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Fruticultura e Horticultura

Exportações de suco de laranja atingem maior volume em 23 meses, mas preço da fruta recua em SP

Embarques brasileiros chegam a 96 mil toneladas em setembro; Itaú BBA aponta recuperação das vendas externas, receita menor na safra e nova queda da produção na Flórida


Publicado em: 16/10/2026 às 11:00hs

Exportações de suco de laranja atingem maior volume em 23 meses, mas preço da fruta recua em SP

As exportações brasileiras de suco de laranja ganharam força em setembro, alcançando 96 mil toneladas em equivalente de suco concentrado congelado (FCOJ). O volume cresceu 78% em relação a agosto e foi o maior registrado em 23 meses, segundo o Agro Mensal de outubro, da Consultoria Agro do Itaú BBA.

A recuperação dos embarques, entretanto, ainda convive com preços inferiores aos da temporada anterior. No primeiro trimestre da safra 2026/27, o Brasil exportou mais suco, mas obteve receita menor. No mercado doméstico, a laranja destinada à indústria paulista continuou pressionada pela qualidade da fruta e pela demanda limitada das processadoras.

Embarques crescem 12% no trimestre, mas receita cai 32%

Em setembro, a receita das exportações de suco de laranja alcançou US$ 217 milhões, acompanhando o crescimento mensal do volume. O preço médio ficou praticamente estável em US$ 2.258 por tonelada.

No acumulado de julho a setembro, primeiro trimestre da safra 2026/27, os embarques somaram 225 mil toneladas em equivalente FCOJ, avanço de aproximadamente 12% sobre o mesmo período da temporada anterior.

Apesar do aumento da quantidade exportada, o faturamento recuou cerca de 32%, para US$ 530 milhões. Segundo o Itaú BBA, a diferença reflete o patamar mais baixo dos preços em comparação ao início da safra passada.

Laranja para indústria cai a R$ 29,62 por caixa

No mercado brasileiro, a melhora das exportações ainda não se traduziu em recuperação dos preços da matéria-prima.

Conforme os dados do Cepea apresentados no relatório, a laranja destinada à indústria em São Paulo foi negociada a R$ 29,62 por caixa de 40,8 quilos, queda de 4,9% nos 30 dias analisados.

O banco relaciona a pressão à qualidade abaixo da esperada, com parâmetros industriais aquém do ideal, e à procura ainda limitada das processadoras.

Suco de laranja recupera parte das perdas em Nova York

Os contratos de suco de laranja voltaram a subir no mercado internacional nas semanas acompanhadas pelo levantamento.

O primeiro vencimento do FCOJ em Nova York encerrou 12 de outubro a 151,40 centavos de dólar por libra-peso, valorização de 4,2% em 30 dias.

Nos vencimentos mais longos, as cotações estavam próximas de 165 centavos de dólar por libra-peso. Na avaliação do Itaú BBA, o comportamento da curva indica que o mercado ainda considera uma disponibilidade mais confortável de fruta na próxima safra brasileira.

Produção de laranja da Flórida deve recuar 23%

O relatório também destaca a primeira estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27 da Flórida, apontando produção de 10 milhões de caixas, queda de 23% em relação ao ciclo anterior.

Segundo a análise, a retração está associada à redução da área produtiva, aos efeitos de eventos climáticos e à deterioração do potencial dos pomares.

A área em produção no estado norte-americano diminuiu 24% em 2026, passando de 67,7 mil para 51,3 mil hectares. Na comparação com 2015, quando havia 164 mil hectares produtivos, a redução acumulada chega a 69%.

A área total destinada à laranja recuou 22%, para 58,1 mil hectares. Os novos plantios somaram apenas 2,1 mil hectares, volume insuficiente para compensar a retirada de pomares.

Geada e greening comprometem potencial dos pomares

Além da menor quantidade de árvores produtivas, a citricultura da Flórida enfrenta menor carga de frutos, tamanho abaixo da média histórica e índices elevados de queda.

As variedades precoces e de meia estação devem produzir 3 milhões de caixas, retração de 37%. Para a Valência, a estimativa é de 7 milhões de caixas, redução de 14%.

O desempenho reflete os efeitos da geada registrada em janeiro e os impactos persistentes do greening sobre a produtividade, conforme o relatório.

Brasil permanece estratégico para abastecer os Estados Unidos

Para o Itaú BBA, a combinação de menor área e perda de potencial produtivo indica que a recuperação da oferta da Flórida deverá ocorrer gradualmente.

Enquanto a produção local permanecer próxima dos níveis atuais, a indústria norte-americana continuará dependente de suco importado. Esse cenário mantém o Brasil como fornecedor estratégico dos Estados Unidos, embora o resultado das exportações brasileiras também dependa da evolução dos preços internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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