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Café: safra recorde do Brasil em 2026/27 pode ampliar exportações, mas clima, qualidade e El Niño mantêm mercado em alerta

Relatório aponta produção histórica de 71,9 milhões de sacas no Brasil, recuperação da oferta global e janela favorável para comercialização, enquanto atraso da colheita e riscos climáticos sustentam a volatilidade dos preços.


Publicado em: 31/07/2026 às 10:30hs

Café: safra recorde do Brasil em 2026/27 pode ampliar exportações, mas clima, qualidade e El Niño mantêm mercado em alerta

O mercado global de café segue dividido entre dois cenários distintos: no curto prazo, preocupações com o atraso da colheita, a qualidade dos grãos e os riscos climáticos continuam sustentando preços elevados; no médio e longo prazo, a expectativa é de uma safra recorde brasileira em 2026/27, capaz de ampliar a oferta mundial, recompor estoques e aumentar significativamente as exportações.

A avaliação consta em relatório da Consultoria Agro Itaú BBA, que destaca que a combinação entre oferta crescente e incertezas climáticas deve manter a volatilidade das cotações internacionais ao longo dos próximos meses.

Chuvas atrasam colheita e elevam preocupação com a qualidade do café

A colheita da safra 2026/27 começou em maio, porém o excesso de chuvas registrado principalmente durante junho reduziu o ritmo dos trabalhos em importantes regiões produtoras, como Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Mogiana.

Além de retardar a secagem e o beneficiamento dos grãos, as precipitações provocaram queda de frutos ao solo, aumentando as dúvidas sobre a qualidade do café arábica disponível nesta temporada.

Esse cenário alterou rapidamente a percepção do mercado. A expectativa inicial de entrada acelerada da nova safra deu lugar às preocupações com a disponibilidade física do produto e com seu padrão de qualidade, fatores que impulsionaram as cotações nas bolsas internacionais.

Bolsa de Nova York reage com forte alta

As incertezas relacionadas à oferta física e ao risco climático provocaram forte valorização dos contratos futuros de café.

Em um único pregão de julho, o contrato do café arábica negociado na Bolsa de Nova York avançou cerca de 16%, atingindo aproximadamente 350 cents de dólar por libra-peso, movimento impulsionado também pela atuação de fundos de investimento e ajustes técnicos no mercado.

Posteriormente, parte dos ganhos foi devolvida, mas as cotações permaneceram em níveis elevados diante do atraso da colheita, do dólar mais fraco e das preocupações com a oferta de cafés de melhor qualidade.

Brasil caminha para safra histórica de 71,9 milhões de sacas

Apesar dos desafios enfrentados durante a colheita, as perspectivas para a produção brasileira permanecem extremamente positivas.

Segundo as estimativas apresentadas no relatório, o Brasil deverá colher 71,9 milhões de sacas de café em 2026/27, crescimento de 14,1% em relação ao ciclo anterior e novo recorde histórico para o país.

A recuperação será liderada pelo café arábica, favorecido pela bienalidade positiva, pelas melhores condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras e pela expansão da produção em novas áreas.

A produção de arábica está estimada em 47,5 milhões de sacas, enquanto o robusta (conilon) deverá alcançar 24,4 milhões de sacas.

Oferta mundial deve crescer e recompor estoques

O aumento da produção brasileira também impulsiona a recuperação da oferta global de café.

As primeiras projeções consolidadas indicam produção mundial de aproximadamente 190 milhões de sacas, avanço de 6,1% frente à safra anterior.

Além do Brasil, países como Vietnã, Colômbia e Etiópia também deverão ampliar sua produção.

Com consumo global estimado em cerca de 180 milhões de sacas, o mercado poderá registrar superávit próximo de 10 milhões de sacas, favorecendo a recomposição gradual dos estoques internacionais após anos de maior restrição na oferta.

Exportações brasileiras devem crescer quase 30%

Com maior disponibilidade de café, o Brasil tende a reforçar sua liderança no comércio internacional.

As exportações brasileiras de café verde são projetadas em 49,4 milhões de sacas, crescimento de aproximadamente 29,6% sobre a temporada anterior.

Ao mesmo tempo, os estoques internos deverão aumentar, proporcionando maior equilíbrio entre oferta e demanda e reduzindo parte das restrições enfrentadas pelo mercado nos últimos ciclos.

El Niño segue como principal fator de risco

Mesmo diante da perspectiva de uma safra recorde, o mercado permanece atento às condições climáticas.

A possibilidade de atuação de um El Niño mais intenso no segundo semestre aumenta as incertezas para a safra 2027/28, especialmente em relação às floradas e ao potencial produtivo das lavouras.

Temperaturas elevadas e alterações no regime de chuvas podem comprometer o desenvolvimento das próximas safras, mantendo um prêmio climático incorporado aos preços internacionais.

Comercialização antecipada ganha importância

Com preços ainda elevados e margens consideradas positivas, o relatório destaca que o momento é favorável para que os produtores avancem na comercialização da safra e adotem estratégias de proteção contra a volatilidade do mercado.

Além das boas perspectivas de preços, as relações de troca com fertilizantes permanecem historicamente atrativas, favorecendo o planejamento dos custos de produção para os próximos ciclos.

Segundo a análise, instrumentos de hedge podem contribuir para preservar margens em um ambiente marcado por elevada volatilidade e mudanças rápidas nas expectativas do mercado.

Mercado seguirá dividido entre oferta crescente e riscos climáticos

Embora a recuperação da produção brasileira e mundial aponte para um cenário de maior disponibilidade de café ao longo de 2027, o mercado ainda convive com fatores que sustentam a volatilidade.

A qualidade da safra atualmente colhida, o ritmo de entrada do café novo no mercado, o comportamento das exportações e a evolução do clima continuarão sendo determinantes para a formação dos preços nos próximos meses.

Enquanto a expectativa estrutural é de aumento da oferta, as incertezas relacionadas ao El Niño e ao comportamento da próxima safra mantêm produtores, exportadores e investidores atentos aos desdobramentos do mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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