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Cana de Açucar

Crise no preço da cana ameaça paralisar fornecimento às usinas de Pernambuco

Produtores acumulam prejuízo estimado em R$ 75,73 por tonelada e podem suspender as entregas a partir de 14 de setembro caso o Consecana-PE não aprove reajuste na remuneração


Publicado em: 03/09/2026 às 18:20hs

Crise no preço da cana ameaça paralisar fornecimento às usinas de Pernambuco

A crise enfrentada pelos fornecedores de cana-de-açúcar em Pernambuco pode provocar a interrupção das entregas às usinas do estado. Os produtores ameaçam suspender o fornecimento a partir de 14 de setembro, caso não sejam atendidas as reivindicações por uma remuneração compatível com os custos da atividade.

Segundo representantes do setor, a tonelada da cana está sendo comercializada por aproximadamente R$ 139,27, enquanto o custo de produção alcança R$ 215. A diferença representa um prejuízo estimado em R$ 75,73 por tonelada cultivada e entregue às unidades industriais.

A situação será discutida em uma reunião decisiva do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol de Pernambuco (Consecana-PE), prevista para o dia 14. O colegiado reúne fornecedores rurais e representantes das indústrias sucroenergéticas para calcular e divulgar os valores de referência da matéria-prima.

Preço da cana não cobre custos de produção

O aumento das despesas com fertilizantes, defensivos, combustíveis, mão de obra e manutenção das lavouras tem reduzido a rentabilidade dos canavieiros pernambucanos. De acordo com o setor, o valor atualmente pago pelas usinas não é suficiente para cobrir os investimentos necessários à produção.

O custo de R$ 215 por tonelada tem como referência a safra 2025/26 e foi calculado em levantamento técnico realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP (Cepea).

Com a tonelada negociada a R$ 139,27, o produtor recebe apenas cerca de 65% do valor necessário para custear a atividade. Na prática, a cada tonelada entregue à indústria, o fornecedor acumula um déficit equivalente a aproximadamente 35% do custo de produção.

Fornecedores ameaçam interromper entregas às usinas

A possibilidade de paralisação foi discutida durante uma reunião realizada na terça-feira (1º), na sede da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).

Diante do agravamento da crise financeira, os produtores decidiram suspender as entregas de cana às usinas a partir do dia 14, caso não haja avanço nas negociações com o setor industrial.

A medida poderá afetar o ritmo de moagem das unidades pernambucanas e comprometer a produção estadual de açúcar, etanol e bioenergia. A eventual interrupção também poderá provocar impactos sobre empregos, transportadores, prestadores de serviços e municípios economicamente dependentes da cadeia sucroenergética.

Reunião do dia 9 tentará evitar paralisação

Antes da reunião do Consecana-PE, fornecedores e representantes das usinas terão uma nova rodada de negociações. O encontro está marcado para o dia 9, na sede da AFCP, e terá como objetivo construir uma solução capaz de evitar a suspensão do fornecimento.

Os canavieiros defendem que a metodologia de remuneração seja ajustada para refletir os custos atuais da produção. A reivindicação já teria sido apresentada anteriormente no próprio conselho, mas ainda não resultou em uma correção considerada suficiente pelos agricultores.

Caso não haja acordo nessa reunião preliminar, a decisão ficará concentrada no encontro do Consecana-PE, previsto para o dia 14 de setembro.

Consecana-PE terá reunião decisiva sobre valor da matéria-prima

O Consecana-PE é responsável por estabelecer os critérios utilizados no cálculo do preço de referência da cana-de-açúcar em Pernambuco. A metodologia considera fatores relacionados à qualidade da matéria-prima e aos preços obtidos com a comercialização de açúcar e etanol.

Fornecedores argumentam, porém, que o modelo atual não acompanha adequadamente a evolução das despesas no campo. Para eles, a remuneração precisa incorporar os aumentos acumulados nos custos de produção, evitando que a atividade continue operando com margens negativas.

A reunião de 14 de setembro será, portanto, determinante para a continuidade das entregas às usinas. Os produtores esperam que o conselho reconheça o desequilíbrio econômico e aprove medidas capazes de aproximar o preço recebido do custo efetivamente suportado nas propriedades.

Auxílios públicos não eliminam prejuízo dos canavieiros

Medidas emergenciais adotadas pelos governos estadual e federal ajudaram a reduzir parte das dificuldades enfrentadas pelo setor. Entre as ações estão a distribuição de fertilizantes pelo governo de Pernambuco e o pagamento de subvenções federais aos produtores.

Apesar desses mecanismos, os canavieiros afirmam que os recursos não compensam a diferença entre o custo da atividade e o valor pago pela matéria-prima.

O setor avalia que os auxílios são importantes em situações emergenciais, mas não substituem uma política de remuneração que assegure a sustentabilidade econômica da produção no médio e no longo prazo.

Paralisação pode pressionar cadeia de açúcar e etanol

Uma interrupção no fornecimento de cana teria reflexos diretos sobre as usinas, que dependem da entrega contínua da matéria-prima durante o período de moagem.

Sem volume suficiente para processar, as unidades industriais poderão reduzir ou suspender temporariamente suas operações. O cenário representa risco para a produção de açúcar e etanol, além de comprometer a geração de renda e empregos em diferentes regiões de Pernambuco.

A cadeia da cana possui forte participação na economia da Zona da Mata e movimenta produtores rurais, trabalhadores, transportadoras, oficinas, empresas de insumos e prestadores de serviços.

Com a ameaça de paralisação marcada para 14 de setembro, o resultado das próximas reuniões será fundamental para evitar o agravamento da crise e assegurar a continuidade da safra canavieira no estado.

Meta description: Fornecedores de cana de Pernambuco ameaçam suspender entregas às usinas em 14 de setembro. Prejuízo chega a R$ 75,73 por tonelada.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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