El Niño ameaça lavouras de cacau e amplia atenção à seca e ao manejo nas regiões produtoras
Falta de água e temperaturas elevadas podem prejudicar mudas, aumentar custos e afetar a oferta; planejamento deve considerar as condições de cada território.
Publicado em: 28/10/2026 às 10:35hs
A intensificação do El Niño aumenta a atenção dos produtores de cacau às condições de chuva e temperatura, sobretudo em áreas do Norte e do Nordeste. Períodos prolongados de seca e calor podem comprometer o desenvolvimento dos cacaueiros, dificultar o estabelecimento de mudas e elevar a necessidade de manejo.
O risco também alcança a cadeia de comercialização: uma eventual redução da produtividade pode pressionar a oferta de amêndoas. O efeito sobre os preços, porém, dependerá de fatores como estoques, demanda internacional e produção em outros países.
Diante desse cenário, o acompanhamento das previsões climáticas e o planejamento do uso do solo e da água ganham importância para reduzir a vulnerabilidade das lavouras.
Previsão climática coloca regiões produtoras em alerta
O quarto boletim do Painel El Niño 2026–2027, divulgado em outubro por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), apontou 95% de probabilidade de intensidade muito forte do fenômeno entre outubro e dezembro.
A previsão também indica possibilidade de intensificação da seca no Norte e no Nordeste, onde estão importantes áreas de produção agrícola e de cultivo de cacau.
Os impactos não são uniformes: dependem da distribuição das chuvas, da disponibilidade de água e das características de cada lavoura ao longo da safra.
Como a seca pode afetar o cacaueiro
O cacaueiro necessita de condições adequadas de umidade para seu desenvolvimento. Quando a falta de água se prolonga, o crescimento das plantas e sua capacidade de realizar fotossíntese podem ser prejudicados.
Um estudo publicado em 2024 na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira identificou redução da capacidade fotossintética e do crescimento de mudas de cacau submetidas a estresse hídrico prolongado.
Segundo Fernando Vincenti, sócio-fundador da consultoria socioambiental Verthic, o calor, a escassez de água e as mudanças no regime de chuvas também podem dificultar a implantação de novas áreas e aumentar a demanda por cuidados no campo.
A intensidade das perdas varia conforme a região, a duração do período seco e as condições da plantação.
Menor oferta pode pressionar o mercado de cacau
Se as adversidades climáticas comprometerem a produtividade, a redução da oferta de amêndoas poderá afetar custos e preços ao longo da cadeia.
Esse resultado, contudo, não depende apenas da produção brasileira. A disponibilidade de estoques, o comportamento da demanda e o desempenho de outras regiões produtoras também influenciam o mercado.
Para produtores e empresas, acompanhar a evolução das lavouras e das condições de comercialização ajuda a preparar decisões diante de diferentes cenários.
Planejamento do solo e da água pode reduzir riscos
A preparação para períodos de instabilidade climática envolve decisões anteriores ao plantio e acompanhamento ao longo do ciclo. Entre os pontos de atenção estão a escolha de variedades adequadas, a época de implantação, o manejo do solo e da água e o monitoramento das condições ambientais.
Em sistemas agroflorestais, a combinação de espécies agrícolas e florestais também pode contribuir para diversificar a produção e favorecer o funcionamento do ecossistema. Os resultados dependem, porém, do desenho do sistema e do manejo adotado em cada local.
Vincenti ressalta que as estratégias precisam considerar as condições ambientais e a realidade social e econômica das comunidades envolvidas. A Verthic, criada em 2011, atua em projetos socioambientais que incluem plantio de cacau, sistemas agroflorestais, restauração e conservação territorial.
Com a possibilidade de eventos climáticos mais intensos, o acompanhamento das lavouras e a adaptação do manejo às condições locais podem ajudar produtores a preservar a continuidade da atividade e planejar os investimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias