Café arábica tenta reação em Nova York, mas oferta brasileira limita alta
Contratos avançam moderadamente após fortes perdas, enquanto exportações do Brasil, floradas da nova safra e possível recomposição dos estoques da ICE mantêm pressão sobre os preços
Publicado em: 18/09/2026 às 11:20hs
Os contratos futuros do café arábica tentam recuperar parte das perdas na Bolsa de Nova York nesta sexta-feira (18). As cotações operam em alta moderada, refletindo ajustes técnicos e recomposição de posições após a forte queda registrada na sessão anterior.
Por volta das 8h55, no horário de Brasília, o contrato com vencimento em dezembro de 2026 avançava 0,20%, cotado a 276,90 centavos de dólar por libra-peso. O março de 2027 também subia 0,20%, para 269 centavos por libra-peso, enquanto o maio de 2027 ganhava 0,09%, negociado a 266,05 centavos.
Apesar da reação, os fundamentos ainda não indicam uma mudança consistente de tendência. O mercado continua acompanhando o aumento da oferta brasileira, as condições para a safra seguinte e a possibilidade de recuperação dos estoques certificados da bolsa norte-americana.
Café reage após queda intensa em Nova York
A tentativa de recuperação ocorre depois de uma quinta-feira marcada por fortes perdas para o arábica. Além dos fatores específicos do mercado de café, o cenário externo foi negativo para as commodities.
Petróleo, soja, milho, trigo, açúcar e algodão também registraram desvalorizações durante boa parte da sessão, em um movimento mais amplo de aversão ao risco e redução de posições.
Com isso, parte da alta observada nesta sexta-feira está relacionada à correção técnica após o recuo acentuado, sem representar, até o momento, uma alteração efetiva nas expectativas de oferta.
Safra e exportações brasileiras pressionam cotações
A mudança na percepção sobre a disponibilidade de café permanece como um dos principais fatores de pressão sobre os preços internacionais.
A entrada da safra brasileira e o ritmo mais intenso das exportações aumentaram a presença do produto no mercado externo. Esse avanço da oferta reduziu parte do prêmio de risco climático e produtivo que anteriormente sustentava as cotações do arábica.
O fluxo das vendas brasileiras continuará sendo acompanhado pelos operadores, especialmente por seu possível impacto sobre a disponibilidade imediata e os estoques nos principais mercados consumidores.
Floradas aumentam atenção sobre a próxima safra de café
As condições iniciais da nova safra brasileira também ganharam espaço na formação dos preços. As primeiras floradas já foram observadas em diferentes regiões produtoras, enquanto a melhora das chuvas e da umidade do solo favorece o desenvolvimento inicial das plantas.
Esse cenário contribui para expectativas mais confortáveis em relação à oferta futura. A confirmação do potencial produtivo, porém, dependerá da regularidade das precipitações, do pegamento das flores e das condições climáticas durante as próximas etapas do ciclo.
Ao mesmo tempo, volumes elevados de chuva em algumas áreas podem dificultar a conclusão da colheita atual. Essa preocupação ajuda a limitar perdas mais intensas no mercado internacional.
Estoques certificados da ICE permanecem baixos
Os estoques certificados de café arábica na ICE continuam em níveis historicamente reduzidos, oferecendo sustentação parcial às cotações e restringindo quedas mais acentuadas.
O mercado, contudo, considera a possibilidade de entregas relevantes de café brasileiro aos armazéns credenciados pela bolsa. Caso esse movimento se confirme, os estoques poderão iniciar um processo de recomposição, retirando parte do suporte atualmente oferecido pela baixa disponibilidade certificada.
Alta ainda tem caráter de ajuste técnico
A recuperação desta sexta-feira apresenta, portanto, características predominantemente técnicas. O café arábica tenta devolver parte das perdas da véspera, mas continua pressionado por uma combinação de maior oferta brasileira, exportações mais fortes, perspectivas iniciais favoráveis para a próxima safra e possível recuperação dos estoques da ICE.
Para uma reação mais consistente em Nova York, o mercado deverá buscar novos sinais sobre o comportamento das chuvas no Brasil, o desenvolvimento das floradas, o fluxo das exportações e a evolução dos estoques certificados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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