Café brasileiro fortalece rastreabilidade e direitos humanos para atender exigências da União Europeia e ampliar exportações
Cecafé destaca avanços em monitoramento socioambiental, devida diligência e boas práticas trabalhistas durante evento internacional sobre direitos humanos e empresas em São Paulo.
Publicado em: 06/08/2026 às 10:10hs
O setor cafeeiro brasileiro reforçou seu compromisso com a sustentabilidade, a rastreabilidade e a proteção dos direitos humanos como pilares estratégicos para manter a competitividade nos mercados internacionais. Durante o I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (DH&E Brasil 2026), realizado nesta terça-feira (4), em São Paulo (SP), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apresentou os avanços do segmento na implementação de mecanismos de monitoramento socioambiental e de devida diligência para atender às crescentes exigências regulatórias globais, especialmente da União Europeia.
O evento reuniu representantes do setor privado, poder público, organismos internacionais, academia e sociedade civil para discutir o papel das empresas na promoção dos direitos humanos e na construção de cadeias produtivas mais sustentáveis, transparentes e resilientes.
Rastreabilidade do café ganha protagonismo no mercado internacional
Durante sua apresentação, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, destacou que a cafeicultura brasileira vem ampliando significativamente os sistemas de rastreabilidade para garantir maior transparência em toda a cadeia produtiva.
Segundo ele, a principal iniciativa é a Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil, lançada em 2023, que reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo brasileiro para verificar critérios ambientais, fundiários, trabalhistas e sociais.
A ferramenta permite rastrear o café até o polígono da propriedade produtora, cruzando informações sobre Cadastro Ambiental Rural (CAR), cumprimento do Código Florestal, regularidade fundiária, ausência de desmatamento, áreas protegidas, embargos ambientais e conformidade com a legislação trabalhista.
Além disso, a plataforma gera documentação auditável capaz de comprovar a conformidade socioambiental dos embarques destinados aos principais mercados consumidores.
Regulamento europeu acelera adequações da cadeia produtiva
Os investimentos em rastreabilidade respondem diretamente às novas exigências do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que impõe critérios rigorosos para a entrada de produtos agrícolas no bloco europeu.
De acordo com Marcos Matos, o setor brasileiro vem se antecipando às exigências internacionais ao desenvolver mecanismos que proporcionam maior segurança jurídica, transparência e confiabilidade para importadores e compradores internacionais.
"O Brasil possui bases públicas robustas que permitem comprovar a origem e a conformidade socioambiental do café de maneira eficiente, reduzindo custos e aumentando a credibilidade das exportações", destacou.
Capacitação fortalece boas práticas trabalhistas na cafeicultura
Além do monitoramento ambiental, o Cecafé também ressaltou o fortalecimento das ações voltadas às relações de trabalho no campo.
Entre os principais programas apresentados está o Programa Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com auditores e autoridades do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Somente em 2026, mais de 600 multiplicadores técnicos foram capacitados para disseminar boas práticas trabalhistas entre produtores rurais e trabalhadores da cafeicultura brasileira.
Outra iniciativa destacada foi a atuação da Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura, que reúne representantes do setor produtivo, trabalhadores e órgãos públicos para promover melhorias contínuas nas condições de trabalho.
Fiscalizações apontam elevado índice de conformidade
Durante o encontro, Marcos Matos informou que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura brasileira identificam propriedades em conformidade com a legislação trabalhista e os padrões de proteção aos direitos humanos.
Segundo o diretor-geral do Cecafé, esse resultado demonstra a evolução das práticas adotadas pelo setor e reforça a importância da combinação entre fiscalização pública, monitoramento permanente, dados oficiais e ações preventivas.
Para a entidade, esse conjunto de ferramentas fortalece os processos de devida diligência exigidos pelos mercados internacionais e amplia a confiança dos compradores no café brasileiro.
Cecafé defende simplificação da devida diligência
O Cecafé também defendeu que importadores utilizem prioritariamente as informações já disponíveis nas bases oficiais brasileiras, evitando a criação de exigências adicionais que aumentem a burocracia ao longo da cadeia exportadora.
Segundo a entidade, o cruzamento de notas fiscais eletrônicas com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural, informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e fiscalizações trabalhistas permite identificar com precisão a origem do café e reunir todas as evidências necessárias em um relatório consolidado de conformidade socioambiental.
Na avaliação do Conselho, esse modelo torna os processos de devida diligência mais eficientes, reduz custos operacionais e acelera o fluxo das exportações sem comprometer a segurança jurídica exigida pelos mercados internacionais.
Sustentabilidade amplia competitividade do café brasileiro
Com a crescente pressão regulatória global e consumidores cada vez mais atentos às práticas ambientais e sociais das cadeias produtivas, o setor cafeeiro brasileiro busca consolidar sua posição como referência mundial em sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental.
Os investimentos em tecnologia, monitoramento e qualificação da cadeia produtiva reforçam a competitividade do café brasileiro no comércio internacional e colocam o país em posição estratégica para atender às novas exigências dos principais mercados compradores, mantendo sua liderança global nas exportações da commodity.
Fonte: Portal do Agronegócio
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