Publicado em: 02/07/2026 às 12:30hs
O uso de condicionadores de solo, como o hidrogel e o biochar (biocarvão), tem se mostrado uma estratégia eficiente para aumentar a produtividade da água na cajucultura do Semiárido brasileiro. Estudos conduzidos pela Embrapa Agroindústria Tropical apontam que essas tecnologias ajudam a reduzir os efeitos da escassez hídrica, especialmente durante a implantação dos pomares de cajueiro-anão, fase considerada uma das mais críticas para o sucesso da cultura.
Os resultados demonstram ganhos tanto na sobrevivência das mudas quanto na qualidade dos frutos, além de economia significativa no uso de água para irrigação.
Em um dos experimentos realizados com irrigação de salvação — prática utilizada para suprir as plantas durante períodos críticos de estiagem — o hidrogel apresentou resultados expressivos.
No cultivo do clone BRS 226 (Planalto), a aplicação do polímero hidrofílico proporcionou 100% de sobrevivência das mudas, utilizando apenas 55 litros de água por planta ao ano, volume muito inferior aos cerca de 25 litros por semana normalmente recomendados para a implantação dos pomares.
Com isso, os pesquisadores estimaram uma economia de aproximadamente 46% nos custos de irrigação, tornando a tecnologia uma alternativa viável para produtores que enfrentam limitações no acesso à água.
Segundo o pesquisador Rubens Sonsol, responsável pelos estudos, a elevada mortalidade das mudas representa um dos principais desafios econômicos da cajucultura no Semiárido.
"As mudas enxertadas sofrem grande estresse ao serem transferidas do viveiro para o campo. Em muitas propriedades, até metade das plantas pode ser perdida durante o primeiro ano, aumentando os custos com reposição e reduzindo a produtividade do pomar", explica.
Outro condicionador avaliado foi o biochar, material produzido a partir da pirólise de resíduos orgânicos em ambiente com pouco ou nenhum oxigênio.
Nos experimentos conduzidos em condições de sequeiro, a aplicação de quatro quilos por cova elevou a taxa de sobrevivência das mudas de 26% para 68%, comprovando sua eficiência na retenção de água e na disponibilização de nutrientes em solos arenosos, predominantes nas regiões produtoras de caju.
Além da fase inicial do cultivo, os pesquisadores também analisaram o desempenho do biochar em pomares irrigados já estabelecidos.
No clone BRS 226, os resultados mostraram aumento significativo no peso médio dos pedúnculos — a parte comercial do caju conhecida como maçã — além de melhoria nas características sensoriais dos frutos, que apresentaram maior teor de açúcares e menor acidez.
Esses ganhos ampliam o potencial de aproveitamento do clone para mercados de maior valor agregado, como os segmentos de sucos, doces e processamento industrial.
Um dos principais resultados das pesquisas é que a eficiência do biochar depende do material genético utilizado.
Enquanto o clone BRS 226 apresentou melhorias expressivas na qualidade e no tamanho dos pedúnculos, o clone CCP 76 praticamente não registrou alterações nesses parâmetros.
Segundo os pesquisadores, esse comportamento reforça a necessidade de recomendações técnicas específicas para cada clone, permitindo que os produtores adotem estratégias de manejo mais eficientes e economicamente viáveis.
Além dos benefícios agronômicos, o biochar apresenta uma importante vantagem econômica.
O material pode ser produzido na própria fazenda utilizando resíduos provenientes da poda dos cajueiros e fornos rústicos do tipo "caieira", tecnologia de baixo custo e acessível tanto para pequenos quanto para grandes produtores.
Além de aumentar a retenção de água e nutrientes, o biochar também contribui para:
Os pesquisadores destacam que hidrogel e biochar representam importantes ferramentas para ampliar a resiliência da cajucultura diante das mudanças climáticas e da crescente irregularidade das chuvas no Semiárido.
Em uma região caracterizada por solos arenosos e baixa capacidade de retenção hídrica, essas tecnologias permitem maior eficiência no uso da água, reduzem perdas na implantação dos pomares e contribuem para uma produção mais sustentável.
Com a tendência de aumento dos eventos climáticos extremos, soluções que favoreçam o aproveitamento dos recursos hídricos deverão ganhar cada vez mais espaço entre os produtores de caju, fortalecendo a competitividade da cadeia produtiva e reduzindo os riscos associados à escassez de água.
Fonte: Portal do Agronegócio
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