Café arábica sobe mais de 1% em Nova York com preocupação sobre oferta global e clima no Brasil
Cotações avançam na ICE Futures US diante dos baixos estoques certificados, das incertezas sobre os efeitos do El Niño e das preocupações com a produção de cafés de qualidade; no mercado físico brasileiro, negociações seguem moderadas, enquanto exportações de outubro registram aumento no volume diário e queda no preço médio
Publicado em: 14/10/2026 às 11:40hs
O mercado internacional de café arábica opera em alta nesta quarta-feira (14), dando continuidade aos ganhos registrados na sessão anterior. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos avançam mais de 1% em alguns momentos do pregão, impulsionados pelas preocupações com a oferta global, pelos baixos estoques certificados e pelas incertezas climáticas nas principais regiões produtoras.
No Brasil, a valorização do café na bolsa norte-americana tende a oferecer suporte às cotações internas. Entretanto, a estabilidade do dólar comercial e a cautela dos produtores limitam a movimentação no mercado físico, que deve apresentar volume moderado de negócios ao longo do dia.
As atenções dos agentes do mercado permanecem voltadas para o desenvolvimento da próxima safra brasileira, especialmente para as condições climáticas durante o período de florada e pegamento dos frutos. Os possíveis efeitos do El Niño também seguem no radar, diante dos riscos que mudanças no regime de chuvas podem representar para a produção.
Café arábica sobe em Nova York com estoques baixos e preocupação climática
Por volta das 7h30, no horário de Brasília, o contrato de café arábica para dezembro de 2026 avançava 1,01%, cotado a 295,65 centavos de dólar por libra-peso. O vencimento março de 2027 registrava alta de 0,88%, a 288,00 centavos de dólar por libra-peso.
Durante o pregão, a posição dezembro chegou a registrar valorização de 1,07%, alcançando 295,85 centavos de dólar por libra-peso.
Na terça-feira (13), os contratos já haviam encerrado em alta. O vencimento dezembro de 2026 fechou a 292,70 centavos de dólar por libra-peso, com valorização de 2,10 centavos, equivalente a 0,7%. Já o contrato março de 2027 terminou a sessão a 285,50 centavos, avanço de 2,00 centavos, também de 0,7%.
A sequência positiva reflete a combinação de fatores relacionados à disponibilidade do produto, à qualidade dos grãos e às perspectivas para a produção nas principais origens exportadoras.
Oferta global de café mantém mercado sustentado
Os baixos estoques certificados na Bolsa de Nova York continuam entre os principais fatores de sustentação das cotações. A disponibilidade limitada no curto prazo aumenta a sensibilidade do mercado a possíveis problemas de produção e exportação.
Outro ponto de atenção é a oferta de cafés arábicas de qualidade. Segundo análises da Safras & Mercado, o mercado acompanha sinais de possíveis restrições na disponibilidade de cafés lavados da Colômbia e de países da América Central.
As preocupações com indicadores oficiais da produção colombiana e com o ritmo dos embarques dessas origens reforçam a percepção de que determinados tipos de café podem apresentar oferta mais apertada.
O analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, também destaca os relatos sobre a qualidade de parte do café brasileiro colhido em 2026. A umidade excessiva durante a colheita pode ter prejudicado características de alguns lotes, ampliando a atenção do mercado para a disponibilidade de grãos de melhor qualidade.
Apesar desses fatores, as exportações brasileiras continuam representando um contraponto às preocupações com a oferta global. A disponibilidade do produto nacional ajuda a limitar movimentos mais intensos de valorização, mantendo o mercado dividido entre a oferta brasileira e as restrições observadas em segmentos específicos.
El Niño coloca próxima safra brasileira no radar
As condições climáticas no Brasil permanecem entre os principais fatores acompanhados pelos operadores da bolsa.
As chuvas são fundamentais para o desenvolvimento das floradas e para o pegamento dos frutos do cafeeiro. Por isso, as previsões meteorológicas para as regiões produtoras podem influenciar diretamente as expectativas em relação à próxima safra.
O possível impacto do El Niño aumenta a incerteza sobre o comportamento das chuvas e seus reflexos na produtividade. Eventuais condições desfavoráveis durante fases decisivas do ciclo da cultura podem alterar as projeções de produção e influenciar as cotações internacionais.
Nesse cenário, o mercado permanece atento à evolução do clima e às informações sobre o desenvolvimento das lavouras brasileiras, mesmo diante da continuidade dos embarques do país.
Mercado físico brasileiro tem negócios moderados
No mercado físico brasileiro, as negociações devem permanecer moderadas nesta quarta-feira. A valorização do arábica em Nova York oferece sustentação aos preços, mas a estabilidade cambial e a expectativa dos produtores por referências mais favoráveis reduzem a disposição para ampliar as vendas.
Na terça-feira, o mercado interno registrou cotações estáveis a mais altas, com a combinação entre a valorização do café na bolsa norte-americana e a alta do dólar contribuindo para os ganhos em diferentes regiões produtoras.
O retorno após o feriado foi marcado por poucos negócios, comportamento que também refletiu a cautela dos agentes diante das oscilações dos referenciais internacionais.
Segundo referências divulgadas pelo Escritório Carvalhaes, o mercado apresentou ritmo calmo, com cotações nominais entre R$ 1.800 e R$ 1.900 por saca para cafés cereja descascado finos e entre R$ 1.700 e R$ 1.800 para cafés fino/extra.
Preços do café nas principais regiões produtoras
Na terça-feira (13), os preços de referência para o café arábica e o conilon apresentaram o seguinte comportamento:
Sul de Minas Gerais: o arábica bebida boa, safra nova, com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.650 e R$ 1.655 por saca, ante R$ 1.630 a R$ 1.635 anteriormente.
Cerrado de Minas Gerais: o arábica bebida dura, safra nova, com 15% de catação, ficou entre R$ 1.660 e R$ 1.665 por saca, acima da faixa anterior de R$ 1.640 a R$ 1.645.
Zona da Mata de Minas Gerais: o arábica tipo rio, tipo 7, safra 2026, com 20% de catação, registrou preços entre R$ 1.150 e R$ 1.155 por saca, contra R$ 1.130 a R$ 1.135 na sessão anterior.
Vitória, Espírito Santo: o conilon tipo 7 permaneceu entre R$ 960 e R$ 965 por saca, enquanto o tipo 7/8 ficou entre R$ 950 e R$ 955, sem alterações.
Os preços variam conforme a qualidade, a classificação, a região de comercialização e as condições negociadas entre compradores e vendedores.
Exportações de café crescem em volume, mas receita média diária recua
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 1.377.405 sacas de café em grão de 60 quilos nos primeiros sete dias úteis de outubro de 2026.
O resultado corresponde a uma média diária de 196.772 sacas embarcadas. A receita acumulada alcançou US$ 452,731 milhões, com média diária de US$ 64,676 milhões e preço médio de US$ 328,68 por saca.
Na comparação com outubro de 2025, os indicadores apresentam comportamentos distintos:
- Volume médio diário: alta de 11,4%.
- Receita média diária: queda de 6,5%.
- Preço médio por saca: recuo de 16,1%.
Os números indicam que o país embarca um volume diário maior de café em relação ao mesmo período do ano passado, mas recebe menos, em média, por saca exportada.
A diferença entre o avanço dos embarques e a redução do preço médio ajuda a explicar por que o crescimento do volume exportado não se traduz necessariamente em aumento proporcional da receita.
O desempenho das exportações brasileiras permanece relevante para a formação dos preços internacionais, especialmente diante das preocupações com a disponibilidade de cafés de determinadas origens e qualidades.
Dólar opera próximo da estabilidade e influencia competitividade
No mercado cambial, o dólar comercial registrava leve alta de 0,03%, cotado a R$ 5,0246. O Dollar Index, indicador que mede o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de moedas, avançava 0,04%, aos 102,22 pontos.
A movimentação cambial é um componente importante para a formação dos preços do café no Brasil. Quando o real se valoriza diante do dólar, a receita convertida em moeda nacional tende a diminuir para os exportadores, mantidas as demais condições, o que pode afetar a competitividade do produto brasileiro.
Segundo a avaliação de Gil Barabach, da Safras & Mercado, o comportamento do câmbio também merece atenção, uma vez que níveis mais baixos do dólar no Brasil podem reduzir a competitividade das exportações nacionais.
Com a moeda norte-americana praticamente estável nesta quarta-feira, o mercado doméstico acompanha principalmente os movimentos da bolsa internacional e a disposição dos produtores para negociar.
Mercado acompanha indicadores internacionais
Além do café e do câmbio, os mercados financeiros internacionais apresentam movimentos distintos nesta quarta-feira.
As principais bolsas asiáticas encerraram o dia em queda, com recuo de 0,88% na China e de 0,05% no Japão. Na Europa, os principais índices operavam em alta, com avanço de 0,67% em Paris, 0,53% em Frankfurt e 0,30% em Londres.
No mercado de petróleo, o contrato novembro do WTI, negociado em Nova York, subia 1,49%, a US$ 94,55 por barril.
Embora esses indicadores não determinem isoladamente a direção dos preços do café, o comportamento dos mercados financeiros e das moedas integra o ambiente acompanhado pelos investidores e agentes do comércio internacional.
Perspectivas para o mercado de café
A tendência de curto prazo para o café arábica permanece condicionada à combinação entre estoques reduzidos, perspectivas de oferta global, qualidade dos grãos e condições climáticas no Brasil.
A continuidade da alta em Nova York pode favorecer novas valorizações no mercado físico brasileiro. No entanto, o volume de negócios dependerá também do comportamento do dólar e das expectativas dos produtores em relação aos preços.
As exportações brasileiras seguem fortes em volume, mas a queda do preço médio por saca e da receita média diária na comparação anual evidencia um cenário que exige atenção dos agentes do setor.
Para os próximos pregões, o mercado deve continuar monitorando as previsões de chuva nas regiões cafeeiras, os possíveis efeitos do El Niño, os indicadores de oferta da Colômbia e da América Central e a evolução dos estoques certificados em Nova York.
O principal fator de atenção para o setor é o equilíbrio entre a disponibilidade de café brasileiro e os sinais de restrição na oferta global de grãos de qualidade. Essa combinação tende a manter as cotações sensíveis a novas informações sobre clima, produção e exportações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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