Safra de café do Brasil deve atingir recorde de 75,8 milhões de sacas em 2026/27
Hedgepoint mantém projeção histórica, apesar das chuvas de inverno que atrasaram a colheita e afetaram a qualidade do café arábica
Publicado em: 21/08/2026 às 10:40hs
A produção brasileira de café deverá alcançar o recorde de 75,8 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2026/27, segundo estimativa mantida pela Hedgepoint Global Markets. A projeção considera o desempenho das lavouras até a fase final da colheita, mesmo após a ocorrência de chuvas atípicas durante o inverno.
As precipitações reduziram o ritmo dos trabalhos em importantes regiões produtoras de café arábica e provocaram impactos na qualidade de parte dos grãos. O volume colhido, entretanto, continua alinhado às expectativas da consultoria.
A combinação entre a forte recuperação do arábica e a produção elevada de conilon e robusta deverá sustentar o maior resultado da cafeicultura brasileira, caso a previsão seja confirmada.
Produção de café arábica deve crescer 33%
O café arábica deverá liderar o avanço da produção nacional em 2026/27. A Hedgepoint estima uma colheita de 50,2 milhões de sacas, diante das 37,7 milhões registradas no ciclo anterior.
A diferença chega a 12,5 milhões de sacas, equivalente a um crescimento de aproximadamente 33,2%. A recuperação expressiva é determinante para que a safra brasileira total alcance um volume recorde.
Apesar do crescimento, a produção de arábica não deverá superar o maior resultado já registrado para a variedade no país. Na temporada 2020/21, foram colhidas 54,2 milhões de sacas, volume 4 milhões de sacas superior à atual projeção.
Chuvas de inverno atrasam colheita e prejudicam qualidade
As precipitações atípicas durante o inverno atingiram regiões produtoras de arábica e provocaram interrupções nos trabalhos de campo. O excesso de umidade também dificultou a secagem do café nos terreiros.
A permanência dos frutos maduros nas plantas e a maior exposição dos grãos à umidade podem comprometer características como cor, bebida e uniformidade. Em algumas áreas, as condições também ampliaram o risco de fermentações indesejadas e derrubada dos frutos.
Mesmo com os efeitos sobre a qualidade, a Hedgepoint não alterou sua projeção para o volume nacional. Segundo a consultoria, os resultados observados continuam compatíveis com a estimativa de produção recorde.
Safra de conilon e robusta deve recuar para 25,6 milhões de sacas
A produção brasileira de cafés canéforas, grupo que reúne conilon e robusta, foi estimada em 25,6 milhões de sacas. Na temporada anterior, o volume havia alcançado 27 milhões.
A redução projetada é de 1,4 milhão de sacas, correspondente a aproximadamente 5,2%. Mesmo com o recuo anual, a produção de canéforas permanece em nível elevado na comparação histórica.
O avanço estrutural dessas variedades nos últimos anos ampliou sua participação na cafeicultura brasileira. O conilon tem importância especial no Espírito Santo e em Rondônia, enquanto novas áreas produtoras também contribuem para a expansão da oferta.
Arábica deverá responder por dois terços da produção
Com 50,2 milhões de sacas previstas, o arábica deverá representar aproximadamente 66,2% da produção brasileira de café em 2026/27.
Os cafés canéforas, estimados em 25,6 milhões de sacas, responderão pelos 33,8% restantes.
A composição evidencia a importância da recuperação do arábica para o resultado nacional. O acréscimo de 12,5 milhões de sacas dessa variedade mais do que compensa a redução de 1,4 milhão de sacas projetada para conilon e robusta.
Na soma das duas variedades, a produção nacional deverá crescer 11,1 milhões de sacas em relação aos volumes apresentados para a temporada anterior.
Produção recorde amplia disponibilidade de café brasileiro
A confirmação de uma safra de 75,8 milhões de sacas deverá aumentar a disponibilidade de café para o mercado interno e para as exportações.
O impacto sobre os preços, porém, dependerá de fatores como qualidade dos lotes, demanda internacional, estoques nos países consumidores, comportamento do dólar e desempenho das safras de outros grandes produtores.
No caso do arábica, eventuais perdas qualitativas podem sustentar prêmios para cafés de melhor padrão, mesmo diante do aumento da produção. Dessa forma, o volume recorde não significa necessariamente oferta abundante em todas as categorias exigidas pelos compradores.
Mercado acompanha fase final da colheita
Com os trabalhos próximos da conclusão, as atenções deverão permanecer concentradas no rendimento final das lavouras, na qualidade dos grãos e no ritmo de beneficiamento e comercialização.
A evolução das exportações também será importante para avaliar a capacidade de absorção da nova oferta. Além disso, as condições climáticas dos próximos meses começarão a influenciar a florada e o desenvolvimento inicial da safra seguinte.
Por enquanto, a Hedgepoint mantém a avaliação de que, apesar das chuvas de inverno e das dificuldades enfrentadas nas regiões de arábica, o Brasil caminha para colher a maior safra de café de sua história.
Fonte: Portal do Agronegócio
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