Preço do feijão: carioca extra chega a R$ 345 e preto tem negócios a R$ 305 em São Paulo
Oferta restrita de lotes superiores sustenta cotações, mas compras pontuais dos empacotadores limitam altas generalizadas; plantio da primeira safra avança e condições das lavouras exigem atenção.
Publicado em: 23/10/2026 às 16:30hs
O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com preços sustentados nos lotes de melhor qualidade, mas negociações limitadas. No carioca, a escassez dos padrões superiores mantém a firmeza dos vendedores. No preto, a redução dos estoques também oferece suporte às cotações, embora os compradores evitem ampliar posições.
Segundo Evandro Oliveira, analista de Safras & Mercado, a continuidade das valorizações depende da confirmação de negócios, da qualidade disponível e da capacidade dos empacotadores de repassar os custos. Pedidas mais altas, isoladamente, ainda não caracterizam uma recuperação ampla do mercado.
Feijão carioca tem negócios entre R$ 290 e R$ 320 na capital paulista
Na Zona Cerealista de São Paulo, as operações com feijão carioca permaneceram concentradas nos padrões comerciais de notas 7,5 e 8, com referências entre R$ 290 e R$ 320 por saca, conforme as características dos lotes.
Os produtos superiores, de notas 8,5, 9 e 9,5, apresentam disponibilidade mais restrita, o que fortalece as pedidas dos vendedores. Entretanto, a falta de operações recorrentes dificulta confirmar novos níveis de preços.
No interior paulista, foram registrados negócios pontuais a R$ 345 por saca para o carioca extra. Valores pedidos acima de R$ 350 ainda dependem de aceitação efetiva dos compradores.
Em Minas Gerais, as negociações ocorreram entre R$ 300 e R$ 310 por saca, com diferenças de padrão e umidade. Essas referências não devem ser comparadas diretamente às de lotes premium.
Qualidade define preços e limita comparação entre praças
A formação dos preços continua fortemente associada à nota de cor, umidade, aparência e conservação dos grãos. Esses atributos determinam a aceitação comercial e a necessidade de concessões durante as negociações.
Em Goiás, relatos isolados de operações de até R$ 315 por saca ainda não constituem uma referência consolidada.
Oliveira também ressalta que a baixa exposição de lotes na abertura da Bolsa não comprova, por si só, escassez generalizada, pois essa oferta não representa toda a disponibilidade do mercado.
Produtores, corretores e cerealistas defendem os preços com base na restrição dos melhores padrões e nas expectativas sobre as chuvas em São Paulo e no Paraná. Os empacotadores, por sua vez, seguem abastecidos e priorizam aquisições para reposição imediata.
Feijão preto registra negócios efetivos a R$ 305 por saca
No mercado de feijão preto, os melhores lotes de estoques disponíveis tiveram negócios confirmados a R$ 305 por saca na Zona Cerealista de São Paulo.
A realização dessas operações valida uma referência que poderia ser interpretada anteriormente apenas como intenção de venda. Ainda assim, o valor não representa um patamar uniforme para todas as regiões.
Na origem, as indicações permanecem regionalizadas:
- Paraná: valores próximos de R$ 270 por saca para lotes de boa qualidade;
- Noroeste paranaense: relatos pontuais de até R$ 280 por saca para o extra tipo 1;
- Interior de São Paulo: negócios a R$ 290 por saca para o extra tipo 1;
- Santa Catarina: referências anteriores acima de R$ 275 por saca, na condição FOB.
As cotações correspondem a diferentes momentos, modalidades comerciais e condições de entrega. Por isso, exigem cautela nas comparações.
Estoques menores favorecem vendedores de feijão preto
A redução dos estoques no Paraná e a reposição limitada por outras regiões ajudam os vendedores a preservar preços e reduzir descontos.
Esse suporte, porém, convive com liquidez restrita. Os empacotadores continuam comprando conforme a necessidade, atentos ao giro dos produtos e às possibilidades de repasse.
Na avaliação do analista, uma valorização mais abrangente depende de maior aceitação dos compradores e da repetição das operações nos níveis mais elevados.
Plantio de feijão chega a 65% no Paraná
No campo, a semeadura da primeira safra 2026/27 alcançou 65% da área prevista no Paraná.
A parcela das lavouras classificadas em boas condições caiu de 82% para 77%, enquanto 2% passaram a ser avaliadas como ruins. O cenário exige acompanhamento, mas ainda não permite antecipar perdas definitivas de produção.
No Brasil, o plantio atingiu 20,9% da área estimada, acima dos 20,1% registrados no ciclo anterior, porém abaixo da média dos últimos cinco anos, de 22,3%.
As previsões de chuva, o desenvolvimento das lavouras e o comportamento da colheita paulista permanecem no radar dos agentes, sem provocar, até o momento, uma reação efetiva da demanda.
Exportações de feijão preto recuam e não explicam sustentação interna
Os dados apresentados na análise mostram que as exportações brasileiras de feijão preto caíram de 58,98 mil para 18,56 mil toneladas no acumulado de janeiro a setembro, na comparação entre os períodos informados.
O resultado recomenda cautela ao atribuir a firmeza doméstica a uma demanda internacional aquecida.
No conjunto das variedades, o avanço dos embarques foi puxado principalmente pelo feijão-mungo, enquanto o feijão comum também apresentou retração. Assim, o crescimento agregado das exportações não constitui, isoladamente, um fator de valorização para o preto.
Para o curto prazo, a perspectiva é de sustentação seletiva dos preços, condicionada à disponibilidade física e à qualidade. Sem maior disposição compradora, referências elevadas podem permanecer apenas como pedidas, sem se transformar em altas generalizadas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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