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Colheita do café arábica atinge 99% no Cerrado Mineiro e florada antecipa atenção para a próxima safra

Rendimento médio chega a 455 litros por saca de 60 quilos, enquanto chuvas, possível influência do El Niño e floração precoce exigem ajustes no manejo dos cafezais


Publicado em: 15/09/2026 às 10:30hs

Colheita do café arábica atinge 99% no Cerrado Mineiro e florada antecipa atenção para a próxima safra
Foto: Guima Café

A colheita do café arábica entrou na reta final no Cerrado Mineiro. Até 11 de setembro, os trabalhos haviam alcançado 99% da área acompanhada pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), com aproximadamente 90% da produção já beneficiada.

O rendimento médio foi estimado em 455 litros de café por saca de 60 quilos beneficiada, resultado considerado um dos melhores dos últimos anos. Na temporada anterior, as operações haviam sido concluídas no mesmo período.

Com a maioria das propriedades monitoradas já fora do campo, o avanço percentual ocorre de maneira mais lenta. Os serviços restantes estão concentrados em áreas pontuais e, principalmente, no recolhimento do café que caiu no chão.

Café de chão representa 30% da produção

Segundo os técnicos da Expocacer, aproximadamente 30% do volume total da safra corresponde ao café que caiu no chão. Desse montante, cerca de 80% já foi recolhido.

A maior participação desse produto também influenciou o índice médio de catação, calculado em aproximadamente 21%. O indicador representa a quantidade de defeitos que precisa ser retirada durante o beneficiamento para adequar a qualidade do lote.

A colheita não foi encerrada na semana anterior devido às chuvas registradas entre 5 e 9 de setembro. A elevada umidade do solo dificultou o tráfego de máquinas e interrompeu temporariamente as operações mecanizadas de recolhimento.

Florada alcança 33% do potencial dos cafezais

Paralelamente à finalização da colheita, os técnicos identificaram uma nova florada no Cerrado Mineiro. A estimativa é que essa primeira abertura corresponda, em média, a 33% do potencial total de floração da região.

Nas lavouras que vieram de carga baixa ou de safra zero, a florada apresentou maior intensidade e uniformidade. Já nas áreas submetidas a cargas produtivas elevadas, a abertura das flores foi menos intensa.

A continuidade das chuvas poderá estimular uma segunda florada, também com potencial para representar cerca de 33% do total. O percentual restante deverá ocorrer entre outubro e novembro, dependendo das condições climáticas.

A distribuição das floradas ao longo de diferentes períodos poderá aumentar a desuniformidade de maturação na próxima safra. Essa situação tende a exigir acompanhamento mais rigoroso dos cafezais e maior planejamento das operações de colheita.

Floração precoce exige antecipação do manejo nutricional

Como as primeiras floradas ocorreram de maneira antecipada, o ciclo fenológico dos cafezais também poderá avançar mais cedo. Diante desse cenário, a Expocacer recomenda que os produtores antecipem o planejamento e a execução do manejo nutricional.

Entre as prioridades estão a distribuição de corretivos e o início das adubações, de forma compatível com o desenvolvimento das plantas e com a disponibilidade de água no solo.

O monitoramento da broca-do-café também deverá ser intensificado. A combinação entre floradas escalonadas e maturação desuniforme pode prolongar a presença de frutos em diferentes estágios, criando condições favoráveis à permanência da praga na lavoura.

Chuvas retornam ao Cerrado Mineiro

A região voltou a registrar volumes significativos de chuva após um período marcado por temperaturas elevadas e baixa disponibilidade hídrica.

Em Patrocínio (MG), o acumulado de setembro chegou a 43,1 milímetros até o dia 11. O volume superou os 35,9 milímetros observados no mesmo intervalo da safra 2025/26.

Outros municípios do Cerrado Mineiro também receberam precipitações expressivas, embora a distribuição tenha ocorrido de forma irregular. Essa variação entre localidades reforça a necessidade de avaliar individualmente as condições de umidade de cada propriedade.

Para os próximos dias, a indicação é de baixos volumes de chuva, mantendo o padrão de irregularidade. As temperaturas também poderão oscilar, alternando períodos mais quentes com momentos de maior nebulosidade e ocorrência de precipitações.

El Niño aumenta incerteza sobre pegamento e granação

Os técnicos da Expocacer avaliam que o comportamento recente do clima pode estar relacionado aos primeiros reflexos do El Niño. Em Patrocínio, situada na porção central do Brasil, os efeitos do fenômeno tendem a ser menos intensos do que em outras regiões do país.

Ainda assim, o cenário poderá favorecer chuvas concentradas em períodos curtos, intercaladas por intervalos secos e temperaturas elevadas. Essa configuração é menos favorável aos cafezais do que precipitações regulares e bem distribuídas.

As principais incertezas estão relacionadas ao pegamento das floradas, à formação dos chumbinhos e à granação dos frutos. Caso ocorram períodos prolongados de calor e restrição hídrica após a abertura das flores, parte do potencial produtivo poderá ser comprometida.

A expectativa é que os possíveis efeitos do El Niño se tornem mais evidentes entre dezembro e janeiro. Por isso, o acompanhamento meteorológico será determinante para ajustar as operações agrícolas, sobretudo o manejo da irrigação e as estratégias destinadas a preservar a disponibilidade de água nos cafezais.

Com a colheita de 2026 praticamente concluída, o foco dos produtores do Cerrado Mineiro já começa a se deslocar para a próxima temporada. A antecipação das floradas, a irregularidade das chuvas e o risco de desuniformidade dos frutos colocam o planejamento agronômico no centro das decisões para preservar a produtividade e a qualidade do café arábica.

Fonte: Portal do Agronegócio

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