Exportações de café do Brasil batem recorde em agosto, com 4,16 milhões de sacas e receita de US$ 1,33 bilhão
Maior disponibilidade de arábica e avanço de 53,6% nos embarques de conilon e robusta impulsionam resultado histórico; vendas externas no ano-safra 2026/27 já superam 7,2 milhões de sacas
Publicado em: 11/09/2026 às 11:10hs
As exportações brasileiras de café alcançaram o melhor resultado da história para um mês de agosto. O país embarcou 4,155 milhões de sacas de 60 quilos, crescimento de 31% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A receita cambial também estabeleceu um recorde para agosto, totalizando US$ 1,331 bilhão. O valor representa avanço de 19,8% na comparação anual e reforça a importância do café para a geração de divisas do agronegócio brasileiro.
O desempenho foi favorecido pela maior disponibilidade de café arábica da nova safra e, principalmente, pelo forte crescimento das exportações de conilon e robusta. Os cafés canéforas registraram o maior volume já embarcado pelo Brasil em um mês de agosto.
Exportações de conilon e robusta crescem 53,6%
Os embarques de café conilon e robusta chegaram a 953.592 sacas em agosto de 2026, aumento de 53,6% frente ao mesmo mês do ano anterior.
Segundo o Cecafé, o resultado evidencia o avanço da qualidade dos canéforas produzidos no Brasil e a ampliação do espaço desses cafés no mercado internacional.
O café arábica permaneceu como principal produto da pauta exportadora, com 2,866 milhões de sacas embarcadas no mês. O volume foi 25,7% superior ao registrado em agosto de 2025.
As exportações de café solúvel cresceram 24,3%, alcançando 332.192 sacas. Já os embarques de café torrado e torrado e moído totalizaram 3.816 sacas, alta de 6,4% na comparação anual.
Chuvas atrasaram chegada do café arábica ao mercado
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que a maior disponibilidade de café arábica contribuiu diretamente para o recorde de agosto. Parte da produção chegou mais tarde ao mercado devido às chuvas registradas durante a colheita, especialmente em julho.
Com o avanço dos trabalhos e a entrada dos novos lotes no mercado, o Brasil conseguiu ampliar significativamente os embarques no mês seguinte.
Além do arábica, o desempenho dos cafés canéforas foi decisivo para o resultado. O crescimento das exportações de conilon e robusta demonstra maior competitividade do produto brasileiro e diversificação da oferta destinada aos compradores internacionais.
Exportações superam 7,2 milhões de sacas no ano-safra 2026/27
No primeiro bimestre do ano-safra 2026/27, considerando julho e agosto, as exportações brasileiras de todos os tipos de café somaram 7,204 milhões de sacas.
O volume representa crescimento de 21,5% em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior. A receita cambial chegou a US$ 2,242 bilhões, avanço de 4,1% na comparação com julho e agosto de 2025.
O resultado indica recuperação do ritmo dos embarques após um primeiro semestre marcado por menor disponibilidade interna e atraso na entrada da nova safra.
Brasil exporta 25 milhões de sacas entre janeiro e agosto
Apesar do recorde mensal, as exportações acumuladas em 2026 ainda permanecem abaixo dos números registrados no ano anterior.
Entre janeiro e agosto, o Brasil enviou 25,073 milhões de sacas de café para 119 países. O volume representa queda de 1,2% frente às 25,370 milhões de sacas exportadas no mesmo período de 2025.
A receita cambial acumulada alcançou US$ 8,787 bilhões, recuo de 9,3% diante dos US$ 9,686 bilhões contabilizados nos oito primeiros meses do ano passado.
De acordo com o Cecafé, o resultado reflete a combinação entre uma safra anterior menor, estoques reduzidos e menor disponibilidade de café durante o primeiro semestre. As chuvas durante a colheita também retardaram a chegada dos novos grãos ao mercado.
Gargalos nos portos continuam prejudicando exportadores
Além das limitações na oferta, os exportadores brasileiros continuam enfrentando problemas relacionados à infraestrutura portuária.
A falta de capacidade operacional nos principais terminais provoca atrasos nos embarques, rolagem de cargas e aumento das despesas com armazenagem. Esses gargalos geram custos adicionais e reduzem a eficiência logística do setor cafeeiro.
O Cecafé também aponta que as incertezas envolvendo a política comercial dos Estados Unidos afetaram as negociações ao longo do período. A retirada das tarifas sobre o café solúvel brasileiro, ocorrida em julho, tende a reduzir a insegurança e favorecer uma retomada mais consistente dos negócios.
Estados Unidos lideram compras de café brasileiro
Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do café brasileiro entre janeiro e agosto de 2026. O país importou 3,158 milhões de sacas, equivalentes a 12,6% das exportações totais do Brasil no período.
Apesar da liderança, o volume adquirido pelos norte-americanos caiu 21,6% na comparação com os oito primeiros meses de 2025.
A Alemanha ficou na segunda colocação, com 2,824 milhões de sacas e participação de 11,3%, resultado 8,2% inferior ao registrado no ano anterior.
Na sequência aparecem:
- Itália: 2,248 milhões de sacas, crescimento de 12,8%;
- Bélgica: 2,115 milhões de sacas, avanço de 39,2%;
- Japão: 1,305 milhão de sacas, queda de 22%.
Café arábica responde por mais de 70% das exportações
O café arábica liderou os embarques brasileiros entre janeiro e agosto, com 17,863 milhões de sacas. O volume corresponde a 71,2% das exportações totais, embora represente uma redução de 11,8% frente ao mesmo período de 2025.
As exportações de café conilon e robusta somaram 4,339 milhões de sacas, participação de 17,3% no total. Na comparação anual, os embarques de canéforas cresceram expressivos 68,6%.
O café solúvel respondeu por 2,829 milhões de sacas, ou 11,3% das vendas externas. Já o café torrado e torrado e moído somou 43.124 sacas, equivalente a 0,2% do total.
Cafés especiais geram receita de US$ 1,76 bilhão
Os cafés diferenciados — categoria que reúne produtos de qualidade superior, certificados, sustentáveis ou especiais — representaram 17,1% das exportações brasileiras nos oito primeiros meses de 2026.
Foram embarcadas 4,294 milhões de sacas, queda de 15,8% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Com preço médio de US$ 410,62 por saca, esses cafés geraram receita cambial de US$ 1,763 bilhão, equivalente a 20,1% do faturamento total das exportações brasileiras do produto. O valor ficou 19% abaixo do registrado entre janeiro e agosto de 2025.
Os Estados Unidos também lideraram as compras de cafés diferenciados, com 625.758 sacas e participação de 14,6%. Bélgica, Alemanha, Itália e Países Baixos completaram a lista dos cinco principais destinos.
Porto de Santos concentra 70,9% dos embarques
O Porto de Santos permaneceu como a principal porta de saída do café brasileiro. Entre janeiro e agosto, o terminal paulista embarcou 17,788 milhões de sacas, correspondentes a 70,9% do total exportado pelo país.
O complexo portuário do Rio de Janeiro apareceu na segunda posição, com 6,252 milhões de sacas e participação de 24,9%.
O Porto de Paranaguá, no Paraná, respondeu pelo embarque de 261.874 sacas, representando 1% das exportações brasileiras no período.
Com maior disponibilidade da nova safra, crescimento acelerado dos canéforas e redução das incertezas comerciais, o setor cafeeiro inicia o segundo semestre com perspectiva de recuperação. A continuidade desse movimento, entretanto, dependerá do comportamento da demanda internacional e da capacidade de superar os gargalos logísticos nos portos brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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