Café cai 2,94% em Nova York, e dólar em alta limita pressão sobre preços no Brasil
Arábica para dezembro recua a 306,85 cents por libra-peso nesta quinta-feira (22); movimentos opostos da bolsa e do câmbio devem manter produtores cautelosos e negócios restritos
Publicado em: 22/10/2026 às 11:21hs
O mercado brasileiro de café deve registrar negociações limitadas nesta quinta-feira (22), diante da queda dos contratos futuros do arábica em Nova York e da valorização do dólar frente ao real. Enquanto a baixa internacional pressiona as referências domésticas, o câmbio oferece sustentação aos preços vinculados às exportações.
No recorte de mercado apresentado nesta manhã, o contrato dezembro de 2026 caía 2,94% na ICE Futures US, a 306,85 centavos de dólar por libra-peso. O dólar comercial, por sua vez, avançava 0,46%, cotado a R$ 5,0490.
A combinação tende a aumentar a cautela dos produtores, que podem aguardar condições mais favoráveis para ampliar as vendas. O resultado sobre as cotações brasileiras dependerá da intensidade e da continuidade desses movimentos ao longo da sessão.
Arábica devolve ganhos após valorização na quarta-feira
A queda em Nova York ocorre depois de uma sessão positiva para o café arábica. Na quarta-feira (21), o vencimento dezembro de 2026 encerrou a 316,15 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 4,85 centavos, ou 1,55%.
Na referência desta quinta-feira, o contrato perdia 9,30 centavos em relação ao fechamento anterior, devolvendo os ganhos da véspera.
Para o mercado físico brasileiro, a baixa externa reduz o suporte vindo da bolsa. A valorização do dólar atua na direção contrária, ao melhorar a conversão em reais dos preços internacionais, embora não assegure compensação integral da queda em Nova York.
Negócios de café ganharam ritmo no Brasil na véspera
Na quarta-feira, a comercialização doméstica apresentou maior movimentação, com transações de pequenos volumes em diferentes regiões produtoras e praças comerciais, segundo a Safras & Mercado.
Os preços do arábica tiveram altas moderadas em Minas Gerais. No Espírito Santo, as referências do conilon permaneceram estáveis.
Confira as referências do café no mercado físico
Os valores abaixo correspondem às indicações da quarta-feira (21), por saca de 60 quilos:
- Sul de Minas Gerais: arábica bebida boa, com 15% de catação, entre R$ 1.720 e R$ 1.725, ante R$ 1.710 a R$ 1.715 anteriormente;
- Cerrado Mineiro: arábica bebida dura, com 15% de catação, entre R$ 1.730 e R$ 1.735, contra R$ 1.720 a R$ 1.725;
- Zona da Mata mineira: arábica bebida rio, tipo 7, safra 2026, com 20% de catação, entre R$ 1.180 e R$ 1.185, frente a R$ 1.170 a R$ 1.175;
- Vitória (ES): conilon tipo 7 entre R$ 960 e R$ 965, sem alteração;
- Vitória (ES): conilon tipo 7/8 entre R$ 950 e R$ 955, também estável.
As referências mineiras avançaram R$ 10 por saca nos limites das faixas informadas, enquanto o conilon manteve as indicações anteriores.
Estoques certificados da ICE aumentam para 239,7 mil sacas
Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da Bolsa de Nova York somaram 239.748 sacas de 60 quilos em 21 de outubro, conforme os dados da ICE Futures.
O volume representa aumento de 4.847 sacas em relação ao dia anterior.
O indicador integra o acompanhamento da disponibilidade de café certificado para entrega na bolsa e permanece entre as variáveis observadas pelos participantes do mercado futuro.
Bolsas em queda e petróleo em alta compõem cenário externo
A sessão também apresenta perdas nos mercados acionários internacionais. Na Ásia, a Bolsa de Xangai encerrou em queda de 1,48%, enquanto o mercado japonês recuou aproximadamente 2,7%.
Na Europa, as referências apresentadas apontavam baixas de 1,20% em Paris, 0,83% em Frankfurt e 0,33% em Londres.
O petróleo seguia na direção oposta: o WTI para dezembro avançava 2,32%, a US$ 99,41 por barril. Já o Dollar Index, que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas, tinha leve alta de 0,01%, aos 101,79 pontos.
Para a comercialização do café brasileiro, o comportamento conjunto de Nova York e do dólar continua no centro das atenções. A queda do arábica e a valorização cambial dificultam a definição de uma direção única para os preços domésticos e podem restringir o fechamento de novos negócios.
Fonte: Portal do Agronegócio
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