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Adubos e Fertilizantes

Entregas de fertilizantes caem 2,2% no Brasil com crédito restrito, juros altos e incertezas globais

Mercado de adubos enfrenta desaceleração em 2026 diante da pressão sobre produtores, piora nas relações de troca e queda na produção nacional de fertilizantes intermediários


Publicado em: 10/08/2026 às 17:30hs

Entregas de fertilizantes caem 2,2% no Brasil com crédito restrito, juros altos e incertezas globais
Foto: Cláudio Neves

O mercado brasileiro de fertilizantes iniciou 2026 sob pressão, refletindo um ambiente de maior cautela entre produtores rurais, indústria e distribuidores. A combinação entre crédito mais limitado, juros elevados, incertezas geopolíticas e riscos climáticos reduziu o ritmo de negócios e provocou queda nas entregas de adubos ao mercado nacional.

Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) indicam que o Brasil recebeu 15,46 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e maio de 2026, volume 2,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Somente em maio, a retração foi mais intensa: as entregas somaram 3,16 milhões de toneladas, contra 3,70 milhões de toneladas em maio de 2025, representando uma queda de 14,7%.

Crédito restrito e cenário internacional reduzem ritmo das compras

Segundo a ANDA, o mercado apresentou desempenho mais positivo no início do ano, impulsionado principalmente pelos bons resultados da segunda safra de milho.

Durante o primeiro trimestre de 2026, o cenário favorável da safrinha contribuiu para a manutenção das compras de fertilizantes. No entanto, o ambiente começou a mudar com o agravamento das tensões geopolíticas internacionais, especialmente após o início do conflito no Irã.

A associação destaca que, a partir desse momento, houve desaceleração dos novos negócios, movimento que passou a aparecer nos dados de entregas em maio e deve influenciar também a demanda destinada à safra 2026/27.

Entre os principais fatores que pressionaram o mercado estão:

  • menor disponibilidade de crédito rural;
  • juros elevados;
  • relações de troca desfavoráveis para o produtor;
  • aumento dos riscos financeiros no campo;
  • possibilidade de recuperações judiciais;
  • incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño.
Mato Grosso lidera demanda por fertilizantes no Brasil

Mesmo com a retração das entregas, Mato Grosso permanece como o principal mercado consumidor de fertilizantes no país.

De acordo com a ANDA, o estado recebeu 3,89 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, equivalente a 25,2% de todo o volume entregue no Brasil no período.

Na sequência aparecem:

  • Paraná: 1,75 milhão de toneladas;
  • São Paulo: 1,67 milhão de toneladas;
  • Goiás: 1,61 milhão de toneladas;
  • Minas Gerais: 1,15 milhão de toneladas.

A concentração das entregas nos principais polos agrícolas reforça a importância dos fertilizantes para culturas de grande escala, como soja, milho e cana-de-açúcar.

Produção nacional de fertilizantes intermediários recua 17,1%

Além da redução da demanda, a produção brasileira de fertilizantes intermediários também apresentou queda significativa em 2026.

Segundo a ANDA, a fabricação nacional alcançou 485 mil toneladas em maio, retração de 26,2% frente ao mesmo mês de 2025.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a produção chegou a 2,41 milhões de toneladas, contra 2,90 milhões de toneladas no mesmo período anterior, representando uma redução de 17,1%.

A associação aponta que a principal influência sobre esse resultado veio da menor produção de fertilizantes fosfatados.

Alta do enxofre pressiona produção de fosfatados

A retração dos fertilizantes fosfatados está relacionada principalmente ao aumento dos custos de produção, especialmente pela valorização do enxofre, insumo essencial para a fabricação desses produtos.

A ANDA ressalta, entretanto, que os números oficiais ainda não representam totalmente a produção realizada no país.

Segundo a entidade, alterações em estruturas societárias e retomadas de produção em determinados ativos fizeram com que parte dos volumes ainda não fosse contabilizada, especialmente nos segmentos de ureia e cloreto de potássio.

Importações brasileiras de fertilizantes também diminuem

O mercado externo também registrou desaceleração nas compras brasileiras.

As importações de fertilizantes intermediários somaram 3,31 milhões de toneladas em maio de 2026, queda de 9,4% na comparação anual.

No acumulado entre janeiro e maio, o Brasil importou 14,52 milhões de toneladas, volume 2,7% menor que as 14,92 milhões de toneladas adquiridas no mesmo período de 2025.

A redução acompanha o movimento de maior cautela dos produtores diante das condições financeiras mais apertadas e da necessidade de preservar margens em um ambiente de custos elevados.

Porto de Paranaguá mantém liderança na entrada de adubos importados

O Porto de Paranaguá, no Paraná, principal porta de entrada de fertilizantes no Brasil, também registrou queda nos volumes movimentados.

Entre janeiro e maio de 2026, o terminal recebeu 3,64 milhões de toneladas de fertilizantes, redução de 9,6% frente ao mesmo intervalo de 2025, quando foram descarregadas 4,02 milhões de toneladas.

Mesmo com a retração, Paranaguá respondeu por 25,1% de todo o volume importado pelos portos brasileiros no período, mantendo posição estratégica para o abastecimento nacional de adubos.

Mercado de fertilizantes entra em fase de maior seletividade

O cenário para os próximos meses indica um mercado mais cauteloso, marcado pela busca por eficiência financeira e maior planejamento das compras.

Com produtores pressionados por custos elevados, crédito mais caro e incertezas internacionais, a demanda por fertilizantes tende a depender cada vez mais da relação entre preços agrícolas, disponibilidade de financiamento e perspectivas para as próximas safras.

A recuperação do ritmo de negócios dependerá da melhora das condições econômicas, da estabilidade no mercado internacional de insumos e da capacidade dos produtores de recompor o poder de compra frente aos custos de produção.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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