Publicado em: 14/04/2026 às 10:50hs
A safra brasileira de café 2026/27 deve apresentar crescimento significativo, impulsionada por condições climáticas favoráveis, expansão de área plantada e melhorias no manejo das lavouras. De acordo com relatório da Hedgepoint Global Markets, a produção total pode atingir 75,8 milhões de sacas, sendo 50,2 milhões de Arábica e 25,6 milhões de Conilon.
Desde meados de outubro, as condições climáticas têm sido positivas nas principais regiões produtoras de café Arábica, com destaque para Minas Gerais e São Paulo.
Apesar de volumes de chuva ligeiramente abaixo da média ao longo de 2025, a combinação com temperaturas amenas contribuiu para uma boa florada e para o início adequado do desenvolvimento dos grãos. Nas principais áreas cafeeiras, o cenário climático, aliado ao aumento da área plantada e aos tratos culturais, manteve as lavouras em boas condições.
Durante a fase de enchimento dos grãos em 2026, as chuvas se intensificaram, com volumes acima da média em fevereiro e março. Esse cenário favoreceu o ganho de peso e tamanho dos grãos, o que deve resultar em maior rendimento no processamento.
Com isso, a produção de Arábica está estimada em 50,2 milhões de sacas, o que representa um crescimento de 33,2% em relação à safra anterior.
As áreas de Conilon também registraram clima favorável ao longo do ciclo, com chuvas consistentes e temperaturas amenas. O avanço da área plantada, o uso de variedades mais produtivas e os investimentos em manejo devem sustentar níveis elevados de produção.
A estimativa é de 25,6 milhões de sacas, configurando o segundo maior volume já registrado no país, com leve recuo de 5,3% em comparação com o ciclo anterior. A colheita já começou em algumas regiões e deve ganhar ritmo entre o fim de abril e o início de maio.
A safra 2026/27 deve começar com estoques iniciais mais elevados. Isso ocorre em meio a um desempenho abaixo do esperado nas exportações do ciclo 2025/26, influenciado pela menor disposição dos produtores em vender diante da volatilidade dos preços e de incertezas no mercado, além dos efeitos de tarifas impostas pelos Estados Unidos em parte de 2025.
Para a nova temporada, a expectativa é de recuperação nas exportações brasileiras, sustentada pelo aumento da oferta. Ainda assim, o mercado pode seguir com estrutura invertida, com contratos de curto prazo sendo negociados a preços superiores aos de longo prazo.
Os custos financeiros mais elevados também tendem a influenciar o comportamento dos compradores, que podem adiar a recomposição de estoques, afetando o fluxo global de embarques.
No mercado interno, a safra 2025/26 foi marcada por maior utilização de Conilon nos blends, devido ao diferencial de preço em relação ao Arábica. Para a temporada 2026/27, a tendência inicial é de manutenção desse padrão.
No entanto, uma safra maior de Arábica pode pressionar os preços da variedade nos próximos meses, alterando parcialmente essa dinâmica.
A expectativa é de que os preços do café robusta permaneçam mais baixos nos próximos meses, refletindo não apenas o aumento da oferta no Brasil, mas também a perspectiva de maior produção em países como Vietnã e Uganda.
Ainda assim, o cenário global segue dependente das condições climáticas, especialmente diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode impactar a produção nos principais países produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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