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Café

Manejo do café com análise de tecido vegetal registra ganho de 25,8% em fazenda de MG

Projeto da Agroallianz combina dados fisiológicos e indicadores de campo para orientar decisões; na Fazenda BellaMinas, produtividade chegou a 105,46 sacas por hectare em 2026


Publicado em: 22/10/2026 às 07:00hs

Manejo do café com análise de tecido vegetal registra ganho de 25,8% em fazenda de MG

A análise de tecido vegetal está sendo utilizada para orientar o manejo do café e avaliar as respostas das plantas aos investimentos na lavoura. Na Fazenda BellaMinas, em Guapé (MG), resultados divulgados pelo Projeto AAcRes, da Agroallianz, apontam produtividade de 105,46 sacas por hectare em 2026, ante 83,82 sacas na área testemunha.

A diferença foi de 21,64 sacas por hectare, equivalente a 25,8%. O acompanhamento também registrou maior número de nós e maior retenção de folhas nas plantas submetidas ao manejo do projeto.

Os números correspondem às condições avaliadas na propriedade. A iniciativa busca relacionar produtividade, funcionamento fisiológico e desenvolvimento vegetativo para apoiar decisões técnicas e econômicas na cafeicultura.

Análise de tecido vegetal ajuda a identificar limitações do cafeeiro

O AAcRes — Análises de Acúmulo de Reserva combina avaliações laboratoriais de tecido vegetal com informações coletadas no campo. O objetivo é identificar compostos relacionados ao metabolismo das plantas e interpretar como essas informações se conectam ao desempenho da lavoura.

Inicialmente aplicado no café e posteriormente também nos citros, o projeto procura reconhecer fatores limitantes, direcionar estratégias e acompanhar as respostas ao manejo em diferentes condições ambientais.

Segundo Renato Menezes, engenheiro agrônomo e gerente de marketing técnico da Agroallianz, avaliar uma tecnologia exige compreender sua função dentro do sistema produtivo.

“Não basta saber quanto custa uma determinada tecnologia, é preciso entender qual problema ela resolve, qual resposta pode proporcionar à planta e se essa resposta tem potencial para se transformar em produtividade e rentabilidade”, afirma.

Produtividade é acompanhada por crescimento e retenção de folhas

Na Fazenda BellaMinas, a avaliação foi além do volume colhido. Em maio de 2026, as plantas acompanhadas pelo AAcRes apresentavam média de 9,43 nós, contra 8,86 na testemunha.

No momento da colheita, o enfolhamento alcançou 80,19% no tratamento, enquanto a testemunha registrou 72,59%, diferença de 7,6 pontos percentuais.

Para Diego Santos, engenheiro agrônomo e gerente da fazenda, a combinação dos indicadores ajuda a interpretar o desempenho observado.

“Tivemos, ao mesmo tempo, maior produtividade, crescimento vegetativo e manutenção do enfolhamento. Isso indica uma planta com uma arquitetura mais equilibrada e uma estrutura que continua sendo construída para os ciclos seguintes”, explica.

O acompanhamento do número de nós, da formação de ramos e da retenção foliar permite avaliar a estrutura produtiva do cafeeiro e sua resposta às condições de cultivo.

Estresse hídrico e calor ampliam importância do diagnóstico

A proposta também considera os efeitos das condições ambientais sobre a produção. Estresse hídrico, temperaturas elevadas e estresse oxidativo podem interferir no funcionamento das plantas, mesmo em lavouras que recebem investimentos em genética, nutrição e controle fitossanitário.

Segundo Menezes, identificar a limitação presente em cada momento permite planejar intervenções e medir seus resultados, em vez de avaliar o manejo apenas pela inclusão de novos produtos.

Entre as estratégias estudadas no AAcRes está o uso de osmorreguladores, com acompanhamento de respostas relacionadas ao estado hídrico, ao crescimento vegetativo e à manutenção da área foliar.

A análise conjunta desses dados busca compreender a capacidade das plantas de atravessar períodos de maior pressão ambiental e preservar seu potencial produtivo.

Retorno do investimento depende da resposta da lavoura

Para o cafeicultor, a abordagem propõe ampliar a avaliação econômica das tecnologias. Além do custo por hectare, entram na análise o problema identificado, a resposta observada na planta e o efeito sobre a produção.

O ganho de produtividade registrado na propriedade é um dos indicadores desse processo. A avaliação da rentabilidade, porém, também depende dos custos envolvidos e da receita obtida com a comercialização do café.

Na visão de Menezes, definir previamente o objetivo da intervenção e a forma de medir seu resultado torna o investimento parte da gestão de risco e do planejamento da lavoura.

Com essa metodologia, o projeto busca transformar informações laboratoriais e observações de campo em decisões de manejo mais ajustadas às necessidades de cada área.

Fonte: Portal do Agronegócio

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