Preço do arroz em casca recua no Rio Grande do Sul com menor demanda e maior oferta em outubro
Cotações do arroz em casca perdem força no início de outubro, pressionadas pela retração das compras industriais, pela maior disponibilidade do cereal no mercado e pela desvalorização do dólar frente ao Real, aponta Cepea.
Publicado em: 16/10/2026 às 11:45hs
Mercado de arroz em casca perde sustentação no início de outubro
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul registrou enfraquecimento na primeira semana de outubro, após as valorizações observadas nos meses anteriores. A queda nas cotações foi influenciada principalmente pela menor demanda das indústrias, pelo aumento da disponibilidade do cereal para comercialização e pelo recuo do dólar frente ao Real, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O cenário indica uma mudança no ritmo dos negócios no principal estado produtor de arroz do Brasil, com compradores mais cautelosos e menor sustentação para os preços pagos pelo grão em casca.
Menor demanda industrial pressiona as cotações do arroz
De acordo com informações levantadas pelo Cepea, indústrias consultadas relataram redução na movimentação das vendas de arroz beneficiado. Além disso, as empresas enfrentam dificuldades para repassar aos consumidores os aumentos recentes nos custos da matéria-prima.
Diante desse quadro, parte dos compradores passou a limitar as aquisições e a evitar reajustes nas ofertas pelo arroz em casca. A postura mais cautelosa das indústrias reduziu a intensidade das negociações e contribuiu para pressionar os preços no mercado gaúcho.
A combinação entre vendas menos dinâmicas e resistência dos compradores limita o espaço para novas valorizações no curto prazo, especialmente enquanto o escoamento do produto beneficiado permanecer abaixo das expectativas das empresas.
Estoques mais abastecidos reduzem a necessidade de novas compras
Outro fator que contribuiu para o enfraquecimento do mercado foi a menor necessidade de recomposição dos estoques industriais. Segundo pesquisadores do Cepea, algumas empresas haviam adquirido volumes maiores nas semanas anteriores, diminuindo a urgência de realizar novas compras no início de outubro.
Com estoques relativamente mais abastecidos, essas indústrias passaram a negociar com maior cautela, reduzindo a pressão compradora sobre o arroz em casca.
Ao mesmo tempo, a maior disponibilidade do cereal para comercialização ampliou as opções de oferta no mercado. Esse movimento, combinado à demanda mais retraída, dificultou a sustentação das cotações após os avanços registrados anteriormente.
Dólar em queda também influencia o mercado de arroz
A desvalorização do dólar frente ao Real também integrou o conjunto de fatores que pressionaram os preços do arroz em casca no início de outubro.
A movimentação cambial pode alterar a competitividade relativa do produto brasileiro no comércio internacional e influenciar as expectativas dos agentes do mercado. No período analisado, esse fator se somou à menor demanda industrial e à maior disponibilidade interna, reforçando o ambiente de cautela nas negociações.
Perspectivas para o mercado de arroz no Rio Grande do Sul
O comportamento das cotações nas próximas semanas dependerá, entre outros fatores, da recuperação das vendas de arroz beneficiado, da necessidade de reposição dos estoques industriais e do ritmo de comercialização do cereal disponível.
Enquanto as indústrias mantiverem uma postura mais restritiva nas compras e houver maior oferta para negociação, os preços do arroz em casca poderão continuar enfrentando dificuldades para recuperar sustentação.
Para produtores, beneficiadores e demais agentes da cadeia orizícola, acompanhar a evolução da demanda, das condições de oferta e do câmbio será importante para orientar as decisões de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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