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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo sobe no Brasil com escassez de grão de qualidade e dólar alto; Chicago recua

Chuvas comprometem padrão da safra e levam moinhos a buscar importações; no exterior, perspectivas de oferta e negociações sobre o conflito no Mar Negro pressionam contratos


Publicado em: 04/11/2026 às 11:55hs

Trigo sobe no Brasil com escassez de grão de qualidade e dólar alto; Chicago recua

O mercado brasileiro de trigo enfrenta oferta restrita de grãos de qualidade, sustentando as cotações e aumentando a necessidade de importações pelos moinhos. As perdas provocadas pelas chuvas durante a colheita, somadas à valorização do dólar na última semana de outubro, elevaram os custos de aquisição da matéria-prima, segundo o Cepea.

O cenário doméstico contrasta com o mercado internacional. Na terça-feira (3), o trigo encerrou em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionado pelas expectativas em torno das negociações entre Rússia e Ucrânia e pelo avanço das safras no Hemisfério Sul.

No Brasil, a disponibilidade de cereal adequado à panificação permanece no centro das negociações. Além das perdas de produtividade, problemas de qualidade limitam o aproveitamento industrial de parte da produção.

Moinhos recorrem às importações mesmo com câmbio desfavorável

Pesquisadores do Cepea apontam que a dificuldade para encontrar trigo com os parâmetros exigidos pela indústria tem levado moinhos a comprar no exterior, apesar do dólar mais alto. Os custos adicionais também vêm sendo repassados aos preços das farinhas.

No Sul, parte das indústrias ainda negocia estoques remanescentes da safra anterior. A qualidade desses lotes de “trigo velho” mantém elevados os valores pedidos pelos vendedores.

Entre os lotes da nova safra, mesmo aqueles classificados como tipo 1 têm apresentado, com frequência, outros parâmetros fora das exigências dos moinhos. Já o trigo fora de tipo tem sido direcionado à alimentação animal, tanto no mercado interno quanto para exportação.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 66,9% da área brasileira de trigo havia sido colhida até 30 de outubro.

Chuvas reduzem disponibilidade de trigo tipo 1 em São Paulo

Em São Paulo, as precipitações de setembro comprometeram de forma acentuada a qualidade do cereal.

De acordo com o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo), a estimativa é de que apenas 10% a 15% do volume colhido possa ser enquadrado como tipo 1.

A restrição amplia a disputa por lotes de melhor padrão e reforça a importância das compras externas para complementar o abastecimento industrial.

Rio Grande do Sul pode colher 1,87 milhão de toneladas

A TF Agroeconômica projeta a produção gaúcha em 1,87 milhão de toneladas, ante 3,58 milhões na temporada anterior. A estimativa considera produtividade de 2.400 quilos por hectare e fica abaixo das 2,26 milhões de toneladas previstas pela Conab.

No levantamento citado pela consultoria, a colheita estava em 43%, com avanço superior a 85% nas regiões de Missões e Santa Rosa. Do volume já retirado das lavouras, 14% foi classificado como tipo 1, 67% como tipo 2 e 19% como tipo 3.

Além da classificação, níveis elevados da micotoxina DON dificultam a comercialização de parte dos lotes.

No mercado gaúcho, o trigo novo destinado à moagem gira em torno de R$ 1.400 por tonelada. Para alimentação animal, a referência chegou a R$ 1.210 por tonelada no porto, para janeiro, favorecida pelo câmbio. A concorrência do milho mais barato, porém, limita o interesse das indústrias de ração.

O cereal importado foi ofertado a US$ 290 por tonelada, posto em Rio Grande. Em Panambi, o preço de balcão recuou para R$ 71 por saca.

Paraná enfrenta déficit entre produção e consumo

No Paraná, a expectativa apresentada pela TF Agroeconômica é de produção de 2,2 milhões de toneladas, diante de uma necessidade de 3,85 milhões de toneladas.

A diferença entre oferta e consumo se soma às perdas de qualidade. A consultoria cita relatos ainda não confirmados de disponibilidade de apenas 800 mil toneladas de trigo tipo 1 no estado.

Nesse contexto, a avaliação é de que as importações paranaenses possam alcançar entre 1 milhão e 2 milhões de toneladas, mantendo as referências domésticas próximas à paridade de importação.

Em Santa Catarina, um negócio recente com trigo tipo 1 em Campos Novos foi realizado a R$ 1.600 por tonelada. Embora parte da produção colhida apresente padrão insuficiente, as lavouras ainda em enchimento de grãos seguem em boas condições, segundo a consultoria.

Chicago fecha em baixa com oferta global no radar

Na Bolsa de Chicago, o contrato dezembro encerrou a terça-feira a US$ 5,9975 por bushel, queda de 6,75 centavos de dólar, ou 1,11%.

O vencimento março fechou a US$ 6,1075 por bushel, recuo de 8,75 centavos, equivalente a 1,41%.

O mercado acompanhou as expectativas de negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, com participação dos Estados Unidos, previstas para 10 e 11 de novembro em Abu Dhabi. A possibilidade de maior regularidade nos embarques pelo Mar Negro contribuiu para reduzir os prêmios de risco.

O aumento das exportações russas pelo Mar Báltico também integrou as avaliações sobre o abastecimento internacional.

Safras da Argentina e da Austrália ampliam perspectiva de oferta

O avanço da colheita no Hemisfério Sul reforçou a pressão sobre os contratos. Entre os fatores acompanhados estão a revisão para cima da estimativa de produção argentina pela Bolsa de Rosário e a aceleração dos trabalhos na Austrália.

Em sentido contrário, a consultoria IKAR reduziu sua projeção para o potencial de exportação de trigo da Rússia na temporada 2026/27, de 42 milhões para 39,5 milhões de toneladas.

Na Ucrânia, a colheita total de grãos alcançou 44,6 milhões de toneladas em 8,7 milhões de hectares até 3 de novembro, aproximadamente 75% da área semeada, conforme o Ministério da Agricultura do país.

Para o mercado brasileiro, a combinação entre preços internacionais, câmbio e qualidade da safra seguirá determinante. Mesmo com a queda em Chicago, a escassez de trigo adequado à moagem e o custo das importações continuam oferecendo sustentação aos lotes de melhor padrão no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

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