IPP recua 0,77% em junho, mas indústria acumula alta de 3,99% em 2026; químicos e petróleo seguem entre os principais destaques
Índice de Preços ao Produtor registra queda mensal impulsionada pelas indústrias extrativas, enquanto setores químicos, plástico e refino mantêm forte avanço no acumulado do ano, segundo dados divulgados pelo IBGE.
Publicado em: 31/07/2026 às 11:14hs
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) recuou 0,77% em junho de 2026 na comparação com maio, interrompendo parte da trajetória de altas observada ao longo do ano. Apesar da retração mensal, o indicador acumula alta de 3,99% no primeiro semestre, o quarto maior resultado para um mês de junho desde o início da série histórica, em 2014.
Divulgado pelo IBGE, o IPP mede a variação dos preços dos produtos na saída das fábricas, sem considerar impostos e fretes, abrangendo tanto as indústrias extrativas quanto as de transformação. O indicador é uma das principais referências para acompanhar a evolução dos custos da produção industrial brasileira.
Queda foi concentrada em seis segmentos industriais
Dos 24 setores pesquisados, apenas seis registraram redução de preços em junho frente ao mês anterior.
As maiores variações negativas foram observadas em:
- Indústrias extrativas: -11,85%
- Outros produtos químicos: -2,74%
- Refino de petróleo e biocombustíveis: -2,30%
Na direção oposta, o setor de móveis apresentou alta de 2,08%, figurando entre as maiores variações positivas do período.
Indústrias extrativas lideram impacto negativo
A atividade de indústrias extrativas exerceu a maior influência sobre o resultado geral do índice, respondendo por -0,56 ponto percentual da variação total do IPP em junho.
Também contribuíram para o recuo mensal:
- Outros produtos químicos: -0,24 ponto percentual
- Refino de petróleo e biocombustíveis: -0,23 ponto percentual
- Minerais não metálicos: -0,04 ponto percentual
O desempenho desses segmentos foi determinante para o resultado negativo observado no mês.
Acumulado de 2026 permanece entre os maiores da série histórica
Mesmo com a retração de junho, o IPP acumula alta de 3,99% em 2026, desempenho significativamente superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o indicador apresentava queda de 3,13%.
Entre os setores que mais avançaram no acumulado do ano destacam-se:
- Outros produtos químicos: 17,05%
- Borracha e plástico: 15,07%
- Impressão: 5,91%
- Refino de petróleo e biocombustíveis: 5,78%
Na composição do índice geral, as maiores contribuições positivas vieram de:
- Outros produtos químicos: 1,32 ponto percentual
- Borracha e plástico: 0,60 ponto percentual
- Refino de petróleo e biocombustíveis: 0,57 ponto percentual
- Metalurgia: 0,27 ponto percentual
Inflação ao produtor acumula alta de 2,51% em 12 meses
Na comparação com junho de 2025, o IPP acumula avanço de 2,51% em 12 meses, acelerando em relação aos 2,00% registrados até maio.
Os maiores aumentos de preços nesse período ocorreram em:
- Borracha e plástico: 15,22%
- Impressão: 14,53%
- Outros produtos químicos: 8,88%
- Móveis: 7,68%
Entre as atividades com maior influência sobre o resultado acumulado em 12 meses destacam-se:
- Alimentos: -1,11 ponto percentual
- Outros produtos químicos: 0,73 ponto percentual
- Borracha e plástico: 0,59 ponto percentual
- Refino de petróleo e biocombustíveis: 0,53 ponto percentual
Mercado acompanha custos industriais
O comportamento do IPP é acompanhado de perto pelos setores produtivos por antecipar movimentos dos custos industriais e seus possíveis reflexos sobre cadeias como agronegócio, alimentos, combustíveis, fertilizantes, embalagens e bens de consumo.
A combinação entre a forte queda nas indústrias extrativas e o avanço consistente dos segmentos químicos e do refino evidencia que a pressão sobre os preços industriais continua bastante heterogênea em 2026, refletindo oscilações nos mercados de commodities, energia e matérias-primas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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