Safra 2026/27 exige revisão de custos diante da alta dos fertilizantes e dos riscos climáticos
Volatilidade dos insumos, dependência das importações, avanço do El Niño e instabilidade internacional levam produtores a reavaliar compras, adubação e orçamento da lavoura
Publicado em: 09/09/2026 às 15:00hs
O cenário da safra 2026/27 mudou desde o início oficial do novo ano agrícola, em 1º de julho. Embora o Plano Safra tenha disponibilizado R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, destinados ao custeio, à comercialização e aos investimentos, produtores rurais enfrentam novas variáveis que podem alterar custos e estratégias de produção.
A alta e a volatilidade dos fertilizantes, as incertezas climáticas e as tensões no mercado internacional reforçam a necessidade de revisar o planejamento agrícola. Nesse contexto, setembro representa uma janela importante para reavaliar o orçamento, o cronograma de compras e o manejo nutricional das lavouras.
O desafio não está apenas em reduzir despesas, mas em encontrar alternativas capazes de elevar a eficiência sem comprometer a produtividade.
Planejamento da safra precisa acompanhar mudanças do mercado
Decisões definidas antes do plantio podem precisar de ajustes à medida que surgem novas informações sobre preços, clima, disponibilidade de insumos e condições de financiamento.
Para Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, o planejamento agrícola deve ser constantemente atualizado. Segundo ele, revisar as premissas adotadas no começo do ciclo permite identificar ajustes possíveis e preservar o potencial produtivo da lavoura.
A análise deve considerar não somente o preço dos insumos, mas também o custo por hectare, o retorno esperado, o momento adequado de aplicação e os riscos associados à redução de nutrientes.
Alta dos fertilizantes pressiona o custo por hectare
A adubação permanece entre os pontos mais sensíveis do planejamento da safra 2026/27. Como mais de 80% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os custos dos produtores ficam expostos às oscilações cambiais, aos preços internacionais e aos riscos geopolíticos.
Problemas logísticos, conflitos externos e mudanças na oferta global podem afetar tanto os preços quanto a disponibilidade dos produtos no mercado brasileiro.
Diante dessa dependência, antecipar compras ou simplesmente reduzir o uso de fertilizantes nem sempre representa a estratégia mais eficiente. Cada decisão precisa considerar as necessidades nutricionais da cultura, as características do solo e o possível impacto sobre o rendimento da lavoura.
Preço por tonelada não deve ser o único critério
A comparação baseada somente no valor da tonelada pode esconder diferenças importantes entre produtos, doses e estratégias de aplicação. Para uma avaliação mais precisa, o produtor deve calcular o custo efetivo da nutrição por hectare.
Também é necessário analisar a época de aplicação, a eficiência agronômica e a quantidade de nutrientes exigida em cada fase do desenvolvimento da cultura.
Uma redução indiscriminada da adubação pode aliviar momentaneamente o orçamento, mas aumentar o risco de perdas produtivas. Por isso, o planejamento deve equilibrar economia, eficiência e manutenção do potencial de rendimento.
Profert busca ampliar produção nacional de fertilizantes
A dependência externa voltou ao centro do debate após a aprovação, pelo Senado, do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química, conhecido como Profert.
A proposta prevê até R$ 10 bilhões em incentivos ao longo de cinco anos para apoiar a implantação de novas fábricas e a expansão ou modernização de unidades existentes. Entre os objetivos está o fortalecimento da produção brasileira de fertilizantes e a redução da exposição do país às importações.
A iniciativa se soma ao Plano Nacional de Fertilizantes, que estabelece diretrizes para reativar, modernizar e ampliar a capacidade industrial brasileira.
O fortalecimento da oferta doméstica não eliminaria a necessidade de importações, mas poderia diversificar as fontes de abastecimento, reduzir a vulnerabilidade a choques externos e proporcionar maior previsibilidade ao agronegócio.
El Niño amplia riscos para o planejamento agrícola
Além da pressão dos custos, o clima exige atenção na safra 2026/27. As projeções indicam intensificação do El Niño ao longo do segundo semestre, com possibilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.
Os efeitos podem variar entre as regiões. Partes do Sul poderão registrar chuvas acima da média, enquanto áreas do Centro-Norte poderão enfrentar precipitações abaixo do padrão histórico. Temperaturas mais elevadas também são esperadas em grande parte do território nacional.
Esse quadro pode interferir na implantação das lavouras, no calendário das operações, na disponibilidade de água, na eficiência da adubação e na pressão de pragas e doenças.
Revisão deve integrar custos, clima e produtividade
Reavaliar o planejamento não significa descartar todas as decisões tomadas anteriormente. O objetivo é adaptar as estratégias às condições atuais e identificar antecipadamente eventuais ameaças ao desempenho da safra.
Entre os principais pontos que podem ser revisados estão o orçamento da propriedade, o calendário de aquisição dos fertilizantes, o custo por hectare, as doses planejadas, o momento das aplicações e as projeções climáticas para cada região.
Quanto mais cedo o produtor identificar mudanças relevantes, maior será sua capacidade de proteger as margens e reduzir riscos. Em uma temporada marcada pela volatilidade dos fertilizantes e pelas incertezas climáticas, informação atualizada e eficiência de manejo tornam-se decisivas para a rentabilidade da safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias