adotadas nos pomares. Considerada a doença mais severa da citricultura mundial, a enfermidade compromete a produtividade, reduz a vida útil das plantas e prejudica a qualidade dos frutos.

No cinturão citrícola formado pelo estado de São Paulo e pelas regiões do Triângulo Mineiro e Sudoeste de Minas Gerais, a incidência de laranjeiras com sintomas passou de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025, segundo levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

O crescimento foi de 7,4% em um ano e evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelo setor. Como ainda não existe tratamento capaz de curar uma planta infectada, as medidas preventivas e o controle do inseto transmissor ganham importância estratégica.

Psilídeo é responsável pela disseminação do greening

O greening, também chamado de Huanglongbing ou HLB, é transmitido principalmente pelo psilídeo Diaphorina citri. Ao se alimentar de plantas contaminadas, o inseto adquire a bactéria associada à doença e pode levá-la para árvores sadias.

As plantas infectadas apresentam sintomas como folhas amareladas, frutos deformados, amadurecimento irregular e queda prematura. A evolução da doença reduz gradualmente a capacidade produtiva do pomar e pode tornar necessária a eliminação das árvores atingidas.

Diante da alta incidência registrada no cinturão citrícola, o controle eficiente do vetor tornou-se uma das principais prioridades das propriedades produtoras de laranja.

Resistência aos inseticidas aumenta pressão sobre o manejo

Além da expansão do greening, os citricultores precisam enfrentar a menor sensibilidade de determinadas populações do psilídeo a inseticidas utilizados repetidamente.

Estudos realizados pelo Fundecitrus e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) identificaram evolução da resistência do inseto em regiões paulistas.

O fenômeno ocorre quando produtos com o mesmo mecanismo de ação são empregados continuamente. Os indivíduos naturalmente menos sensíveis sobrevivem às aplicações, reproduzem-se e transferem essa característica para as gerações seguintes.

Com o passar do tempo, a população resistente aumenta e o desempenho do controle pode diminuir. Esse processo eleva os custos, amplia o risco de disseminação da doença e reduz a vida útil das tecnologias disponíveis.

Rotação de mecanismos de ação torna-se indispensável

O Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC) recomenda que o controle do psilídeo seja baseado na rotação de produtos com diferentes mecanismos de ação.

A estratégia não consiste apenas em trocar a marca comercial do defensivo. É necessário verificar o grupo químico e o mecanismo pelo qual cada ingrediente ativo atua sobre o inseto.

Segundo o engenheiro agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da IHARA, Silvio Marcussi, o manejo da resistência deixou de representar uma preocupação de longo prazo e passou a ser uma necessidade imediata para a sustentabilidade da citricultura.

Na avaliação do especialista, a incorporação responsável de tecnologias com mecanismos de ação distintos amplia as alternativas para o controle do psilídeo e ajuda a preservar a eficiência dos inseticidas ao longo das safras.

Manejo integrado reúne diferentes medidas de controle

A rotação de inseticidas deve fazer parte de uma estratégia mais ampla, baseada no Manejo Integrado de Pragas e no Manejo de Resistência a Inseticidas.

Entre as principais medidas recomendadas estão:

  • utilização de mudas sadias, produzidas em viveiros certificados;
  • monitoramento frequente dos pomares e da população do psilídeo;
  • eliminação de plantas doentes que funcionem como fonte de inóculo;
  • controle de plantas hospedeiras do inseto nas proximidades das áreas comerciais;
  • sincronização regional das ações de manejo;
  • uso de produtos registrados, respeitando doses, intervalos e orientações técnicas;
  • rotação entre inseticidas pertencentes a diferentes grupos de ação.

A combinação dessas práticas reduz a dependência exclusiva do controle químico e aumenta a eficiência do programa fitossanitário.

Tecnologia amplia opções para controle do psilídeo

Entre as alternativas registradas para a cultura dos citros está o inseticida CHASER EW, da IHARA, apresentado pela empresa como uma ferramenta com mecanismo de ação diferente de produtos tradicionalmente utilizados no controle do psilídeo.

De acordo com informações fornecidas pela fabricante, a tecnologia atua por contato e ingestão e apresenta efeito antialimentar, repelência e persistência nas folhas. Ensaios citados pela companhia indicam controle superior a 85% sobre insetos adultos.

A inclusão de qualquer produto no programa fitossanitário deve considerar o registro para a cultura e para o alvo biológico, as recomendações da bula, o estágio da praga, o histórico da área e a orientação de um engenheiro agrônomo.

O inseticida não deve ser tratado como solução isolada. Sua utilização precisa estar integrada à rotação de mecanismos de ação e às demais práticas preventivas adotadas no pomar.

Controle regional é decisivo contra o greening

O combate ao greening depende de ações coordenadas entre propriedades vizinhas. Mesmo áreas com manejo eficiente podem continuar expostas quando existem pomares abandonados, plantas doentes ou hospedeiros do psilídeo nas proximidades.

Por apresentar capacidade de deslocamento entre áreas, o inseto pode transportar a bactéria para novos pomares. Por isso, o monitoramento regional, a eliminação das fontes de contaminação e a atuação conjunta entre produtores são considerados fundamentais.

A adoção de medidas integradas também contribui para reduzir a pressão de seleção sobre o psilídeo, retardar a resistência e manter a eficácia das moléculas disponíveis.

Sustentabilidade da citricultura depende de prevenção

Com quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtor apresentando sintomas, o greening permanece como uma ameaça direta à competitividade da citricultura brasileira.

O cenário exige planejamento fitossanitário contínuo, monitoramento técnico e decisões baseadas nas condições específicas de cada propriedade. A diversificação das ferramentas de controle será determinante para preservar a produtividade e prolongar a vida útil dos pomares.

Sem uma tecnologia curativa disponível, a prevenção, o controle rigoroso do psilídeo e a redução das fontes de inóculo continuam sendo os principais caminhos para limitar o avanço da doença.

Fonte: Portal do Agronegócio

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