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Café cai abaixo de 300 centavos em Nova York e recuo do dólar pressiona preços no Brasil

Arábica dezembro opera a 293,70 centavos por libra-peso; na véspera, alta do câmbio elevou cotações nas praças brasileiras, enquanto exportações avançaram 35,5% em volume diário em outubro.


Publicado em: 27/10/2026 às 11:20hs

Café cai abaixo de 300 centavos em Nova York e recuo do dólar pressiona preços no Brasil

O mercado brasileiro de café pode registrar preços mais baixos nesta terça-feira (27), pressionado pela queda dos contratos do arábica na Bolsa de Nova York e pelo recuo do dólar frente ao real. A combinação tende a manter os produtores cautelosos, à espera de condições mais favoráveis para negociar.

O cenário contrasta com o da segunda-feira (26), quando a forte valorização da moeda americana elevou as referências do café físico no Brasil, apesar das perdas nas bolsas internacionais. A volatilidade, porém, limitou o ritmo dos negócios.

Nas exportações, o país embarcou 3,83 milhões de sacas de café em grão nos primeiros 16 dias úteis de outubro. A média diária superou em 35,5% a registrada no mesmo mês de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Café arábica volta a operar abaixo de 300 centavos em Nova York

No registro informado para esta terça-feira, o contrato de café arábica com vencimento em dezembro de 2026 operava a 293,70 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2,40% na Bolsa de Nova York.

O valor voltou a ficar abaixo da marca de 300 centavos, referência acompanhada pelos agentes do mercado. Na segunda-feira, o mesmo vencimento chegou a atingir a mínima de 294,90 centavos durante o pregão, mas recuperou parte das perdas e encerrou a sessão acima daquele patamar.

O fechamento de segunda-feira foi de 300,95 centavos por libra-peso, recuo de 6,50 centavos, ou 2,1%. Já o contrato março/2027 terminou a 285,20 centavos, baixa de 8,20 centavos, equivalente a 2,8%.

A reação durante o pregão ocorreu com cobertura de posições vendidas. Os estoques certificados reduzidos em Nova York e as preocupações com possíveis efeitos do El Niño em países produtores também ajudaram a limitar as perdas.

Dólar muda direção após impulsionar preços do café na segunda-feira

Na segunda-feira, a forte alta do dólar frente ao real após a eleição presidencial contribuiu para pressionar os contratos futuros do café. A moeda americana mais valorizada pode estimular as exportações brasileiras ao elevar, em reais, a receita obtida com as vendas externas.

Ao mesmo tempo, o câmbio sustentou as referências no mercado físico brasileiro, mesmo com as quedas do arábica em Nova York e do robusta em Londres.

Nesta terça-feira, o registro cambial informado mostrava o dólar comercial em queda de 1,01%, a R$ 5,3527. Com a moeda e os futuros do arábica em baixa, a expectativa era de pressão sobre os preços internos e de maior retração dos vendedores.

As cotações do dólar e da bolsa representam os momentos registrados nos levantamentos e podem variar ao longo do dia.

Preço do café arábica subiu nas praças de Minas Gerais

Apesar da lentidão das negociações, as principais referências do café arábica avançaram em Minas Gerais na segunda-feira.

No Sul de Minas, o café bebida boa, com 15% de catação, foi indicado entre R$ 1.730 e R$ 1.735 por saca, ante R$ 1.680 a R$ 1.685 na referência anterior.

No Cerrado mineiro, o arábica bebida dura, também com 15% de catação, passou para R$ 1.740 a R$ 1.745 por saca, frente aos R$ 1.690 a R$ 1.695 anteriores.

Na Zona da Mata, o arábica rio tipo 7 da safra 2026, com 20% de catação, ficou entre R$ 1.180 e R$ 1.185 por saca, ante R$ 1.150 a R$ 1.155.

Café conilon também avançou no Espírito Santo

Em Vitória, no Espírito Santo, o conilon tipo 7 foi cotado entre R$ 960 e R$ 965 por saca, acima dos R$ 940 a R$ 945 registrados anteriormente.

O conilon tipo 7/8 passou para R$ 950 a R$ 955 por saca, ante R$ 940 a R$ 945.

As referências variam conforme a classificação e as condições de negociação. A continuidade das altas dependerá, entre outros fatores, da evolução do câmbio e dos preços internacionais.

Exportações de café crescem 35,5% em volume diário

As exportações brasileiras de café em grão somaram 3.828.567 sacas de 60 quilos nos primeiros 16 dias úteis de outubro de 2026. A receita alcançou US$ 1,279 bilhão, segundo a Secex.

A média diária embarcada foi de 239.285 sacas, volume 35,5% superior ao registrado em outubro de 2025. O faturamento médio por dia útil chegou a US$ 79,927 milhões, alta de 15,6% na mesma comparação.

O avanço da receita diária foi menor que o do volume porque o preço médio de exportação recuou. A referência ficou em US$ 334,02 por saca, queda de 14,7% frente a outubro do ano passado.

Volatilidade mantém produtores cautelosos

A oscilação simultânea do câmbio e das bolsas dificulta a formação das referências no mercado brasileiro. Na segunda-feira, o dólar compensou as perdas externas e elevou os preços em reais; nesta terça-feira, a queda dos dois indicadores apontava para o movimento inverso.

Com isso, os produtores tendem a acompanhar a evolução das cotações antes de ampliar as vendas. No mercado internacional, os estoques certificados e as condições climáticas nos países cafeeiros seguem entre os fatores que podem influenciar os próximos negócios.

Fonte: Portal do Agronegócio

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