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Café

Exportações de café brasileiro caem 36% para os Estados Unidos, mas mercado aposta em retomada dos embarques

Vendas externas de café verde recuaram no primeiro semestre de 2026 diante de ajustes nos estoques globais, menor oferta de arábica e volatilidade dos preços internacionais; Europa mantém liderança como principal destino do produto brasileiro


Publicado em: 03/08/2026 às 17:00hs

Exportações de café brasileiro caem 36% para os Estados Unidos, mas mercado aposta em retomada dos embarques
Foto: Diego Vargas

As exportações brasileiras de café registraram retração nos principais mercados consumidores durante o primeiro semestre de 2026, com destaque para a forte queda dos embarques destinados aos Estados Unidos. Entre janeiro e junho, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 36,6% em valor e 36,2% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.

Os dados do Comex Stat, plataforma oficial de estatísticas de comércio exterior do Brasil, consideram o desempenho do café não torrado (café verde) exportado pelo país.

Apesar da redução nas vendas, especialistas avaliam que o movimento está mais relacionado a ajustes de mercado, estoques internacionais e disponibilidade global do produto do que a uma perda de competitividade do café brasileiro.

Estados Unidos reduzem compras após formação de estoques

O mercado norte-americano foi o destino que apresentou a maior retração entre os principais compradores do café brasileiro.

No primeiro semestre de 2026, os Estados Unidos importaram 115,4 mil toneladas de café brasileiro, contra 181 mil toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

Em receita, os embarques para o país somaram US$ 760,9 milhões, ante aproximadamente US$ 1,2 bilhão entre janeiro e junho de 2025.

Segundo especialistas do setor, a redução está ligada principalmente ao processo de ajuste dos estoques americanos.

Nos anos de 2024 e 2025, os Estados Unidos aumentaram as compras e formaram estoques estratégicos diante das incertezas sobre oferta e preços. Em 2026, o mercado passou a consumir parte desses volumes armazenados, reduzindo temporariamente a necessidade de novas aquisições.

Europa mantém liderança nas compras de café brasileiro

Mesmo com retração, a Europa continua como o principal destino do café brasileiro no mercado internacional.

O bloco europeu importou 556,8 mil toneladas de café brasileiro no primeiro semestre de 2026, queda de 10,8% em volume frente às 623,9 mil toneladas adquiridas no mesmo período de 2025.

Em valores, as compras europeias totalizaram US$ 3,7 bilhões, contra US$ 4,1 bilhões no primeiro semestre do ano passado.

A Alemanha ganhou destaque no ranking de compradores e superou os Estados Unidos em volume importado.

O país europeu adquiriu:

  • 127,3 mil toneladas de café brasileiro em 2026;
  • contra 115,4 mil toneladas compradas pelos Estados Unidos.

Em valor, a Alemanha desembolsou US$ 843,4 milhões no período, frente aos US$ 998 milhões registrados no primeiro semestre de 2025.

Queda nas exportações reflete cenário global do café

Para o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion, o recuo dos embarques não representa perda de competitividade do café brasileiro, mas um movimento de ajuste entre oferta, estoques e preços internacionais.

Segundo o especialista, a menor disponibilidade de café arábica na safra 2025/26, influenciada por períodos de seca e altas temperaturas em regiões produtoras, contribuiu para um cenário mais restritivo de oferta.

Além disso, movimentos especulativos na Bolsa de Nova York pressionaram as cotações internacionais do arábica, levando alguns compradores a postergar decisões de compra em busca de melhores oportunidades de preço.

Oferta limitada de arábica influencia mercado internacional

A disponibilidade de café arábica segue como um dos principais fatores acompanhados pelo mercado.

Problemas climáticos registrados em importantes regiões produtoras brasileiras reduziram expectativas de oferta em determinados períodos, aumentando a preocupação com a regularidade dos embarques.

Nesse cenário, qualidade, produtividade e estabilidade da produção passaram a ser elementos estratégicos para manter a presença do Brasil nos mercados internacionais.

Expectativa é de recuperação gradual das exportações

Para os próximos meses, o mercado trabalha com possibilidade de recuperação das exportações brasileiras, condicionada principalmente ao desempenho da produção nacional.

Caso a próxima safra confirme aumento da oferta, a expectativa é de retomada dos embarques e recomposição dos estoques dos principais compradores globais.

Segundo Centurion, o Brasil reúne condições para manter sua liderança mundial no café, desde que preserve fatores como:

  • regularidade de oferta;
  • qualidade dos grãos;
  • previsibilidade comercial;
  • eficiência produtiva.

A expectativa é de uma recuperação mais acelerada nos Estados Unidos, devido à forte queda registrada na base de comparação de 2026.

Na União Europeia, a retomada tende a ocorrer de forma mais gradual, considerando que o bloco manteve um fluxo de compras mais estável mesmo durante o período de menor disponibilidade.

Produtor precisa investir em produtividade e qualidade

Diante de um mercado internacional mais exigente, especialistas destacam que o cafeicultor brasileiro precisa ampliar investimentos em eficiência e gestão de risco.

Entre as estratégias recomendadas estão:

  • renovação das lavouras;
  • manejo adequado do solo;
  • irrigação quando tecnicamente viável;
  • uso de cultivares mais resistentes;
  • melhoria dos processos de pós-colheita;
  • certificações socioambientais;
  • rastreabilidade da produção;
  • tecnologias aplicadas ao campo.

A produção de cafés diferenciados e de maior valor agregado também ganha importância para ampliar oportunidades comerciais.

Clima e tecnologia serão decisivos para o futuro do café brasileiro

Em um ambiente de maior variabilidade climática, a produtividade deixa de depender apenas do potencial genético da lavoura e passa a estar diretamente ligada à qualidade do manejo adotado.

Segundo especialistas, investimentos em proteção fitossanitária, monitoramento, tecnologia e boas práticas agrícolas serão fundamentais para reduzir perdas, preservar a produtividade e garantir uma oferta consistente ao mercado internacional.

Com uma cadeia produtiva estruturada e forte presença global, o Brasil continua como protagonista no comércio mundial de café, mas a capacidade de adaptação às mudanças climáticas e às novas exigências dos consumidores será determinante para sustentar essa liderança.

Fonte: Portal do Agronegócio

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