Café cai em Nova York e arábica testa nível abaixo de 280 cents; robusta tenta reação
Dólar valorizado no Brasil e perspectivas de maior oferta pressionam cotações, enquanto estoques certificados de arábica seguem próximos da mínima de 27 anos
Publicado em: 04/11/2026 às 11:53hs
Os preços do café arábica ampliaram as perdas na manhã desta quarta-feira (4), na Bolsa de Nova York, após a forte desvalorização da sessão anterior. O contrato dezembro/26 chegou a operar abaixo de 280 cents por libra-peso, em um mercado dividido entre estoques certificados reduzidos e expectativas de recuperação da oferta mundial. Em Londres, o robusta apresentava uma reação discreta.
O comportamento do câmbio brasileiro também permanece no radar. A valorização do dólar frente ao real favorece a competitividade das exportações nacionais e foi apontada por analistas como um dos fatores de pressão sobre as cotações internacionais na terça-feira.
Arábica amplia queda após sessão de forte volatilidade
Por volta das 8h36, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 era negociado a 280,40 cents de dólar por libra-peso na ICE Futures US, queda de 3,55 cents, ou 1,25%.
Março/27 recuava 2,60 cents, para 272,00 cents, enquanto maio/27 perdia 2,55 cents, cotado a 268,40 cents. Julho/27 registrava baixa de 2,75 cents, negociado a 265,65 cents por libra-peso.
Durante a manhã, dezembro/26 chegou a 277,65 cents, abaixo da mínima da terça-feira, antes de recuperar parte das perdas.
O movimento dá continuidade à queda do pregão anterior. Na terça-feira (3), o contrato dezembro/26 encerrou a 283,95 cents, recuo de 8,15 cents, ou aproximadamente 2,8%. Março/27 caiu 5,95 cents, para 274,60 cents, desvalorização de cerca de 2,1%.
A sessão foi marcada por ampla oscilação: dezembro/26 chegou a alcançar 297,35 cents, mas perdeu força e terminou próximo dos menores níveis do dia.
Robusta registra recuperação limitada em Londres
Na ICE Futures Europe, os contratos de robusta apresentavam pequenas altas na manhã desta quarta-feira.
Janeiro/27 avançava US$ 4, ou 0,12%, para US$ 3.214 por tonelada. Março/27 ganhava US$ 6, negociado a US$ 3.196, enquanto maio/27 subia US$ 5, para US$ 3.189. Julho/27 tinha valorização de US$ 1, cotado a US$ 3.176 por tonelada.
Os ganhos recuperavam apenas parte das perdas da terça-feira, quando janeiro/27 fechou a US$ 3.210 por tonelada, com baixa de 0,96%.
A diferença entre as bolsas mostra uma reação ainda restrita do robusta, enquanto o arábica continuava pressionado.
Estoques certificados de arábica recuam a 220 mil sacas
A disponibilidade de café apto à entrega nos contratos futuros segue como um dos principais fundamentos de sustentação do arábica.
Segundo dados da ICE repercutidos pelo Barchart, os estoques certificados em Nova York caíram para 220.379 sacas na terça-feira, permanecendo próximos da mínima de 27 anos registrada em setembro.
Ao mesmo tempo, o volume de café brasileiro aguardando classificação nos armazéns credenciados chegou a 55.396 sacas. Esses lotes poderão ser incorporados aos estoques certificados caso sejam aprovados nas avaliações exigidas pela bolsa.
Assim, o mercado acompanha tanto a disponibilidade imediata restrita quanto a possibilidade de recomposição dos estoques. O café pendente de classificação ainda não integra o volume certificado.
Colheita do Vietnã e próximas safras influenciam oferta
Em Londres, os estoques de robusta permanecem próximos dos maiores níveis em 15 meses. O avanço da colheita no Vietnã também reforça a expectativa de entrada de novos volumes no mercado internacional.
No Brasil, a atenção se concentra na regularidade das chuvas e no desenvolvimento das lavouras da próxima safra. As perspectivas de maior produção influenciam as projeções de abastecimento, mas dependem da evolução das condições no campo.
Em relatório recente, o Rabobank destacou que a recuperação da oferta no Brasil, no Vietnã e na Indonésia pode contribuir para recompor os estoques globais. A instituição ressaltou, contudo, que ainda há incertezas sobre o desempenho das próximas safras.
Dólar altera competitividade do café brasileiro
A alta do dólar diante do real pode melhorar a receita em moeda nacional das exportações e criar condições para negociações mesmo com preços menores nas bolsas.
Esse mecanismo ajuda a explicar a influência do câmbio sobre o mercado internacional, mas não confirma, por si só, um aumento efetivo das vendas brasileiras nesta quarta-feira.
Para o cafeicultor, o resultado da comercialização depende da combinação entre cotação internacional, câmbio e preços praticados no mercado físico.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas na terça-feira, o trader Fabiano Teixeira Odebrecht avaliou que a disponibilidade internacional reduzida ainda pode sustentar as cotações, especialmente se surgirem dificuldades nas próximas safras. O especialista também destacou oportunidades comerciais nos níveis atuais e defendeu o acompanhamento de vendas escalonadas.
Com a continuidade das perdas em Nova York, estoques certificados, clima nas origens produtoras e comportamento cambial seguem determinantes para os próximos movimentos do mercado do café.
Fonte: Portal do Agronegócio
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