Broca-da-cana: monitoramento precoce ajuda a evitar perdas no canavial
Praga danifica os colmos, favorece doenças e reduz o rendimento industrial; identificar adultos e lagartas antes da entrada no colmo é decisivo para o controle
Publicado em: 29/09/2026 às 15:00hs
A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) exige atenção contínua nas lavouras de cana-de-açúcar. Presente em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil, a praga reduz a produtividade no campo e pode comprometer a qualidade da matéria-prima entregue à indústria. Os prejuízos são estimados em até R$ 5 bilhões por safra.
O momento da intervenção é decisivo. Quando a lagarta penetra no colmo, passa a ficar protegida da maioria dos tratamentos. Por isso, o monitoramento deve buscar sinais da presença de adultos e de lagartas nos primeiros estágios de desenvolvimento.
Danos da broca-da-cana vão além da produtividade
De acordo com estimativas de mercado citadas no material, cada 1% no Índice de Infestação Final (IIF) pode representar perda de até 1,5 tonelada de cana por hectare e redução aproximada de 0,4 quilo de açúcar por tonelada processada.
As galerias abertas pelas lagartas também facilitam a entrada de fungos, entre eles Fusarium e Colletotrichum falcatum, agente da podridão vermelha. Esse processo prejudica a qualidade do caldo e o rendimento industrial.
“A broca provoca um efeito em cadeia no sistema produtivo”, afirma Maria Luiza Fernandes, desenvolvedora de mercado da Biotrop. Segundo ela, os danos internos somam perdas de produtividade à redução da qualidade da matéria-prima.
Monitoramento define a janela de controle
Temperaturas elevadas, alta umidade e mudanças nos sistemas de produção estão entre os fatores que influenciam a incidência da broca-da-cana. Diante desse cenário, acompanhar a lavoura permite identificar a praga enquanto ainda há oportunidade de agir antes da entrada da lagarta no colmo.
“O controle eficiente depende principalmente do monitoramento contínuo, porque a janela de ação é bastante restrita”, explica Maria Luiza. Depois que a lagarta se instala no interior da planta, o controle se torna mais difícil e os danos à matéria-prima já podem ter começado.
Controle biológico integra o manejo da praga
Ferramentas biológicas podem compor o manejo integrado da broca-da-cana ao lado de defensivos químicos e tecnologias biotecnológicas. A diversidade de mecanismos de ação também contribui para as estratégias de manejo da resistência.
Entre as soluções apresentadas pela Biotrop está o Biobrev Full, produto voltado ao controle de lagartas em diferentes culturas. Segundo a empresa, sua formulação reúne proteínas e toxinas com ação por ingestão e contato. A Biotrop afirma ainda que a tecnologia DOP, utilizada no produto, induz a produção de metabólitos para proporcionar ação imediata após a aplicação.
De acordo com Maria Luiza, o produto pode ser utilizado em áreas de cana-planta e cana-soca, isoladamente ou associado a defensivos químicos. A escolha deve considerar a pressão da praga e o programa de manejo adotado em cada lavoura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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