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Café

Brasil premia 27 melhores cafés especiais da safra 2026; oito superam 90 pontos no Cup of Excellence

Concurso internacional reconheceu os principais cafés arábica produzidos no país, com destaque para lotes de Minas Gerais. Premiação amplia a visibilidade dos produtores brasileiros no mercado global e reforça o valor comercial dos cafés de alta qualidade.


Publicado em: 05/11/2026 às 16:30hs

Brasil premia 27 melhores cafés especiais da safra 2026; oito superam 90 pontos no Cup of Excellence

O Brasil revelou os 27 melhores cafés especiais da espécie arábica da safra 2026 durante a cerimônia do Cup of Excellence – Brazil 2026, realizada em 31 de outubro, no Espaço Bisutti Cardoso de Melo, em São Paulo (SP). Todos os lotes premiados alcançaram mais de 87 pontos na escala de qualidade da competição, enquanto oito ultrapassaram a marca de 90 pontos e receberam o reconhecimento de cafés presidenciais.

Conhecido internacionalmente como o “Oscar do Café”, o Cup of Excellence é considerado uma das principais competições mundiais de qualidade para cafés especiais arábica. No Brasil, o evento é organizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), dentro do projeto “Brazil. The Coffee Nation”.

A edição de 2026 destacou produtores de diferentes regiões cafeeiras, com forte presença de Minas Gerais entre os lotes reconhecidos. Além de premiar a qualidade sensorial dos grãos, o concurso funciona como uma vitrine internacional para aproximar cafeicultores brasileiros de compradores e consumidores de cafés especiais.

Categoria Experimental: Geisha de Minas Gerais conquista a maior nota

Na categoria Experimental, destinada a cafés submetidos a processos inovadores ou de fermentação induzida, dez lotes foram premiados. O primeiro lugar ficou com um café da variedade Geisha produzido pelo grupo Ipanema Agrícola, na Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde (MG), na região da Mantiqueira de Minas.

Com 92,25 pontos, o lote recebeu a classificação de café presidencial e liderou a categoria.

O júri internacional identificou uma bebida de doçura intensa e persistente, perfil floral e frutado complexo, com notas de mel, caramelo, flores de pêssego e frutas amarelas e tropicais, como abacaxi, tangerina e papaia. Também foram destacados o corpo aveludado e suculento, a acidez cítrica equilibrada, a elegância e o retrogosto prolongado.

Os outros dois primeiros colocados também superaram 90 pontos e receberam o reconhecimento presidencial:

  • Letícia Bras: café da variedade Geisha produzido no Sítio São Pedro, em Vargem Bonita (MG), na região do Café da Canastra, com 90,13 pontos.
  • Jair Bras: café da variedade Paraíso cultivado na Fazenda Campo Alegre, em Piumhi (MG), também no Café da Canastra, com 90,10 pontos.
Via úmida: café Geisha de Cristina alcança 91,31 pontos

Na categoria Via Úmida, que reúne cafés processados com remoção da casca por meio de cilindros descascadores, foram reconhecidos sete lotes.

O campeão foi produzido por Cleverson Daniel da Silva, no Sítio Vargem Alegre, em Cristina (MG), na Mantiqueira de Minas. O café da variedade Geisha alcançou 91,31 pontos, garantindo a classificação presidencial.

Na avaliação dos jurados internacionais, a bebida apresentou doçura intensa e persistente, perfil floral e frutado complexo, com notas de mel, caramelo, camomila, flores de pêssego e frutas amarelas, de caroço e tropicais. O corpo aveludado e xaroposo, a acidez cítrica equilibrada e o retrogosto longo também foram ressaltados.

Outro lote da categoria recebeu o título de café presidencial. Trata-se de um blend das variedades Catucaí Amarelo e Geisha, produzido no Sítio São Tarumã, em Cristina (MG), que obteve 90,58 pontos.

Via seca: café natural da Mantiqueira de Minas lidera a categoria

A categoria Via Seca, que contempla o processamento tradicional do café natural, com os frutos colhidos e secos ainda com casca, teve como vencedora Hilda Cândida da Silva.

O lote da variedade Geisha foi cultivado no Sítio Nossa Senhora das Candeias, em Cristina (MG), na Mantiqueira de Minas, e alcançou 91,29 pontos, também conquistando a classificação presidencial.

O júri descreveu uma bebida de doçura intensa e equilibrada, com notas florais de jasmim e madressilva, além de frutas cítricas e tropicais, como limão, tangerina, abacaxi, papaia, pêssego e banana. Mel e baunilha também foram identificados na avaliação.

O café apresentou corpo sedoso e aveludado, acidez cítrica delicada, perfil complexo e limpo, boa estrutura e retrogosto longo e persistente.

Outros dois produtores tiveram lotes acima de 90 pontos na categoria:

  • Flávio Márcio Ferreira da Silva: variedade Arara, produzida na Fazenda Olhos D'Água, em Campos Altos (MG), no Cerrado Mineiro, com 90,88 pontos.
  • Jarbas Cleto Lopes: variedade Arara, cultivada no Sítio Bela Vista, em São Gonçalo do Sapucaí (MG), na Mantiqueira de Minas, com 90,48 pontos.
Cup of Excellence amplia valor comercial do café especial brasileiro

Para o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, o concurso vem ampliando sua contribuição para a descoberta de produtores e origens, além de fortalecer a valorização dos cafés especiais brasileiros.

Segundo ele, a competição permite que os cafeicultores vencedores ampliem suas oportunidades comerciais e consolidem seus nomes no mercado internacional.

Entre as possibilidades estão a venda do café cru com maior valor agregado e rastreabilidade, inclusive com a identificação do produtor nas embalagens comercializadas no exterior; a torrefação e venda direta do produto; e o desenvolvimento do turismo nas propriedades e regiões produtoras.

Estrela também destacou que essas oportunidades aproximam a produção de café especial de temas como sustentabilidade, preservação ambiental e educação das comunidades rurais.

Orfeu Cafés Especiais recebe reconhecimento mundial Legends of Excellence

A cerimônia também marcou a consagração da Orfeu Cafés Especiais como a nova representante brasileira na distinção internacional Legends of Excellence, concedida pela Alliance for Coffee Excellence.

Criada em 2025, a honraria reconhece produtores e empresas que demonstram excelência consistente na produção de cafés especiais, com histórico de premiações no Cup of Excellence, inovação e contribuição para a comunidade cafeeira.

Com o reconhecimento da Orfeu, o Brasil passa a contar com duas das 12 lendas mundiais da excelência do café. A empresa se junta a Luiz Paulo Dias Pereira Filho, homenageado na edição anterior.

Os produtores e empresas reconhecidos como lendas tornam-se hors-concours e deixam de disputar o Cup of Excellence em seus países. Para manter a identificação de seus cafés no mercado, a BSCA criou o Selo Legend of Excellence, que passa a destacar nas embalagens os produtos de quem conquistou o título vitalício.

A iniciativa busca comunicar ao consumidor a trajetória de excelência, a origem e a consistência de qualidade dos cafés reconhecidos.

Leilão internacional registra valores históricos para cafés brasileiros

A ACE também promove o Leilão Beneficente Lendas da Excelência, iniciativa que permite ao mercado internacional disputar os cafés produzidos pelos homenageados.

Em 16 de outubro, durante a SCAJ 2026 – World Specialty Coffee Conference and Exhibition, em Tóquio, no Japão, os lotes de Luiz Paulo e da Orfeu alcançaram os dois maiores valores já pagos por cafés brasileiros em leilões mundiais da ACE.

Os preços foram:

  • Luiz Paulo Dias Pereira Filho: US$ 200 por libra-peso, equivalente a US$ 26.456 por saca de 60 quilos.
  • Orfeu Cafés Especiais: US$ 151 por libra-peso, equivalente a US$ 19.974 por saca de 60 quilos.

Os resultados reforçam o potencial de valorização dos cafés brasileiros de alta qualidade em mercados especializados.

BSCA reconhece provadores brasileiros com Mérito Silvio Leite

Outra novidade da edição de 2026 foi a criação do Mérito BSCA Silvio Leite, homenagem destinada a reconhecer provadores brasileiros que se destacaram durante a etapa nacional do concurso e avançaram para a fase internacional.

Os reconhecidos foram Ruhan Corrêa e Karoline Pereira. Além de participarem da avaliação final do Cup of Excellence – Brazil 2026, ambos receberam o direito de integrar uma edição da competição em Honduras, em 2027.

A iniciativa valoriza a atuação dos profissionais responsáveis pela avaliação sensorial dos cafés e pelo reconhecimento de atributos que diferenciam os produtos de alta qualidade.

Visionários da Excelência homenageiam pioneiros do café especial

A BSCA e a ACE também concederam o título de Visionários da Excelência a Marcelo Weyland Barbosa Vieira, fundador e conselheiro diretor da associação, e a Silvio Leite, também conselheiro diretor da entidade.

A homenagem reconhece pessoas que acreditaram no potencial dos cafés excepcionais antes de o Cup of Excellence se transformar em um movimento internacional.

A contribuição desses pioneiros ajudou a estruturar uma competição voltada à valorização dos produtores, à ampliação das oportunidades comerciais e à aproximação entre cafeicultores, profissionais do setor e compradores internacionais.

Gelma Franco recebe Homenagem BSCA por contribuição ao setor

A cerimônia também reconheceu personalidades que contribuem para o desenvolvimento da cultura dos cafés especiais além da produção rural.

Nesta edição, a Homenagem BSCA foi concedida a Gelma Franco, CEO e fundadora da IL Barista Cafés Especiais. Empresária, palestrante e especialista em cafés, ela acumula mais de 20 anos de atuação no setor.

A marca IL Barista é pioneira no conceito de boutique de cafés no Brasil. Sob sua liderança, a empresa desenvolveu iniciativas voltadas à valorização da bebida, à inovação e à disseminação da cultura dos cafés especiais.

A homenagem reconhece sua contribuição para ampliar o conhecimento sobre cafés de qualidade no país e fortalecer o empreendedorismo no segmento.

Café especial brasileiro amplia presença no mercado global

Os resultados do Cup of Excellence – Brazil 2026 reforçam a diversidade de origens, variedades e métodos de processamento presentes na cafeicultura brasileira. A presença de 27 lotes premiados, incluindo oito cafés presidenciais, demonstra o potencial de produtores nacionais para atender a mercados que valorizam qualidade, rastreabilidade e características sensoriais diferenciadas.

Além do reconhecimento técnico, o concurso abre oportunidades de comercialização com maior valor agregado e fortalece a imagem do Brasil como fornecedor de cafés especiais de excelência.

Com a valorização dos produtores e a aproximação com compradores internacionais, a competição amplia a presença do café brasileiro no segmento de maior qualidade e contribui para consolidar o país como referência mundial na produção de cafés especiais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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