El Niño ameaça produtividade e qualidade do café e exige manejo integrado nas lavouras
Calor intenso e chuvas irregulares podem causar abortamento de flores, queda de folhas e menor enchimento dos grãos; irrigação, manejo cultural e bioinsumos estão entre as estratégias de proteção
Publicado em: 18/09/2026 às 07:00hs
A combinação de temperaturas elevadas, estiagem e chuvas irregulares associada ao El Niño aumenta os riscos para a produção de café. Sensível ao déficit hídrico, a cultura pode sofrer perdas de produtividade e qualidade, especialmente quando a falta de água ocorre em etapas decisivas do desenvolvimento dos frutos.
Diante desse cenário, produtores buscam integrar irrigação, manejo do solo, controle de plantas daninhas e soluções biológicas para melhorar a capacidade de resposta dos cafezais às adversidades climáticas.
Calor e seca afetam o desenvolvimento do cafeeiro
O impacto do El Niño sobre o café varia conforme a intensidade do fenômeno e a fase de desenvolvimento da lavoura. Segundo Renato Costa, engenheiro agrônomo e gerente de marketing da Biotrop, temperaturas elevadas e baixa disponibilidade de água podem comprometer diferentes estruturas da planta.
“Dependendo da época, pode haver abortamento das flores, depauperamento da planta, e tudo isso impacta diretamente na produtividade”, explica.
O especialista acrescenta que o cafeeiro, por ser uma planta arbustiva, pode apresentar secamento dos ramos, queda de folhas e redução do crescimento quando submetido por períodos prolongados ao calor e ao déficit hídrico.
Esses danos diminuem a capacidade fotossintética da planta e podem prejudicar tanto a safra em formação quanto o desempenho produtivo dos ciclos seguintes.
Déficit hídrico pode reduzir peso e qualidade dos grãos
Informações divulgadas pelo Portal da Universidade Federal de Lavras (UFLA) indicam que o excesso de calor e a irregularidade das chuvas podem comprometer o início do ciclo da safra 2026/2027.
Quando a restrição de água ocorre durante a fase de granação, o enchimento dos frutos pode ser prejudicado. Como consequência, os grãos tendem a apresentar menor tamanho, peso reduzido e aumento da catação durante o beneficiamento.
“Com menos matéria seca acumulada, há também menos precursores de sabor, como açúcares, ácidos e compostos aromáticos, para o desenvolvimento das características sensoriais durante a torra”, afirma Costa.
O menor peso individual também afeta o rendimento comercial. Nessa situação, é necessário utilizar uma quantidade maior de frutos para formar uma saca de 60 quilos, elevando o impacto econômico para o cafeicultor.
Manejo integrado amplia resiliência do cafezal
Medidas como irrigação, roçada e manejo cultural ajudam a reduzir os efeitos da seca, mas precisam ser adotadas de maneira integrada. A eficiência da estratégia depende das condições da propriedade, do estágio da cultura e da intensidade do estresse climático.
“O que vai garantir o sucesso da produção é o conjunto de práticas adotadas. Nesse cenário, os bioinsumos são estratégicos porque aumentam a resiliência do cafezal”, ressalta o engenheiro agrônomo.
O objetivo do manejo integrado é favorecer o aproveitamento da água disponível, preservar o sistema radicular e manter o desenvolvimento da planta durante os períodos mais críticos.
Bioinsumos entram na estratégia contra o estresse hídrico
Entre as tecnologias citadas para o manejo do café está o Bioasis Power, desenvolvido pela Biotrop. Conforme a empresa, o ativador microbiológico forma um biofilme ao redor das raízes, contribuindo para manter maior disponibilidade de água nessa região do solo.
De acordo com Costa, a solução também estimula o crescimento radicular, característica que pode ampliar a capacidade da planta de buscar água e nutrientes. A proposta é reduzir os impactos fisiológicos do estresse e favorecer a manutenção da fotossíntese e do potencial produtivo.
Os efeitos apresentados são atribuídos pela companhia ao uso da tecnologia associada às demais práticas de manejo. A aplicação de um produto biológico, isoladamente, não substitui o planejamento agronômico nem as medidas necessárias para conservar água e proteger a lavoura.
Planejamento será decisivo para atravessar o El Niño
A resposta do cafezal ao calor e à estiagem começa antes dos sintomas mais severos. Monitoramento climático, avaliação da umidade do solo, conservação da cobertura vegetal e acompanhamento técnico permitem ajustar o manejo conforme as condições de cada área.
Para o especialista, ferramentas que ajudem a planta a utilizar melhor a água podem complementar os tratos culturais e reduzir os danos nos períodos de maior restrição.
Com a possibilidade de chuvas irregulares no ciclo 2026/2027, o manejo integrado ganha importância para preservar o desenvolvimento dos cafeeiros, proteger o enchimento dos grãos e limitar perdas de rendimento e qualidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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