Café brasileiro enfrenta pressão das chuvas na colheita e mercado monitora qualidade dos grãos e preços internacionais
Precipitações durante a safra 2026/27 atrasam operações, ameaçam qualidade da bebida e aumentam a volatilidade das cotações do café arábica e robusta nas bolsas globais.
Publicado em: 29/07/2026 às 11:20hs
A colheita do café brasileiro entra na reta final sob forte atenção do mercado devido ao impacto das chuvas nas principais regiões produtoras. As precipitações registradas durante o período de retirada dos grãos do campo têm elevado os riscos de perda de qualidade, especialmente na bebida do café arábica, enquanto as bolsas internacionais acompanham de perto a evolução da safra 2026/27, os estoques globais e as condições climáticas.
Segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), cerca de 30% da safra de café arábica ainda permanecia pendente de colheita, aumentando a preocupação com possíveis danos causados pela umidade excessiva.
O cenário é mais desafiador em áreas onde grande parte das chuvas de julho ocorreu nos últimos dias, justamente quando os trabalhos de campo avançam para as etapas finais, incluindo a varrição — processo de recolhimento dos frutos que caíram naturalmente no solo.
Chuvas durante a colheita elevam risco de perda de qualidade do café
Pesquisadores do Cepea destacam que os frutos que permaneceram no chão por mais tempo ficaram mais expostos às condições úmidas, aumentando a possibilidade de fermentações indesejadas, perda de qualidade sensorial e redução do valor comercial dos lotes.
Apesar das preocupações, o impacto definitivo das chuvas ainda depende da avaliação dos cafés após o beneficiamento, classificação e comercialização.
A qualidade da bebida será um dos principais fatores observados pelos compradores, já que alterações provocadas pelo excesso de umidade podem influenciar diretamente a remuneração recebida pelos produtores.
Além disso, o atraso em algumas operações reduz a velocidade de entrada dos cafés no mercado, criando incertezas sobre o fluxo de oferta no curto prazo.
Colheita brasileira avança, mas ritmo segue abaixo de anos anteriores
O avanço da colheita continua sendo acompanhado pelos agentes do mercado. Na região de atuação da Cooxupé, uma das maiores cooperativas de café do mundo, os trabalhos já alcançaram 58,3% da safra, indicando aceleração das atividades nas últimas semanas.
Mesmo com a evolução das operações, o ritmo ainda é considerado inferior ao observado em temporadas anteriores, principalmente devido aos atrasos provocados pelas chuvas registradas desde junho.
O mercado avalia, de um lado, a expectativa de uma produção brasileira mais elevada e, de outro, os riscos relacionados à qualidade dos grãos e às condições climáticas durante o encerramento da safra.
Café arábica sobe nas bolsas internacionais com atenção ao clima
O mercado futuro do café iniciou os negócios desta quarta-feira com movimentos distintos entre as principais bolsas internacionais.
Na ICE Futures US, em Nova York, o café arábica registrou leve valorização, enquanto o robusta apresentou recuo na ICE Europe, em Londres.
Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o contrato setembro/2026 do café arábica era negociado a 340,20 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 80 pontos. O vencimento dezembro/2026 estava cotado a 316,80 cents/lb, com queda de 50 pontos, enquanto março/2027 era negociado a 307,80 cents/lb, recuo de 160 pontos.
No mercado de robusta, o contrato setembro/2026 era negociado a US$ 3.805 por tonelada, com baixa de US$ 72. O vencimento novembro/2026 recuava US$ 77, para US$ 3.782 por tonelada, enquanto janeiro/2027 estava cotado a US$ 3.754 por tonelada, queda de US$ 70.
Estoques reduzidos em Nova York sustentam valorização do café
Além das condições climáticas no Brasil, a redução dos estoques certificados da Bolsa de Nova York tem contribuído para a sustentação das cotações internacionais.
Os estoques certificados chegaram aos menores níveis desde fevereiro de 2024, com redução registrada no fim de julho, movimento que reforçou a percepção de menor disponibilidade de café no curto prazo.
O cenário mantém o mercado sensível a novas informações sobre oferta, qualidade dos grãos e ritmo de comercialização.
Mesmo diante da expectativa de uma safra brasileira robusta, os estoques globais ainda permanecem relativamente ajustados, fazendo com que qualquer alteração nas projeções de produção ou qualidade tenha impacto imediato sobre os preços.
Mercado acompanha clima no Brasil e riscos globais de oferta
Outro ponto de atenção dos participantes do mercado é o comportamento climático nas principais regiões produtoras do mundo.
As preocupações com eventos climáticos, incluindo os possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre diferentes países produtores, seguem como fator de influência sobre as perspectivas futuras de oferta.
No Brasil, embora existam períodos favoráveis para a continuidade da colheita, a persistência da umidade mantém o alerta sobre a qualidade dos cafés que ainda serão retirados do campo.
Qualidade da safra será determinante para produtores e mercado
O desempenho comercial do café brasileiro na temporada 2026/27 dependerá não apenas do volume produzido, mas também da qualidade dos grãos entregues ao mercado.
Enquanto os produtores trabalham para concluir a colheita e reduzir perdas, compradores e investidores acompanham indicadores de qualidade, estoques internacionais e condições climáticas.
O equilíbrio entre uma possível recuperação da oferta brasileira e os riscos de perda de qualidade mantém o mercado de café em cenário de alta volatilidade, com clima e produtividade permanecendo como os principais direcionadores das cotações globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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