Publicado em: 01/06/2026 às 11:30hs
O mercado brasileiro de feijão encerrou maio com sinais de acomodação após um período de fortes valorizações. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a última semana do mês foi marcada pela redução do interesse comprador, movimento que contribuiu para desacelerar os negócios e pressionar parte das cotações.
A retração da demanda ocorreu após sucessivas altas registradas ao longo de maio, período em que os preços do feijão atingiram níveis recordes em diversas regiões produtoras. O cenário refletiu uma postura mais cautelosa dos agentes do mercado, especialmente diante da recomposição da oferta em algumas praças.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a entrada de novos lotes comerciais provenientes do Paraná aumentou a disponibilidade de produto no mercado, impactando principalmente o segmento do feijão carioca.
Com maior oferta disponível, compradores reduziram a urgência nas aquisições, adotando uma postura mais seletiva nas negociações. Esse comportamento limitou novos avanços nos preços e gerou pressão sobre as cotações da variedade, que vinha acumulando ganhos expressivos ao longo dos últimos meses.
A expectativa dos agentes é de que a evolução da oferta nas próximas semanas continue sendo um fator determinante para o comportamento do mercado.
Diferentemente do observado no mercado do feijão carioca, o feijão preto apresentou maior resistência à pressão vendedora e manteve sustentação nos preços.
A menor disponibilidade do produto e a continuidade da demanda em determinados mercados contribuíram para preservar o movimento de valorização registrado ao longo de maio.
Segundo o Cepea, o feijão preto intensificou sua trajetória de alta durante o mês, consolidando um dos melhores desempenhos recentes entre as principais categorias comercializadas no país.
Os dados do Cepea/CNA mostram que maio foi um mês de forte valorização para o setor. As cotações do feijão carioca renovaram recordes nas médias mensais, enquanto o feijão preto registrou uma das mais intensas altas da série histórica.
De acordo com o levantamento, ambas as variedades apresentaram as maiores variações mensais desde o início da série de acompanhamento, em setembro de 2024.
O resultado reflete um período marcado por oferta mais ajustada, demanda aquecida e menor disponibilidade de produto de qualidade superior em importantes regiões produtoras.
Para as próximas semanas, o mercado deverá acompanhar atentamente a evolução da oferta nas principais regiões produtoras e o comportamento dos compradores após o forte ciclo de valorização observado em maio.
A entrada de novos volumes no mercado poderá influenciar principalmente o feijão carioca, enquanto o feijão preto tende a continuar sustentado caso a disponibilidade permaneça limitada.
Apesar da desaceleração dos negócios no encerramento do mês, os fundamentos de mercado ainda indicam preços em patamares historicamente elevados, mantendo a atenção de produtores, atacadistas e varejistas em todo o país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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