Publicado em: 05/02/2026 às 11:30hs
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, nesta quinta-feira (5), a primeira estimativa da safra de café 2026, projetando uma produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas. Caso o resultado se confirme, o volume representará um crescimento de 17,1% em relação à safra de 2025 e estabelecerá um novo recorde na série histórica, superando as 63,1 milhões de sacas colhidas em 2020.
O aumento é impulsionado pela bienalidade positiva — fenômeno natural que alterna anos de maior e menor produtividade — e por condições climáticas favoráveis em importantes regiões produtoras. A área em produção cresceu 4,1% em relação ao ano anterior, totalizando 1,9 milhão de hectares, e a produtividade média nacional deve atingir 34,2 sacas por hectare, alta de 12,4% sobre o ciclo anterior.
A espécie arábica, que mais sofre influência da bienalidade, deve registrar um salto de 23,3% na colheita, alcançando 44,1 milhões de sacas. Esse aumento é atribuído à ampliação da área colhida, às boas chuvas e à recuperação fisiológica das lavouras após o ciclo de baixa em 2025.
Já o café conilon (robusta) também deve apresentar crescimento, com 22,1 milhões de sacas previstas — uma elevação de 6,4% sobre o volume do ano anterior. O avanço é resultado da expansão de áreas produtivas e do clima favorável, especialmente nas regiões Norte e Sudeste.
Minas Gerais, principal estado produtor de café do país, deve colher 32,4 milhões de sacas em 2026, impulsionado pela boa distribuição das chuvas e pela bienalidade positiva das lavouras.
Em São Paulo, a estimativa é de 5,5 milhões de sacas, com recuperação de áreas afetadas na safra anterior e melhoria na produtividade.
Na Bahia, a Conab prevê uma colheita total de 4,6 milhões de sacas, sendo 1,2 milhão de arábica e 3,4 milhões de conilon, representando um avanço de 4% sobre 2025.
O Espírito Santo segue como líder nacional na produção de conilon, com previsão de 19 milhões de sacas, alta de 9% em relação ao ciclo anterior. Deste total, 14,9 milhões de sacas correspondem ao conilon, favorecido pelas chuvas regulares no norte do estado.
Em Rondônia, o cultivo de conilon deve render 2,7 milhões de sacas, um expressivo aumento de 18,3%. O resultado reflete o uso de plantas clonais mais produtivas e o bom comportamento climático desde o início do ciclo.
Apesar da queda de 17,1% no volume exportado em 2025 — 41,9 milhões de sacas de 60 kg —, o Brasil registrou receita recorde de US$ 16,1 bilhões com as vendas externas de café, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado histórico foi impulsionado pela alta de 57,2% no preço médio do produto em relação a 2024, o que gerou um aumento de 30,3% no valor total exportado.
Mesmo com a expectativa de uma safra recorde no Brasil e boas colheitas no Vietnã, os preços internacionais do café devem se manter em patamares elevados. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o consumo mundial alcance um novo recorde de 173,9 milhões de sacas de 60 kg, impulsionado pelo aumento da demanda na Ásia, especialmente em China, Indonésia e Vietnã.
O USDA também alerta para a redução dos estoques globais, que devem atingir 21,3 milhões de sacas no início do ciclo 2025/26 — o nível mais baixo dos últimos 25 anos. Ao final da safra, a previsão é de nova queda para 20,1 milhões de sacas, o que tende a manter os preços do grão aquecidos no mercado internacional.
1º Levantamento da Safra de Café 2026
Fonte: Portal do Agronegócio
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