Safra de arroz em SC: chuvas e El Niño elevam risco de perdas e podem ampliar custos da indústria
Epagri/Cepa projeta queda de 7,3% na produtividade e na produção em 2026/27; excesso de umidade, menor luminosidade e doenças estão entre as preocupações do setor.
Publicado em: 28/10/2026 às 11:35hs
A perspectiva de chuvas acima da média em Santa Catarina nos próximos meses coloca produtores e indústrias de arroz em alerta para a safra 2026/27. O excesso de umidade pode dificultar o manejo, favorecer doenças e prejudicar a qualidade dos grãos, enquanto a redução da luminosidade pode limitar o desenvolvimento das lavouras.
Segundo projeção da Epagri/Cepa, a produtividade média e a produção catarinense de arroz devem recuar 7,3% em relação à safra 2025/26, sem alteração prevista na área plantada.
A atenção se volta especialmente ao comportamento das chuvas durante a primavera e o verão. Conforme a Epagri/Ciram, há perspectiva de precipitações acima da média em outubro, novembro e dezembro, com possibilidade de temporais, raios, granizo e vendavais.
El Niño amplia atenção ao clima nas lavouras
A previsão para o trimestre ocorre em um cenário de atuação do El Niño, classificado como muito forte pelo Climate Prediction Center (CPC), órgão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), conforme as informações apresentadas pelo setor.
Para o engenheiro agrônomo Douglas George de Oliveira, especialista em arroz irrigado da Epagri, a chuva frequente pode causar inundações em algumas áreas e reduzir a quantidade de radiação solar disponível às plantas.
A menor luminosidade interfere no crescimento do arroz e pode limitar o potencial produtivo. O impacto dependerá, porém, da distribuição das chuvas, da duração dos períodos nublados e da fase de desenvolvimento das lavouras.
Chuva durante a floração pode aumentar prejuízos
Na fase inicial da cultura, parte dos efeitos das condições adversas ainda pode ser recuperada. Entretanto, segundo Oliveira, a continuidade da instabilidade até janeiro, período de floração do arroz, tende a elevar o risco de perdas mais significativas.
O especialista recomenda que o produtor considere a possibilidade de uma produtividade inferior à da safra passada ao planejar os investimentos. A aplicação adicional de insumos, como adubos, não compensa necessariamente os efeitos de condições climáticas desfavoráveis.
O planejamento deve levar em conta as características de cada área e o acompanhamento técnico da lavoura ao longo do ciclo.
Umidade favorece doenças e dificulta manejo
A combinação de chuva frequente, temperaturas elevadas e alta umidade pode criar condições favoráveis ao aparecimento de doenças fúngicas, incluindo a mancha-parda e a mancha-de-grãos.
Esses problemas podem comprometer o desenvolvimento das plantas e a qualidade do arroz colhido. Além disso, o solo encharcado e a continuidade das chuvas dificultam a entrada de máquinas para a realização de tratamentos nas lavouras.
O agrometeorologista da Epagri Márcio Sônego destaca que os impactos podem ocorrer tanto por temporais localizados, com vento e granizo, quanto pela permanência de um ambiente úmido e com pouca radiação solar.
Segundo o especialista, doenças que afetam o colmo podem aumentar a vulnerabilidade das plantas ao acamamento durante vendavais.
Grãos danificados podem elevar custo de beneficiamento
Os possíveis efeitos da safra não se limitam às propriedades. Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), Walmir Rampinelli, uma maior proporção de grãos danificados exige seleção mais intensa nas indústrias.
Esse processo pode elevar o custo de beneficiamento e reduzir o rendimento da matéria-prima, uma vez que parte dos grãos precisa ser descartada para atender aos padrões de qualidade.
A entidade considera essencial acompanhar as condições climáticas ao longo da temporada para avaliar os reflexos sobre a produtividade no campo e o aproveitamento do arroz pela indústria.
Fonte: Portal do Agronegócio
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