Citros no Rio Grande do Sul: tempo seco reduz antracnose, mas frio ameaça pegamento dos frutos
Floração avança nos pomares gaúchos, enquanto baixas temperaturas, disponibilidade de água e presença da mosca-negra exigem atenção para preservar a próxima safra
Publicado em: 16/09/2026 às 17:30hs
A floração dos citros já começou em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, colocando os pomares em uma das etapas mais importantes para a definição da próxima safra. O cenário climático, porém, apresenta efeitos distintos: enquanto o tempo seco reduz a incidência de antracnose em algumas áreas, as baixas temperaturas podem prejudicar a fecundação das flores e o pegamento dos frutos.
De acordo com informações da Emater/RS-Ascar, o desempenho dos pomares dependerá do comportamento das chuvas, das temperaturas e da disponibilidade de água nas próximas semanas. As condições meteorológicas durante a floração influenciam diretamente a formação dos frutos e o potencial produtivo das plantas.
Além dos riscos climáticos, os citricultores precisam acompanhar a presença de pragas e doenças. Na região de Santa Rosa, a brotação estimulada pelas chuvas e pelo aumento das temperaturas favoreceu a movimentação da mosca-negra-dos-citros.
Floração entra em fase decisiva em Santa Rosa
Na região administrativa de Santa Rosa, os citros estão no início da floração, com emissão de botões florais e abertura das primeiras flores.
Essa fase é considerada crítica porque as condições ambientais podem interferir na fecundação e na fixação dos frutos. Oscilações acentuadas de temperatura, deficiência hídrica ou excesso de umidade podem comprometer o desenvolvimento da produção.
As chuvas e as temperaturas mais elevadas registradas anteriormente estimularam uma brotação intensa nos pomares. O mesmo ambiente também favoreceu a revoada de adultos da mosca-negra-dos-citros, embora a incidência observada ainda seja considerada baixa.
A movimentação dos insetos já resultou em posturas e pode dar origem a novas colônias. O cenário reforça a necessidade de inspeções frequentes para identificar os primeiros focos e definir o manejo adequado.
Mosca-negra-dos-citros exige monitoramento dos pomares
A brotação oferece tecidos jovens favoráveis à instalação da mosca-negra-dos-citros. Por isso, o acompanhamento das folhas novas se torna especialmente importante durante o desenvolvimento vegetativo e a floração.
O monitoramento permite avaliar a evolução da população da praga antes que ela se espalhe pelo pomar. As decisões de controle devem considerar a intensidade da infestação, o estágio das plantas e a orientação da assistência técnica.
A atenção fitossanitária precisa ser combinada com o acompanhamento do clima. Mudanças na temperatura e na umidade podem tanto favorecer a multiplicação de insetos quanto alterar a ocorrência de doenças.
Tempo seco reduz incidência de antracnose em Soledade
Na região de Soledade, o predomínio de tempo seco contribuiu para reduzir a incidência de antracnose durante a fase floral.
A menor umidade limita as condições favoráveis ao desenvolvimento da doença, que pode afetar flores e comprometer a formação dos frutos. Mesmo com a redução da pressão, os produtores seguem com o manejo preventivo.
Segundo a Emater/RS-Ascar, grande parte dos citricultores que realiza o controle adequado chegou à terceira aplicação de fungicidas. A continuidade do acompanhamento permanece necessária porque alterações no regime de chuvas podem modificar rapidamente o risco fitossanitário.
Frio pode comprometer formação da próxima safra
Se o tempo seco reduz a pressão da antracnose, as baixas temperaturas representam outro desafio para os pomares de Soledade. O frio durante a floração pode prejudicar a fecundação e reduzir o pegamento dos frutos.
Os efeitos dependem da intensidade e da duração das temperaturas baixas, além do estágio de desenvolvimento das flores. Episódios mais severos podem provocar queda floral e limitar o número de frutos formados.
A situação evidencia os contrastes entre as regiões citrícolas gaúchas. Em Santa Rosa, a combinação de brotação e temperaturas mais elevadas aumenta a atenção sobre a mosca-negra. Em Soledade, o ambiente mais seco diminui a incidência de antracnose, mas o frio amplia os riscos para a frutificação.
Clima e sanidade definirão potencial produtivo dos citros
Com os pomares entrando em uma etapa decisiva, o potencial da próxima safra dependerá da combinação entre condições climáticas, disponibilidade hídrica e eficiência do manejo fitossanitário.
O monitoramento frequente das lavouras permite identificar alterações na floração, presença de pragas e sinais de doenças. Também ajuda o produtor a ajustar as práticas de manejo de acordo com as condições específicas de cada região.
Nas próximas semanas, o comportamento das temperaturas e das chuvas será determinante para o pegamento dos frutos. A atenção ao clima, à antracnose e à mosca-negra-dos-citros será essencial para reduzir perdas e preservar a produtividade dos pomares do Rio Grande do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
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