Trigo mantém preços firmes no Brasil com oferta restrita e mercado travado na entressafra
Baixa liquidez, estoques limitados de trigo de qualidade e cautela dos moinhos sustentam as cotações, enquanto produtores acompanham condições climáticas da nova safra
Publicado em: 07/08/2026 às 18:00hs
O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana em ritmo lento, com poucas negociações e postura cautelosa entre compradores e vendedores. Em plena entressafra, a disponibilidade limitada de cereal, principalmente de melhor qualidade, continua dando suporte aos preços, enquanto os moinhos realizam apenas compras pontuais para reposição imediata.
De acordo com análise da Safras & Mercado, o cenário atual combina oferta restrita, baixa liquidez e expectativa em relação ao avanço da nova safra. O comportamento do mercado internacional, especialmente as oscilações nas bolsas norte-americanas e a firmeza das referências argentinas, também segue influenciando as cotações internas.
Oferta limitada sustenta preços do trigo disponível
Segundo o analista Elcio Bento, a escassez de trigo com qualidade superior permanece como um dos principais fatores de sustentação dos preços no mercado doméstico.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguiram restritos durante a semana. As indicações para o trigo disponível ficaram próximas de R$ 1.320 por tonelada FOB.
Para os lotes classificados como trigo melhorador, os valores permaneceram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, refletindo a menor disponibilidade desse perfil de produto e a procura específica da indústria.
Apesar da firmeza nas referências, os compradores continuam adotando postura defensiva, aguardando maior clareza sobre a oferta da próxima temporada.
Moinhos reduzem compras e aguardam nova safra
A baixa movimentação do mercado está diretamente relacionada ao comportamento dos moinhos, que seguem adquirindo apenas volumes necessários para o curto prazo.
A estratégia das indústrias é acompanhar o desenvolvimento da nova safra antes de ampliar compromissos de compra, mantendo o mercado com pouca liquidez.
No Paraná, as indicações dos compradores ficaram próximas de R$ 1.450 por tonelada CIF, enquanto vendedores pediram valores entre R$ 1.480 e R$ 1.500 por tonelada FOB.
Para a safra nova, as referências ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.430 por tonelada CIF, mas os produtores demonstram pouco interesse em fechar negócios antecipados diante das incertezas sobre produtividade, qualidade e rentabilidade.
Chuvas aumentam preocupação com qualidade do trigo
As condições climáticas passaram a ganhar maior relevância nas avaliações do mercado.
Segundo Elcio Bento, as chuvas registradas durante a semana elevaram a preocupação dos agentes quanto aos possíveis impactos sobre a qualidade das lavouras, principalmente em regiões onde o excesso de umidade pode prejudicar o desenvolvimento do cereal.
Além da produtividade, a qualidade industrial do trigo será um fator determinante para a formação dos preços ao longo da próxima temporada.
Preços permanecem estáveis nas principais regiões produtoras
Os indicadores físicos encerraram a semana praticamente sem alterações nas principais praças acompanhadas.
No Paraná:
- Curitiba: entre R$ 1.510 e R$ 1.610 por tonelada CIF;
- Maringá: entre R$ 1.500 e R$ 1.600 por tonelada.
No Rio Grande do Sul:
- Porto Alegre: entre R$ 1.400 e R$ 1.480 por tonelada CIF;
- Rio Grande: entre R$ 1.525 e R$ 1.605 por tonelada.
As cotações seguem sustentadas pela combinação entre menor disponibilidade de trigo de qualidade, estoques ajustados e ritmo reduzido de comercialização.
Mercado internacional segue no radar dos compradores
No ambiente externo, o trigo argentino continua apresentando referências firmes, enquanto as bolsas internacionais operam com oscilações diante das projeções de oferta global e das condições das principais regiões produtoras.
O mercado brasileiro permanece atento principalmente ao comportamento dos preços internacionais, ao câmbio e à evolução da safra nos países exportadores.
Perspectivas para o trigo brasileiro
A expectativa é de que o mercado continue operando com baixa liquidez nas próximas semanas, com compradores buscando oportunidades e produtores mantendo cautela diante das incertezas da nova safra.
Com oferta restrita de trigo de melhor qualidade e demanda concentrada em reposições pontuais, os preços tendem a permanecer firmes no curto prazo, mas dependentes dos próximos indicadores de produção, clima e mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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