Café arábica dispara com aperto na oferta e sustenta alta no mercado internacional
Aperto físico, estoques certificados reduzidos e avanço das cotações em Nova York reforçam a valorização do café arábica, enquanto mercado brasileiro mantém vendedores cautelosos
Publicado em: 10/08/2026 às 11:10hs
O mercado internacional de café ganhou força na virada entre o fim de julho e o início de agosto, com o café arábica liderando os ganhos em Nova York diante de uma percepção mais forte de aperto físico na oferta. A combinação entre estoques certificados em níveis reduzidos, atenção ao fluxo brasileiro e um cenário cambial favorável voltou a sustentar os preços.
Segundo a StoneX, o período de 27 de julho a 1º de agosto marcou a retomada da narrativa de oferta mais ajustada para o arábica, após duas semanas de correção que haviam sinalizado uma acomodação dos preços depois da forte valorização registrada no início de julho.
O movimento ganhou força mesmo com as margens elevadas exigidas pela ICE, que continuam limitando a liquidez no mercado futuro. Nas sessões de maior volatilidade, entretanto, o volume de negócios voltou a crescer, acompanhando a recuperação das cotações.
Café arábica ganha força em Nova York
Na Bolsa de Nova York, o café arábica apresentou desempenho significativamente superior ao robusta.
O contrato de setembro de 2026 encerrou a semana em 332,10 centavos de dólar por libra-peso, acumulando valorização de 5,8% na semana e 6,7% no mês, segundo os dados apresentados.
Em outro fechamento informado para a posição setembro, o contrato chegou a 335,55 centavos de dólar por libra-peso, alta de 13,90 centavos, ou 4,3%, reforçando a intensidade do movimento comprador.
O desempenho evidencia que a percepção de aperto físico estava mais concentrada no mercado de arábica negociado em Nova York.
Já o robusta apresentou comportamento mais moderado.
Na Bolsa de Londres, o contrato setembro de 2026 terminou o período cotado a US$ 3.782 por tonelada, com alta semanal de apenas 0,7%.
A diferença de desempenho entre as duas variedades indica uma reação mais intensa dos agentes ao cenário de disponibilidade do arábica, enquanto o robusta permaneceu em uma trajetória mais contida.
Mercado físico brasileiro começa semana com cautela
No Brasil, o mercado físico deve iniciar a semana com ritmo mais lento de negócios, diante da combinação entre a queda da Bolsa de Nova York no momento da abertura e um dólar próximo da estabilidade.
Com os referenciais internacionais menos favoráveis no início das negociações, produtores tendem a adotar uma postura mais defensiva, aguardando uma sinalização mais clara dos preços para voltar ao mercado.
Na sexta-feira, porém, o cenário foi de preços firmes para o café arábica, enquanto o conilon permaneceu praticamente estável.
Os ganhos registrados em Nova York deram sustentação às cotações do arábica brasileiro. No caso do conilon, a estabilidade refletiu o comportamento mais fraco do robusta negociado em Londres.
Apesar da maior cautela dos compradores, houve aumento do movimento de comercialização.
Preços do café sobem em Minas Gerais
No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, com 15% de catação e safra nova, foi negociado entre R$ 1.810 e R$ 1.815 por saca, contra R$ 1.770 a R$ 1.775 anteriormente.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, com 15% de catação e safra nova, alcançou R$ 1.830 a R$ 1.835 por saca, ante R$ 1.790 a R$ 1.795 no levantamento anterior.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o arábica rio tipo 7, safra 2026, com 20% de catação, passou para R$ 1.370 a R$ 1.375 por saca, frente a R$ 1.350 a R$ 1.355 anteriormente.
No Espírito Santo, por outro lado, os preços do conilon permaneceram estáveis.
O conilon tipo 7, safra 2026, em Vitória, foi indicado entre R$ 1.080 e R$ 1.085 por saca, enquanto o tipo 7/8 ficou entre R$ 1.070 e R$ 1.075 por saca.
Fundos reduzem posição comprada no café
Os dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) também mostram mudanças no posicionamento dos participantes do mercado.
Com informações até 4 de agosto, os grandes fundos e especuladores apresentavam posição líquida comprada de 24.855 contratos, abaixo dos 27.408 contratos registrados na semana anterior.
As empresas comerciais — que incluem indústrias, corretoras e comerciantes — mantinham uma posição líquida vendida de 27.013 contratos.
Já as posições não reportáveis, associadas principalmente a pequenos especuladores e negociadores locais, indicavam posição líquida comprada de 2.158 contratos.
O mercado futuro de café arábica da ICE Futures US contabilizava 168.814 contratos em aberto, aumento de 4.367 lotes na comparação semanal.
Os números mostram que, apesar da redução da posição líquida comprada dos grandes fundos, o mercado continua apresentando elevado interesse financeiro e forte participação especulativa.
Dólar e cenário externo influenciam café
O comportamento do câmbio também permanece relevante para a formação dos preços do café brasileiro.
O dólar comercial registrava alta de 0,03%, cotado a R$ 5,0857, enquanto o Dollar Index avançava 0,06%, aos 99,690 pontos.
Para os produtores brasileiros, as oscilações do dólar são fundamentais porque interferem diretamente na conversão das cotações internacionais para o mercado doméstico.
No cenário financeiro internacional, as principais bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta, com China avançando 0,67% e Japão 2,08%.
Na Europa, os mercados operavam de forma mista, com Paris em alta de 0,11%, Frankfurt avançando 0,32% e Londres recuando 0,15%.
O petróleo também apresentava valorização, com o contrato setembro do WTI negociado em Nova York a US$ 79,43 por barril, alta de 1,59%.
Perspectivas para o mercado de café
O cenário de curto prazo continua marcado pela combinação de oferta física mais apertada, estoques certificados reduzidos, volatilidade elevada e atenção ao fluxo de café brasileiro.
O comportamento de Nova York deve continuar sendo determinante para a formação dos preços no mercado físico nacional. Ao mesmo tempo, produtores seguem avaliando o momento mais adequado para comercializar a safra, enquanto compradores demonstram maior cautela diante dos níveis atuais de preços.
A diferença de desempenho entre arábica e robusta também merece atenção. Enquanto o arábica voltou a apresentar forte valorização, o robusta segue com ganhos mais limitados, indicando que os fundamentos específicos de cada mercado estão pesando de maneira distinta sobre as cotações.
Com isso, o café arábica permanece no centro das atenções do mercado internacional, e novas oscilações em Nova York, no câmbio e na disponibilidade física brasileira devem definir o ritmo das negociações ao longo dos próximos dias.
Café arábica: principais pontos do mercado
- Arábica setembro/2026 em Nova York: 332,10 cents/lb no fechamento semanal informado;
- Alta semanal: 5,8%;
- Alta mensal: 6,7%;
- Robusta setembro/2026 em Londres: US$ 3.782/t;
- Alta semanal do robusta: 0,7%;
- Dólar comercial: R$ 5,0857;
- Posição líquida comprada dos fundos: 24.855 contratos;
- Contratos em aberto na ICE: 168.814;
- Sul de Minas: R$ 1.810 a R$ 1.815/saca para arábica bebida boa;
- Cerrado Mineiro: R$ 1.830 a R$ 1.835/saca para arábica bebida dura;
- Zona da Mata: R$ 1.370 a R$ 1.375/saca para arábica rio tipo 7;
- Conilon tipo 7 em Vitória: R$ 1.080 a R$ 1.085/saca.
Fonte: Portal do Agronegócio
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