Publicado em: 16/06/2026 às 11:20hs
A produção brasileira de trigo deverá registrar forte retração na safra 2026, refletindo o cenário de incertezas climáticas, custos elevados e dúvidas sobre a rentabilidade da cultura. Ao mesmo tempo, a oferta limitada disponível no mercado interno mantém os preços sustentados e reforça as expectativas de valorização do cereal nos próximos meses.
Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a produção nacional de trigo poderá alcançar 6,3 milhões de toneladas em 2026, volume 20% inferior ao obtido na safra anterior e 1,4% abaixo da projeção divulgada em maio.
A redução também deve atingir a área cultivada, estimada em 2,12 milhões de hectares, representando queda de 13,4% frente à temporada passada e de 1,1% na comparação com a estimativa anterior. Já a produtividade média é projetada em 2,974 toneladas por hectare, recuo de 7,6% em relação à safra de 2025.
Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), muitos produtores seguem cautelosos diante das condições climáticas ainda indefinidas e das margens apertadas da atividade. Esse cenário tem reduzido o interesse pela ampliação da área plantada e pelos investimentos na cultura.
A combinação entre menor intenção de plantio e perspectiva de produção reduzida aumenta as preocupações do mercado quanto ao abastecimento interno ao longo do próximo ciclo.
Enquanto as projeções indicam uma safra menor, o mercado físico segue operando com disponibilidade limitada. De acordo com o Cepea, produtores permanecem retraídos nas negociações, aguardando melhores oportunidades de comercialização, o que contribui para sustentar os preços.
A percepção de que poderá haver escassez de produto até a entrada da próxima safra também influencia o comportamento dos vendedores. Conforme análise da TF Agroeconômica, a demanda tornou-se mais seletiva, priorizando lotes de melhor qualidade, enquanto os negócios seguem ocorrendo de forma pontual.
No Rio Grande do Sul, a procura dos moinhos permanece concentrada em trigo de maior qualidade industrial, especialmente aqueles com elevado índice de força de glúten (W).
Analistas do mercado estimam que a disponibilidade atual no estado esteja próxima de 210 mil toneladas, enquanto a necessidade de importação pode alcançar cerca de 240 mil toneladas até a chegada da nova safra.
Esse cenário aproxima os preços domésticos da paridade de importação. Com o trigo argentino chegando à região de Canoas ao redor de US$ 300 por tonelada, os valores pagos pela indústria gaúcha ao produto nacional registraram avanço.
As indicações para trigo destinado ao embarque ficaram em torno de:
No mercado CIF, os preços do trigo de melhor qualidade variaram entre R$ 1.480 e R$ 1.500 por tonelada.
Em Santa Catarina, foram registrados negócios de trigo-pão a R$ 1.360 por tonelada FOB e de trigo melhorador a R$ 1.400 FOB.
Nas principais regiões produtoras, os preços de balcão permaneceram estáveis, embora algumas praças tenham apresentado valorização, caso de Canoinhas e São Miguel do Oeste, refletindo ajustes pontuais na oferta e na demanda regional.
No Paraná, os negócios continuam limitados pela postura cautelosa dos vendedores, que aguardam novas altas nas cotações.
As negociações recentes ocorreram ao redor de R$ 1.420 por tonelada CIF nos Campos Gerais e R$ 1.480 CIF na região Norte do estado.
Para a safra nova, as referências giram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada FOB para entrega em setembro, com expectativa de valorização caso se confirme o cenário de menor oferta nacional.
A combinação entre queda na área cultivada, redução da produção e estoques mais ajustados mantém o mercado brasileiro de trigo atento à evolução da safra e ao comportamento das importações.
Caso as projeções de produção menor se confirmem, o Brasil poderá aumentar sua dependência do trigo importado, especialmente da Argentina, enquanto os preços internos tendem a permanecer sustentados pela oferta restrita e pela demanda da indústria moageira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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