Publicado em: 19/06/2026 às 11:40hs
As negociações da safra de laranja 2026/27 destinada à indústria de suco começaram de forma gradual no mercado brasileiro. De acordo com levantamentos do Cepea, o ritmo de contratação ainda é considerado lento, refletindo a cautela das processadoras diante das condições atuais dos pomares e da busca por matéria-prima com maior qualidade e rendimento industrial.
Neste início de temporada, grande parte das indústrias segue priorizando o processamento de frutas próprias. Em algumas situações, as empresas já iniciaram o recebimento de frutas de terceiros vinculadas a contratos anteriormente renegociados, mas os novos negócios ainda avançam de maneira seletiva.
Segundo o Cepea, o principal fator que tem condicionado o avanço das compras é a qualidade da fruta disponível no campo. Além do estágio de maturação, aspectos relacionados ao rendimento industrial estão sendo avaliados com rigor pelas processadoras antes da formalização dos contratos.
Como boa parte dos pomares ainda não atingiu o ponto ideal de colheita, as indústrias têm concentrado suas aquisições em frutas de meia estação provenientes das regiões mais adiantadas do norte do estado de São Paulo e do Triângulo Mineiro, áreas que tradicionalmente apresentam evolução mais rápida da maturação.
Embora a oferta de variedades precoces esteja aumentando gradativamente, agentes do setor relatam que as indústrias têm demonstrado preferência pelas frutas de meia estação oriundas de pomares mais desenvolvidos. O objetivo é garantir maior eficiência no processamento e melhores índices de aproveitamento industrial.
Essa estratégia reflete a necessidade das empresas de maximizar o rendimento na produção de suco, especialmente em um cenário de atenção aos custos operacionais e à disponibilidade de matéria-prima de qualidade.
Informações levantadas pelo Cepea indicam que parte dos pomares localizados fora do principal cinturão citrícola formado por São Paulo e Triângulo Mineiro ainda apresenta qualidade abaixo das expectativas do mercado.
A situação é observada principalmente no Paraná, onde agentes da cadeia produtiva relatam desempenho inferior ao esperado em alguns pomares. Esse cenário pode reduzir o potencial de valorização da fruta produzida no estado neste início da safra 2026/27, uma vez que as indústrias mantêm critérios rigorosos para aquisição.
A tendência é que o volume de negociações aumente nas próximas semanas, à medida que os pomares avancem em maturação e ofereçam melhores condições de qualidade e rendimento industrial. Até lá, a seletividade das processadoras deve continuar influenciando a formação dos preços e a dinâmica comercial do setor citrícola brasileiro.
O mercado segue atento à evolução da safra, especialmente nas principais regiões produtoras, que devem determinar o ritmo das contratações e o comportamento da indústria de suco ao longo da temporada 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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