Exportação de noz-pecã enfrenta desafios logísticos e sanitários, mas setor projeta retomada no segundo semestre
Conflitos no Oriente Médio, aumento dos fretes marítimos e novas exigências da União Europeia desaceleram os embarques da noz-pecã brasileira, enquanto produtores apostam na recuperação das exportações e no crescimento da safra de 2026
Publicado em: 21/07/2026 às 10:20hs
A cadeia produtiva da noz-pecã no Brasil atravessa um período de desafios para ampliar sua presença no mercado internacional. O aumento dos custos logísticos, provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, aliado às novas exigências sanitárias impostas pela União Europeia, reduziu o ritmo das exportações e elevou o grau de incerteza para os produtores.
Apesar do cenário mais complexo, o setor mantém uma perspectiva otimista para os próximos meses. A expectativa é de que a normalização das operações logísticas e a ampliação da oferta de produto impulsionem uma retomada das negociações internacionais ainda no segundo semestre de 2026.
Safra de 2026 deve crescer com novos pomares em produção
Segundo o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), a produção nacional de noz-pecã deverá alcançar entre 6,5 mil e 7 mil toneladas em 2026.
O crescimento é resultado da entrada de novos pomares em fase produtiva e da expectativa de recuperação da produtividade em diversas regiões produtoras, fortalecendo a oferta brasileira para abastecer tanto o mercado interno quanto as exportações.
O avanço da produção ocorre em um momento estratégico para a cultura, que vem ampliando sua participação no agronegócio nacional e despertando interesse de compradores internacionais em busca de alimentos de alto valor agregado.
Conflito no Oriente Médio eleva custos logísticos
Um dos principais fatores que afetaram as exportações brasileiras foi o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
De acordo com o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, os conflitos internacionais provocaram desequilíbrios na logística marítima global, reduzindo a disponibilidade de contêineres e elevando significativamente o custo dos fretes.
Esse cenário aumentou os custos das operações de exportação e desacelerou as negociações com alguns dos principais mercados consumidores.
Além do impacto financeiro, a instabilidade nas rotas internacionais trouxe maior imprevisibilidade para os embarques, dificultando o planejamento das empresas exportadoras.
Tarifas dos Estados Unidos seguem no radar
Outro fator acompanhado de perto pelo setor é a política comercial dos Estados Unidos.
As discussões envolvendo possíveis tarifas sobre produtos sul-americanos ainda geram incertezas para os exportadores brasileiros.
Ao mesmo tempo, o mercado observa uma possível oportunidade decorrente da redução da produção de noz-pecã registrada recentemente nos Estados Unidos e no México.
Caso as condições comerciais permaneçam favoráveis, a menor oferta desses países poderá abrir espaço para um aumento da participação da noz-pecã brasileira no mercado internacional.
União Europeia endurece regras sanitárias
Enquanto monitora o cenário norte-americano, o setor também enfrenta novos desafios na Europa.
Alterações recentes nas normas sanitárias e fitossanitárias para importação de nozes elevaram o nível de exigência para os exportadores brasileiros e de outros países produtores.
Segundo o IBPecan, as mudanças afetaram significativamente os embarques destinados ao continente europeu, tornando os processos de certificação e liberação mais complexos.
A expectativa é de que, após os ajustes regulatórios, o fluxo comercial volte gradualmente à normalidade.
Mercado asiático ainda apresenta ritmo lento
Além da Europa, o mercado asiático também segue em compasso de espera.
As negociações permanecem limitadas, levando o setor brasileiro a intensificar a prospecção de novos compradores e ampliar sua estratégia de diversificação de mercados.
O objetivo é reduzir a dependência de destinos tradicionais e fortalecer a presença da noz-pecã brasileira em diferentes regiões consumidoras.
Setor aposta na recuperação das exportações
Apesar dos desafios, o setor mantém confiança na recuperação do comércio internacional.
A combinação entre maior disponibilidade de produto, possível estabilização da logística global e expectativa de normalização das exigências sanitárias deverá favorecer uma retomada gradual das exportações nos próximos meses.
Para o IBPecan, os meses de julho e agosto tendem a marcar uma melhora no ambiente de negócios, com abertura de novas oportunidades comerciais para a produção brasileira.
Brasil amplia potencial no mercado global de nozes
O avanço da pecanicultura nacional reforça o potencial do Brasil como fornecedor de nozes de alta qualidade para o mercado internacional.
Com novos investimentos em tecnologia, expansão das áreas cultivadas e profissionalização da cadeia produtiva, o setor busca transformar os atuais desafios logísticos e regulatórios em oportunidades para ampliar sua competitividade global.
Caso o ambiente internacional apresente maior estabilidade ao longo do segundo semestre, a expectativa é que a noz-pecã brasileira recupere ritmo nas exportações e fortaleça sua participação entre os principais mercados consumidores do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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