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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo enfrenta novas incertezas globais com tensões no Mar Negro e oferta restrita nos principais mercados

Conflitos na região exportadora, menor produção nos Estados Unidos e na Europa e preços elevados no Brasil aumentam a volatilidade do mercado de trigo e pressionam compradores e indústrias.


Publicado em: 29/07/2026 às 11:50hs

Trigo enfrenta novas incertezas globais com tensões no Mar Negro e oferta restrita nos principais mercados
Foto: Ricardo Maia

Mercado de trigo fica mais volátil com riscos no Mar Negro e redução da oferta internacional

O mercado global de trigo voltou ao radar dos investidores e compradores diante do aumento das tensões geopolíticas no Mar Negro, região estratégica para o comércio mundial de grãos. A possibilidade de impactos sobre a logística de exportação da Rússia e da Ucrânia ocorre em um momento de menor conforto na oferta internacional, ampliando as incertezas sobre preços e disponibilidade do cereal.

O cenário preocupa porque o Mar Negro concentra uma das principais rotas de embarque de trigo do mundo. Qualquer restrição ao transporte marítimo, aumento nos custos de seguro e frete ou elevação dos riscos operacionais pode afetar diretamente o fluxo de exportações e provocar maior volatilidade nas cotações internacionais.

Segundo análise do Itaú BBA, o mercado acompanha especialmente os movimentos no Mar de Azov, corredor relevante para os embarques russos de trigo. A região tem papel estratégico na movimentação dos grãos e eventuais dificuldades logísticas podem alterar a dinâmica de oferta global.

Menor produção nos Estados Unidos e Europa reduz conforto dos estoques

Além dos fatores geopolíticos, o mercado internacional enfrenta desafios relacionados à produção nos principais países exportadores.

Nos Estados Unidos, a safra de trigo de inverno sofreu impactos significativos devido às condições climáticas adversas, especialmente a seca durante o desenvolvimento das lavouras. As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam uma das menores colheitas desde a década de 1970, estimada em aproximadamente 42 milhões de toneladas.

Apesar da recuperação observada recentemente nas condições do trigo de primavera, a melhora não foi suficiente para compensar totalmente as perdas registradas na produção de inverno, mantendo os estoques finais sob pressão.

Na União Europeia, o quadro também apresentou deterioração ao longo da temporada. Ondas de calor atingiram importantes regiões produtoras e reduziram o potencial produtivo do bloco.

Países como França, Alemanha, Espanha e nações do Leste Europeu registraram perdas de produtividade, levando a revisões negativas para a safra e reduzindo a expectativa de exportação europeia.

Mercado brasileiro opera com oferta limitada e preços elevados

No Brasil, o mercado de trigo segue marcado por oferta restrita, negócios pontuais e pressão sobre os custos da indústria moageira.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o cenário apresenta diferenças regionais, com estabilidade no Rio Grande do Sul, escassez em Santa Catarina e novas pressões de alta no Paraná.

Rio Grande do Sul mantém negócios pontuais

No Rio Grande do Sul, foram registrados negócios para retirada em agosto e pagamento em setembro, com valores médios próximos de R$ 1.300 por tonelada no interior.

Para trigo melhorador, as referências chegaram a aproximadamente R$ 1.350 por tonelada, enquanto o produto de boa qualidade alcançou até R$ 1.460 CIF moinho. O trigo convencional ficou próximo de R$ 1.380 por tonelada.

O trigo argentino nacionalizado também apresentou valorização, chegando a US$ 292 por tonelada em Canoas, alta de 6,2%. Moinhos ainda relataram preocupação com níveis elevados de DON em parte dos estoques remanescentes.

No mercado de balcão, em Panambi, a referência recuou para cerca de R$ 69 por saca.

Santa Catarina enfrenta baixa disponibilidade

Em Santa Catarina, a oferta estadual praticamente chegou ao fim. O último negócio registrado ocorreu próximo de R$ 1.350 por tonelada FOB, mais frete.

O trigo proveniente do Rio Grande do Sul foi indicado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, considerando custos adicionais de transporte e ICMS.

O mercado de farinhas permanece com baixa liquidez, mesmo após reajustes próximos de 5%, levando moinhos a reduzirem o ritmo de moagem e alongarem estoques como estratégia diante dos custos elevados.

Paraná registra pressão sobre margens da indústria

No Paraná, os preços acima de R$ 1.400 por tonelada continuam pressionando as margens das indústrias de farinha.

Negociações foram reportadas próximas de R$ 1.450 CIF moinho na região de Curitiba, com valores semelhantes nos Campos Gerais. No Norte do estado, as indicações chegaram a variar entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada.

O trigo argentino com 11% de proteína foi ofertado a aproximadamente US$ 310 por tonelada em Paranaguá, avanço de 6,16%.

Para a próxima safra brasileira, as expectativas de comercialização ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, mas sem grande volume de negócios, diante da postura mais retraída dos vendedores e das preocupações relacionadas ao fenômeno El Niño.

Perspectivas indicam mercado atento ao clima e à geopolítica

O mercado de trigo entra em uma fase de maior sensibilidade, combinando fatores externos e internos que podem influenciar preços nos próximos meses.

No cenário internacional, a evolução das tensões no Mar Negro, o comportamento da produção nos grandes exportadores e a recomposição dos estoques serão determinantes para a formação das cotações.

No Brasil, além da disponibilidade interna, compradores e produtores acompanham as condições climáticas para a próxima safra, especialmente diante dos riscos associados ao El Niño.

Com oferta global mais ajustada e custos elevados para a indústria, o trigo permanece como uma das commodities agrícolas mais monitoradas pelo mercado, exigindo atenção de produtores, moinhos e consumidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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