Preço do milho cai 2,02% no Brasil com compradores retraídos e negócios lentos
Saca tem média de R$ 61,81, enquanto queda em Chicago e câmbio pressionam a paridade de exportação; volume diário embarcado recua 11,8% na parcial de outubro
Publicado em: 23/10/2026 às 17:00hs
O preço do milho no Brasil recuou ao longo da semana, pressionado pelo baixo interesse dos compradores e pela dificuldade de conciliar as ofertas de compra com os valores pedidos pelos vendedores. Em 22 de outubro, a média nacional da saca ficou em R$ 61,81, queda de 2,02% em relação aos R$ 63,09 registrados no encerramento da semana anterior.
Segundo a consultoria Safras & Mercado, os consumidores mantiveram uma postura retraída, demonstrando tranquilidade quanto ao abastecimento. Esse comportamento limitou a comercialização e favoreceu reduções nas cotações em diferentes regiões produtoras.
A distância entre as indicações dos compradores e as pretensões dos vendedores continuou elevada em boa parte das praças acompanhadas, mantendo o mercado físico com baixa fluidez.
Chicago e dólar pressionam preços do milho
Além da demanda doméstica pouco ativa, o enfraquecimento dos contratos futuros em Chicago e os movimentos recentes do dólar reduziram a atratividade da exportação.
A combinação de preços internacionais mais baixos e câmbio menos favorável pressiona a paridade de exportação do milho, referência importante para a formação das cotações brasileiras.
O mercado também acompanha a possibilidade de maior volatilidade cambial em torno das eleições. As oscilações da moeda americana podem alterar as condições de negociação e influenciar o posicionamento de compradores e vendedores.
Do lado da oferta, os produtores seguem cautelosos, embora a consultoria observe algum avanço na fixação de negócios.
Campinas registra queda de 3,70%; Uberlândia mantém cotação
Entre as localidades informadas, Campinas apresentou a maior redução percentual, enquanto Uberlândia permaneceu estável. As referências de 22 de outubro, comparadas ao encerramento da semana anterior, foram:
- Campinas (SP), condição CIF: R$ 65,00 por saca, ante R$ 67,50, queda de 3,70%;
- Cascavel (PR): R$ 58,00, frente a R$ 60,00, recuo de 3,33%;
- Rio Verde (GO): R$ 58,00, ante R$ 60,00, baixa de 3,33%;
- Mogiana paulista: R$ 61,00, frente a R$ 63,00, redução de 3,17%;
- Rondonópolis (MT): R$ 54,00, ante R$ 55,00, queda de 1,82%;
- Erechim (RS): R$ 70,00, frente a R$ 71,00, recuo de 1,41%;
- Uberlândia (MG), preço de venda: R$ 65,00, sem alteração.
As cotações correspondem às condições comerciais de cada praça. Em Campinas, a referência CIF inclui o frete até o destino.
Exportações de milho somam 2,866 milhões de toneladas em outubro
As exportações brasileiras de milho totalizaram 2,866 milhões de toneladas nos primeiros 11 dias úteis de outubro, com receita de US$ 682,797 milhões.
Conforme os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a média diária embarcada atingiu 260,547 mil toneladas, enquanto o faturamento por dia útil ficou em US$ 62,072 milhões. O preço médio de exportação foi de US$ 238,20 por tonelada.
Na comparação com outubro de 2025, os indicadores apresentaram movimentos distintos:
- Volume médio diário: queda de 11,8%;
- Receita média diária: alta de 1,4%;
- Preço médio por tonelada: valorização de 15%.
O aumento do valor recebido por tonelada compensou a redução do ritmo dos embarques, permitindo um pequeno avanço da receita diária na comparação anual.
Compradores seguem atentos a oportunidades de preços menores
No mercado interno, a percepção de abastecimento confortável reduz a urgência dos consumidores em fechar negócios. Ao mesmo tempo, a cautela dos produtores mantém a diferença entre os preços pedidos e as propostas de compra.
A evolução das cotações em Chicago, do câmbio e da demanda doméstica permanece no centro das negociações, em um ambiente de pressão sobre os preços e comercialização limitada.
Fonte: Portal do Agronegócio
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