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Flores

Reforma tributária muda gestão de produtores e cooperativas de flores em Holambra a partir de 2027

Maior polo de floricultura da América Latina, município paulista concentra 60% do mercado nacional e enfrenta o desafio de integrar produção, documentos fiscais e créditos de IBS e CBS


Publicado em: 17/09/2026 às 11:55hs

Reforma tributária muda gestão de produtores e cooperativas de flores em Holambra a partir de 2027

A chegada da primavera, segundo período mais importante para as vendas de flores no Brasil depois do Dia das Mães, encontra a cadeia da floricultura diante de um novo desafio. Além de planejar produção, estoques e logística, produtores e cooperativas precisam preparar seus sistemas de gestão para as mudanças tributárias previstas a partir de 2027.

O impacto tende a ser especialmente relevante em Holambra, no interior de São Paulo. Considerado o maior polo produtor de flores e plantas ornamentais da América Latina, o município concentra aproximadamente 60% do mercado brasileiro e responde por cerca de 80% das exportações nacionais de flores e mudas, conforme dados apresentados durante o Campinas Innovation Week 2026.

A floricultura também possui peso expressivo na economia local. A agropecuária representa 38,6% da atividade econômica do município, impulsionada por uma cadeia que movimentou R$ 23,35 bilhões no Brasil em 2025, crescimento de 10% sobre o ano anterior, segundo levantamento da Forbes Agro.

Para 2026, o Instituto Brasileiro de Floricultura projeta expansão entre 7% e 8%, apoiada em investimentos em tecnologia, logística e práticas sustentáveis.

Tecnologia avança nas estufas, mas gestão ainda enfrenta gargalos

Nas últimas décadas, a produção de flores deixou de depender apenas de processos artesanais. Controle de temperatura, automação, rastreabilidade e eficiência logística passaram a influenciar diretamente a qualidade dos produtos e a competitividade das empresas.

Essa modernização, entretanto, não ocorreu no mesmo ritmo em todas as áreas da cadeia. Enquanto as tecnologias avançaram nas estufas e no transporte, parte das cooperativas ainda utiliza sistemas administrativos pouco adaptados às particularidades do cooperativismo.

“O setor de flores é um exemplo claro de cadeia que modernizou a produção e ficou para trás na gestão. A tecnologia chegou à estufa antes de chegar ao sistema que administra o negócio”, afirma Luis Carlos Crema, presidente da Solterra Soluções Inteligentes, desenvolvedora do sistema de gestão ST7 Coop.

Uma das dificuldades está no tratamento contábil das cooperativas, que precisam administrar simultaneamente as regras aplicáveis às empresas e as especificidades do ato cooperativo. Esse mecanismo permite identificar a participação de cada associado nos resultados gerados durante determinado período.

IBS e CBS exigem adaptação dos sistemas fiscais

O calendário de transição da reforma tributária aumenta a necessidade de integração entre os dados dos produtores, das cooperativas e das operações comerciais.

Segundo orientação do Sindicato do Comércio Varejista de Flores, Plantas e Correlatos do Estado de São Paulo (Sindiflores), o preenchimento dos campos referentes ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nas notas fiscais tornou-se obrigatório, desde 3 de agosto de 2026, para empresas enquadradas nos regimes de lucro presumido e lucro real.

A partir de 2027, a CBS começará a substituir PIS e Cofins dentro do cronograma da reforma. A mudança deverá ampliar a importância da correta emissão dos documentos fiscais e do acompanhamento dos créditos tributários em cada operação.

Para produtores rurais e cooperativas, cadastros inconsistentes ou informações que não estejam integradas aos documentos fiscais e aos pagamentos podem atrasar ou comprometer o aproveitamento de créditos, com reflexos sobre o custo das mercadorias.

“As cooperativas ficaram à margem da evolução tecnológica. A contabilidade do setor precisa ser feita duas vezes, uma vez como qualquer empresa e outra sob as regras do cooperativismo”, observa Crema.

Crédito tributário passa a influenciar negociações comerciais

No novo sistema, o crédito tributário tende a ganhar maior peso nas relações entre fornecedores, produtores, cooperativas e compradores. A qualidade das informações registradas ao longo da operação será determinante para o aproveitamento dos valores recolhidos nas etapas anteriores da cadeia.

Isso significa que dados cadastrais, notas fiscais, pagamentos e registros contábeis precisarão estar conectados. A ausência dessa integração poderá dificultar a identificação de divergências antes do fechamento fiscal.

A reforma tributária aparece entre as principais pautas acompanhadas pelo Sistema da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) em 2026, ao lado da proteção do ato cooperativo e da ampliação do crédito rural.

“O produtor rural vai entrar num sistema tributário que nunca passou por isso antes. Sem a gestão integrada entre a fazenda e a cooperativa, o prejuízo pode aparecer só na hora do fechamento, quando o espaço para corrigir já passou”, afirma Crema.

Holambra enfrenta desafio de integrar produção e gestão

A relevância de Holambra para o mercado brasileiro de flores torna a adaptação tributária especialmente estratégica. A cadeia reúne produtores, cooperativas, distribuidores, varejistas e exportadores, com grande volume de operações concentrado em períodos sazonais.

Nesse ambiente, erros cadastrais ou fiscais podem se repetir em grande escala e comprometer o aproveitamento de créditos. Por outro lado, a integração das informações pode ampliar a previsibilidade financeira e facilitar o acompanhamento das transações realizadas por cada associado.

Depois de modernizar estufas, sistemas de irrigação, climatização, rastreabilidade e logística, o setor de flores entra em uma nova etapa. O desafio para 2027 será levar o mesmo nível de eficiência tecnológica à gestão administrativa, contábil e tributária de produtores e cooperativas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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