Publicado em: 16/04/2026 às 10:35hs
O manejo nutricional do cafeeiro em sistemas de alta produtividade foi um dos temas centrais da Fenicafé, realizada em Araguari (MG).
Durante o evento, o engenheiro agrônomo e professor Tiago Tezotto destacou os principais desafios relacionados à adubação e reforçou a importância do equilíbrio nutricional para o bom desempenho das lavouras.
Logo no início da apresentação, o especialista chamou a atenção para situações comuns no campo que evidenciam a complexidade do tema.
Segundo ele, nem sempre os resultados das análises de solo refletem diretamente o comportamento das plantas. Casos com altos teores de alumínio, por exemplo, podem coexistir com raízes se desenvolvendo em profundidade.
Esse cenário demonstra a necessidade de uma avaliação mais integrada, considerando a interação entre solo, planta e práticas de manejo.
Um dos principais pontos abordados foi a interpretação equivocada do conceito de excesso na adubação.
De acordo com o professor, o problema não está necessariamente na quantidade de nutrientes aplicada, mas no desequilíbrio entre eles.
Em sistemas de alta produtividade, a demanda nutricional é elevada, exigindo reposição adequada para sustentar o desenvolvimento da planta. A falta de equilíbrio pode comprometer o enfolhamento, o crescimento e a relação entre fonte e dreno, impactando diretamente a produtividade.
Outro desafio relevante destacado foi a dificuldade de mensurar com precisão o total de nutrientes presentes no cafeeiro.
Grande parte desses nutrientes está armazenada em estruturas como caule, ramos e folhas, formando um “estoque oculto” que não é facilmente avaliado nas análises convencionais.
Essa limitação pode reduzir a assertividade das recomendações de adubação no campo.
Para o especialista, o avanço na nutrição do cafeeiro depende diretamente da melhoria dos diagnósticos e da qualidade das recomendações técnicas.
É fundamental compreender o que o solo fornece, o que a planta exporta e o que permanece acumulado ao longo do ciclo produtivo.
Além disso, o professor ressalta que não existe uma fórmula única para todas as regiões. Cada área possui características específicas que devem ser consideradas no manejo nutricional.
A palestra integra a programação técnica da Fenicafé, que reúne especialistas de diversas regiões do país em busca de soluções para uma cafeicultura mais produtiva e sustentável.
O evento segue até o dia 16 de abril no Parque Ministro Rondon Pacheco, consolidando-se como um dos principais encontros técnicos do setor cafeeiro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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