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Café solúvel cresce no Brasil e no exterior, mas reforma tributária ameaça competitividade em 2027

Exportações avançam 12,8% e consumo interno sobe 11,9% até agosto; setor projeta recordes em 2026, porém alerta para o fim do crédito presumido de PIS/Cofins


Publicado em: 17/09/2026 às 10:40hs

Café solúvel cresce no Brasil e no exterior, mas reforma tributária ameaça competitividade em 2027

A indústria brasileira de café solúvel mantém ritmo de expansão em 2026, impulsionada pelo crescimento das exportações e do consumo interno. Entre janeiro e agosto, o país embarcou 65,3 mil toneladas do produto, equivalentes a 2,83 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 12,8% sobre igual período de 2025.

No mercado doméstico, o consumo chegou a 19,7 mil toneladas nos oito primeiros meses do ano, avanço de 11,9% na comparação anual. O desempenho amplia a possibilidade de o setor encerrar 2026 com recordes tanto nas vendas externas quanto na demanda brasileira, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Apesar dos resultados positivos, a entidade alerta para o impacto da reforma tributária a partir de 2027. A extinção do crédito presumido de PIS/Cofins sobre a compra de café verde poderá elevar os custos industriais e reduzir a competitividade do produto brasileiro no exterior.

Exportação de café solúvel cresce 24,9% em agosto

Somente em agosto, o Brasil exportou 7,7 mil toneladas de café solúvel, volume correspondente a 333,7 mil sacas de 60 quilos. O resultado superou em 24,9% o registrado no mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a agosto do ano passado, os embarques haviam totalizado 57,9 mil toneladas, ou 2,51 milhões de sacas. Em 2026, o volume aumentou para 65,3 mil toneladas.

De acordo com Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics, o crescimento tem sido consistente. Com exceção de janeiro, todos os meses de 2026 igualaram ou superaram os volumes exportados nos mesmos períodos de 2025. Em junho, a expansão chegou a 38,9%.

União Europeia amplia compras em 44,2%

A União Europeia, principal destino do café solúvel brasileiro quando considerada como bloco econômico, aumentou as importações do produto em 44,2% nos oito primeiros meses de 2026. Os embarques brasileiros para o mercado europeu alcançaram 13,1 mil toneladas.

Segundo a Abics, a entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio, cria condições para ampliar a presença brasileira nos países do bloco.

“A entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a UE abre espaço para ampliarmos ainda mais essa presença”, afirma Lima.

Exportações para os Estados Unidos dão sinal de retomada

Os Estados Unidos continuam como o maior país importador individual do café solúvel brasileiro. No acumulado do ano, entretanto, as exportações para o mercado norte-americano permanecem 6,1% abaixo das registradas no mesmo período de 2025.

O resultado mensal indica uma possível recuperação. Em agosto, primeiro mês completo após a retirada das tarifas adicionais, os embarques aos Estados Unidos cresceram 86,8% na comparação anual.

Para a Abics, a retomada das vendas ao mercado norte-americano, somada ao avanço na União Europeia, pode fortalecer o desempenho das exportações durante o restante do ano.

Consumo de café solúvel cresce 11,9% no Brasil

O mercado interno também apresenta expansão. Entre janeiro e agosto, os brasileiros consumiram 19,7 mil toneladas de café solúvel, aumento de 11,9% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

O crescimento ocorreu nas duas principais categorias acompanhadas pela indústria. O café solúvel spray dried registrou avanço de 11,7%, enquanto o freeze dried, produto de maior valor agregado, cresceu 13,3%.

Na avaliação da entidade, os investimentos da indústria e o lançamento de novos produtos ajudam a ampliar a presença do café solúvel no mercado brasileiro.

“O Brasil tem forte possibilidade de bater recorde tanto em volume exportado quanto no consumo interno de café solúvel”, projeta Lima.

Reforma tributária eleva preocupação para 2027

O cenário favorável de 2026 contrasta com as preocupações da indústria para o próximo ano. A reforma tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023, prevê mudanças que afetam diretamente a estrutura de custos do café solúvel.

Historicamente, o setor utiliza um crédito presumido de PIS/Cofins sobre a aquisição do café verde. O mecanismo foi criado para estimular a industrialização e preservar a competitividade das exportações brasileiras.

O crédito correspondia a 7,4% do valor da matéria-prima. Em 2026, foi reduzido para 6,66% e, de acordo com a Abics, será totalmente extinto em 1º de janeiro de 2027.

Alíquota zero não substitui crédito presumido, diz Abics

O café foi incluído na Cesta Básica Nacional, com alíquota zero para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Segundo a Abics, porém, essa desoneração não produz o mesmo efeito financeiro para a indústria.

A avaliação da entidade é que a alíquota zero dos novos tributos não substitui o crédito presumido utilizado para reduzir o custo de aquisição da matéria-prima. Com o fim do benefício, uma parcela antes compensada tributariamente deverá ser incorporada aos custos de produção.

“Como consequência, a extinção do benefício representará um aumento na estrutura de custos da indústria brasileira de café solúvel, com impactos sobre toda a cadeia produtiva”, afirma Lima.

Setor busca transição ou compensação tributária

A Abics mantém negociações com o governo federal e o Congresso Nacional em busca de alternativas para reduzir os impactos da mudança. Entre as possibilidades defendidas estão mecanismos de transição ou formas de compensação que preservem a competitividade da indústria nacional.

Até o momento, contudo, não há indicação de reversão da medida. Sem uma solução, o custo que atualmente é compensado pelo crédito tributário deverá ser incorporado ao produto final a partir de 2027.

O setor entra, assim, na reta final de 2026 com perspectiva de resultados históricos, mas também com um desafio estrutural para o próximo ano: continuar ampliando sua participação nos mercados interno e externo diante de uma possível elevação dos custos industriais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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