Mercado de bioinsumos pode movimentar US$ 45 bilhões até 2032; expansão depende de regulamentação e segurança jurídica
Setor de bioinsumos cresce em ritmo acelerado no Brasil, movimenta R$ 6,2 bilhões e avança com o novo marco legal, enquanto especialistas defendem regras claras para impulsionar investimentos, inovação e produção sustentável no agronegócio
Publicado em: 31/07/2026 às 10:20hs
O mercado de bioinsumos consolida sua posição como um dos segmentos mais promissores do agronegócio mundial. No Brasil, o setor movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025 e mantém uma trajetória consistente de crescimento, impulsionada pela demanda por tecnologias sustentáveis, pelo avanço da agricultura regenerativa e pela busca por maior eficiência produtiva no campo.
Levantamento da CropLife Brasil, com dados da CropData, projeta que o mercado global de bioinsumos poderá atingir US$ 45 bilhões até 2032, caso seja mantido um ritmo anual de expansão entre 13% e 14%. O cenário reforça o protagonismo das soluções biológicas na agricultura moderna e amplia as oportunidades para empresas, produtores e instituições de pesquisa.
Bioinsumos ganham espaço na agricultura brasileira
A adoção de bioinsumos cresce em diversas cadeias produtivas, incluindo soja, milho, café, cana-de-açúcar, algodão, hortifrúti e florestas plantadas. Produtos biológicos como inoculantes, biofertilizantes, biodefensivos e promotores de crescimento têm conquistado espaço por contribuírem para o aumento da produtividade, redução de custos e menor impacto ambiental.
Além dos benefícios agronômicos, a expansão do segmento acompanha a crescente exigência dos mercados consumidores por sistemas de produção mais sustentáveis e alinhados às práticas de agricultura de baixo carbono.
Marco legal dos bioinsumos inaugura nova fase para o setor
O crescimento do mercado ocorre paralelamente à implementação da Lei nº 15.070/2024, que instituiu o marco legal dos bioinsumos no Brasil.
A legislação estabelece diretrizes para a produção, importação, exportação, registro, comercialização, pesquisa, fiscalização e utilização de bioinsumos destinados às atividades agrícola, pecuária, aquícola e florestal.
Apesar do avanço regulatório, parte das regras ainda depende da publicação de normas complementares, consideradas essenciais para garantir segurança jurídica e previsibilidade aos investimentos.
Regulamentação é apontada como prioridade para acelerar investimentos
Entre os principais temas que ainda aguardam regulamentação estão:
- critérios técnicos para registro de produtos;
- produção de bioinsumos para uso próprio (on-farm);
- mecanismos de fiscalização;
- padrões de qualidade e rastreabilidade;
- regras sobre propriedade intelectual;
- segurança sanitária e ambiental.
Segundo especialistas, esses pontos serão determinantes para ampliar a confiança dos investidores e permitir a expansão da capacidade produtiva da indústria nacional.
Para o engenheiro agrônomo Luiz Mário Machado Salvi, presidente da Araiby Feiras e Eventos e organizador do III Fórum de Bioinsumos no Agro, a regulamentação será decisiva para consolidar o crescimento do setor.
"A nova legislação representa um importante avanço ao oferecer previsibilidade ao mercado. O próximo desafio é concluir a regulamentação para assegurar qualidade, rastreabilidade e segurança jurídica, preservando o ambiente de inovação e o desenvolvimento das tecnologias biológicas."
Indústria aposta em escala para atender à crescente demanda
O aumento da utilização de bioinsumos exige investimentos em pesquisa, inovação, infraestrutura industrial e logística.
Na avaliação de representantes do setor, a expansão da capacidade produtiva será fundamental para atender ao crescimento da demanda interna e fortalecer a competitividade da indústria brasileira diante do avanço do mercado internacional.
O Brasil reúne condições favoráveis para liderar esse segmento graças à sua biodiversidade, à dimensão da produção agrícola e ao elevado nível de adoção de tecnologias no campo.
Fórum discutirá desafios e oportunidades do mercado de bioinsumos
Os principais impactos do novo marco regulatório estarão em debate durante o III Fórum de Bioinsumos no Agro, que será realizado em 18 de agosto, no Auditório da Ocesp, em São Paulo.
O encontro reunirá representantes do governo, indústria, pesquisadores, universidades, cooperativas, produtores rurais e entidades do agronegócio para discutir os próximos passos da regulamentação e os desafios para ampliar a adoção das tecnologias biológicas.
Entre as instituições apoiadoras estão ABAG, Abisolo, CropLife Brasil, FGVAgro, FNE, Fiesp, Insper, Rede ILPF, Sebrae-SP, Sindicafé-SP, Sindirações, Sindiveg, SEESP e UDOP.
Bioinsumos devem ganhar protagonismo na agricultura sustentável
Com o avanço da legislação, a expansão dos investimentos e a crescente demanda por sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis, os bioinsumos tendem a assumir papel estratégico na evolução do agronegócio brasileiro.
A expectativa do setor é que a regulamentação definitiva proporcione maior segurança jurídica, estimule a inovação tecnológica e fortaleça a posição do Brasil entre os principais mercados mundiais de insumos biológicos, impulsionando uma agricultura cada vez mais sustentável, competitiva e alinhada às exigências dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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