Feijão e Pulses

Preço do feijão dispara em maio com escassez de produto extra e mercado trava no Brasil

Oferta restrita e desaparecimento dos lotes superiores elevaram as cotações do feijão carioca e mantiveram o mercado em forte tensão ao longo do mês


Publicado em: 29/05/2026 às 19:00hs

Preço do feijão dispara em maio com escassez de produto extra e mercado trava no Brasil
Foto: Everson Souza

O mercado brasileiro de feijão encerrou maio em um dos cenários mais pressionados dos últimos anos, marcado pela forte valorização dos preços, escassez de produto extra e retração da liquidez nas negociações. O feijão carioca passou a operar praticamente em função da qualidade dos lotes disponíveis, com ampla diferença entre os materiais superiores e os padrões comerciais.

Segundo análise de Safras & Mercado, o desaparecimento gradual dos lotes de melhor padrão, especialmente os de escurecimento lento, peneira alta e excelente aspecto visual, foi o principal fator de sustentação das cotações ao longo do mês.

A disputa por mercadorias consideradas “extra” dominou o início de maio. Os lotes nota 9 chegaram a sustentar preços entre R$ 495 e R$ 510 por saca CIF São Paulo. No mercado FOB, o interior paulista trabalhou próximo de R$ 500 por saca, enquanto o Noroeste de Minas Gerais manteve referências ao redor de R$ 470. Em Mato Grosso, os negócios consolidaram patamares acima de R$ 430 por saca.

Mercado perde liquidez após forte valorização

Apesar da escalada nos preços, o mês também foi marcado pelo enfraquecimento gradual da liquidez. O ambiente deixou de ser uma corrida por mercadorias e passou a apresentar forte travamento comercial, com compradores mais cautelosos e redução significativa dos negócios efetivados.

As indústrias diminuíram a agressividade nas compras diante das dificuldades de repasse ao varejo, enquanto o consumidor passou a demonstrar maior resistência aos preços elevados do produto.

Na segunda metade de maio, a entrada da colheita no Paraná aumentou a circulação de amostras comerciais, principalmente de feijão padrão 8 e 8,5. Mesmo assim, os preços seguiram em níveis historicamente elevados.

O interior de São Paulo manteve referências entre R$ 435 e R$ 450 por saca. O Noroeste mineiro continuou próximo de R$ 440, enquanto diversas regiões permaneceram negociando acima de R$ 400 por saca.

Segundo o analista Evandro Oliveira, a sustentação do mercado ocorreu muito mais pela escassez qualitativa do que necessariamente por falta absoluta de volume disponível.

Geadas elevam tensão no mercado do feijão preto

O feijão preto foi o segmento mais sensível aos efeitos climáticos durante maio. O mercado reagiu rapidamente às geadas registradas no Paraná e em parte da Região Sul, ampliando o movimento de valorização diante do receio de perdas produtivas.

As maiores preocupações se concentraram nas áreas plantadas fora da janela ideal, especialmente lavouras semeadas em fevereiro. Parte dessas áreas ainda estava em fase de floração e enchimento de grãos durante os episódios de frio intenso.

O mercado passou a monitorar riscos relacionados à redução de produtividade, abortamento floral, perda de peneira, escurecimento e piora da qualidade dos grãos. As primeiras estimativas chegaram a apontar possibilidade de perdas entre 15% e 20% nos talhões mais vulneráveis.

Com isso, os preços reagiram rapidamente. No Paraná, negócios FOB chegaram próximos de R$ 280 por saca, enquanto o produto beneficiado avançou para níveis entre R$ 290 e R$ 300 por saca.

Entrada da colheita reduz especulação, mas preços seguem firmes

Na segunda metade do mês, o mercado perdeu parte do impulso especulativo inicial com o avanço gradual da colheita e a percepção de que ainda existem estoques remanescentes da safra anterior.

Mesmo assim, as cotações permaneceram em patamares elevados. O interior paulista consolidou referências entre R$ 260 e R$ 265 por saca. No Sul do Paraná, os preços buscaram R$ 250, enquanto o Noroeste do estado operou próximo de R$ 255. Já o Oeste catarinense superou R$ 240 por saca.

A liquidez continuou bastante limitada, com vendedores resistentes e compradores atuando de forma cautelosa diante das incertezas sobre o tamanho real da oferta disponível.

Parte das áreas mais adiantadas conseguiu escapar dos maiores danos causados pelas geadas. Cultivares mais modernas e superprecoces, com ciclos entre 60 e 80 dias, apresentaram melhor adaptação ao calendário de semeadura, evitando que as plantas atravessassem as fases mais sensíveis durante o período de frio intenso.

Mercado do feijão segue estruturalmente apertado em 2026

O mercado brasileiro de feijão preto continua operando em ambiente de oferta restrita em 2026. A forte dependência produtiva do Paraná, a limitação da oferta irrigada e as dúvidas sobre os estoques remanescentes mantêm o setor em estado de atenção.

Além disso, os agentes seguem acompanhando a qualidade efetiva da safra após secagem e beneficiamento dos grãos, fator considerado decisivo para a definição do comportamento dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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