Publicado em: 13/04/2026 às 13:40hs
O mercado brasileiro de feijão inicia o segundo trimestre de 2026 em um cenário de ajuste, marcado por perdas na produção no Paraná e recuo nos preços após altas expressivas no início do ano. A combinação entre problemas climáticos, redução de área plantada e mudanças na dinâmica de oferta e demanda tem impactado tanto o campo quanto o mercado.
A segunda safra de feijão no Paraná, principal do estado, deve registrar queda significativa em 2026. De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a área plantada foi estimada em 239 mil hectares, retração de 31% em relação à safra anterior.
A redução da área deve impactar diretamente a produção, com expectativa de queda de pelo menos 20%. A cultura foi semeada ao longo do primeiro trimestre, e a colheita começa a ganhar ritmo, com cerca de 3% das lavouras já em fase de maturação.
As condições das lavouras também apresentaram deterioração nas últimas semanas. Atualmente, 72% das áreas são classificadas como em boas condições, abaixo dos 76% registrados anteriormente. Já as áreas em condição mediana subiram para 20%, enquanto as lavouras consideradas ruins passaram de 6% para 8%.
As regiões de Pato Branco, Laranjeiras do Sul e Francisco Beltrão concentram os maiores impactos da seca e representam mais da metade da produção estadual. Embora chuvas recentes tenham interrompido temporariamente o estresse hídrico, os efeitos sobre a produtividade já são considerados irreversíveis.
A estimativa média de rendimento, projetada anteriormente em 30 sacas por hectare, dificilmente será atingida, segundo o relatório.
Mudança no perfil de plantio favorece feijão carioca
Apesar da redução geral da área cultivada, houve alteração na composição das lavouras. Dados indicam aumento de 3% na área destinada ao feijão do grupo carioca, enquanto a retração foi mais intensa nas variedades de feijão-preto.
Essa mudança está diretamente ligada ao comportamento dos preços nos últimos 12 meses. O feijão carioca acumulou valorização de 48%, enquanto o feijão-preto registrou alta mais moderada, de 7%. Ainda assim, o feijão-preto segue predominante, ocupando cerca de dois terços da área plantada na segunda safra do estado.
Após um primeiro trimestre marcado por valorização expressiva e recordes de preços, as cotações do feijão carioca e do feijão-preto iniciaram abril em queda, conforme dados do Cepea/CNA.
Nos primeiros meses do ano, a oferta restrita sustentou os preços em níveis elevados. No entanto, a recente retração da demanda passou a pressionar o mercado, levando a um movimento de correção nas cotações.
O setor agora atravessa um período de ajuste, buscando um novo ponto de equilíbrio. Esse processo é influenciado por fatores como a lenta transmissão dos preços entre indústria e varejo e a entrada gradual da segunda safra no mercado.
Além disso, as incertezas climáticas no Sul do Brasil aumentam a cautela entre os agentes, especialmente diante das perdas já observadas no Paraná.
No mercado externo, o Brasil registrou aumento nas exportações de feijão em março, com embarques de 27,28 mil toneladas. O volume representa alta de 2,4% em relação a fevereiro e avanço expressivo de 51,3% na comparação anual.
Por outro lado, as importações somaram 3,13 mil toneladas no mês, recuo de 17% frente a fevereiro, mas ainda em patamar elevado, cerca de quatro vezes superior ao registrado em março do ano passado.
O cenário para o mercado de feijão nos próximos meses segue condicionado a variáveis importantes, como o clima no Sul do país e a evolução da demanda interna.
Com produção pressionada e preços em ajuste, o setor deve continuar operando com cautela, acompanhando de perto o avanço da colheita e o comportamento do consumo para definir os próximos movimentos do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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