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Alta do café aumenta risco de roubo de cargas e leva transportadoras a reforçar estratégias de segurança

Valorização do café no Brasil impulsiona crimes logísticos e exige novas táticas de transporte para reduzir prejuízos


Publicado em: 24/03/2026 às 16:30hs

Alta do café aumenta risco de roubo de cargas e leva transportadoras a reforçar estratégias de segurança
Preço do café dispara e chama atenção do mercado

A forte valorização do café no Brasil tem acendido um alerta no setor logístico. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café, o preço médio do quilo do produto no varejo já supera os R$ 60, quase o dobro dos cerca de R$ 35 registrados no ano anterior.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o café acumulou 18 meses consecutivos de alta, entre o início de 2024 e meados de 2025, reforçando o cenário de valorização contínua.

Valorização transforma transporte em atividade de risco

Com o aumento expressivo dos preços, o transporte de café passou a ser alvo frequente de ações criminosas. Quadrilhas especializadas têm atuado no roubo de cargas entre indústrias e pontos de venda, aproveitando o alto valor agregado e a facilidade de revenda no mercado paralelo.

No primeiro semestre deste ano, uma operação conduzida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais em conjunto com a Polícia Militar de Minas Gerais resultou na prisão de mais de 20 integrantes de uma organização criminosa com atuação em estados como Minas Gerais, Pernambuco e Ceará.

Estratégias logísticas são reforçadas para evitar prejuízos

Diante do aumento dos riscos, empresas de transporte têm adotado medidas específicas para proteger as cargas. Entre as estratégias estão a alteração de horários de entrega, evitando períodos mais visados por criminosos, e a limitação do tempo de descarga nos estabelecimentos.

Segundo Diogo de Oliveira, CEO do DL4 Group, também foi implantado um posto avançado dentro da unidade fabril de um grande cliente, permitindo maior controle sobre a roteirização e planejamento das entregas.

Café se torna carga de alto valor e fácil revenda

O café passou a ser tratado como uma carga de alto risco, comparável a produtos como cigarros e medicamentos. Um veículo utilitário de pequeno porte, totalmente carregado com café industrializado, pode transportar mercadorias avaliadas em cerca de R$ 30 mil.

Além do valor elevado, a carga apresenta características que facilitam a ação criminosa, como o baixo volume e a rápida transferência entre veículos, o que dificulta a recuperação.

Planejamento reduz drasticamente ocorrências

A implementação de estratégias operacionais tem gerado resultados positivos. No estado do Rio de Janeiro, considerado um dos principais focos de roubo de cargas, a empresa estruturou um sistema de roteirização que evita entregas em horários críticos, especialmente no período da manhã, quando ocorre a maioria dos crimes.

Além disso, a redução do volume transportado em áreas de risco e a limitação do tempo de parada — de no máximo 15 minutos — têm contribuído para aumentar a segurança das operações.

Tecnologia e conhecimento local fortalecem segurança

Outras medidas incluem o uso de sistemas de rastreamento em tempo real, como o SSW, e a priorização da contratação de motoristas locais, que conhecem melhor as rotas e os pontos críticos.

Essas práticas não se restringem ao transporte de café e vêm sendo aplicadas a outros tipos de carga, especialmente em regiões com maior incidência de crimes logísticos.

Baixo índice de ocorrências reforça eficácia das medidas

Atualmente, a empresa opera com uma frota diária de 50 a 60 veículos entre os estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. O índice de ocorrências é considerado baixo: apenas 0,03%, o que representa seis casos em um universo de 20 mil entregas realizadas.

Mesmo diante do aumento de 10% nos registros de roubo de carga no estado do Rio de Janeiro em 2025, segundo o Instituto de Segurança Pública, o planejamento logístico tem se mostrado eficaz para mitigar riscos.

Expansão do setor acompanha gestão de riscos

Fundado em 2014, o DL4 Group ampliou sua atuação ao longo dos anos, incluindo operações no mercado fluminense. Em 2025, a empresa alcançou um marco relevante ao superar R$ 1 milhão em faturamento mensal.

O avanço demonstra que, mesmo em um cenário desafiador, a combinação de planejamento, tecnologia e estratégia pode garantir eficiência operacional e segurança no transporte de cargas de alto valor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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