Abate de bovinos no Brasil deve cair para 40 milhões de cabeças em 2026, projeta Abiec
Redução no volume de animais abatidos reflete mudança no ciclo pecuário e ocorre em meio a desafios geopolíticos, queda nas exportações para a China e novas barreiras comerciais internacionais.
Publicado em: 05/08/2026 às 20:00hs
O Brasil deverá abater cerca de 40 milhões de bovinos em 2026, número inferior às aproximadamente 42 milhões de cabeças registradas em 2025, segundo estimativa apresentada pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo.
A projeção sinaliza uma redução na oferta de animais para abate e reforça a expectativa de um novo momento para a pecuária brasileira, influenciado pelo ciclo pecuário e por um ambiente internacional mais desafiador para as exportações de carne bovina.
Queda no abate acompanha nova fase do ciclo pecuário
A estimativa de 40 milhões de cabeças abatidas oferece um indicativo do volume de produção de carne bovina esperado para o país em 2026.
Após anos de elevada oferta de animais, impulsionada principalmente pelo aumento do descarte de matrizes, o setor entra em uma fase de menor disponibilidade de bovinos prontos para o abate. Esse movimento tende a reduzir a produção nacional e pode influenciar os preços do boi gordo, da carne bovina e das exportações ao longo do ano.
Especialistas acompanham de perto essa mudança, que deverá impactar toda a cadeia pecuária, desde os produtores até a indústria frigorífica.
Exportações enfrentam cenário internacional mais desafiador
Durante sua participação no SIAVS, Roberto Perosa destacou que a indústria brasileira de carne bovina enfrenta um ambiente externo mais complexo, marcado por conflitos geopolíticos, tarifas comerciais e novas barreiras impostas por importantes mercados consumidores.
Segundo o presidente da Abiec, um dos principais desafios em 2026 é a expectativa de redução das exportações para a China, principal destino da carne bovina brasileira, além das incertezas envolvendo o mercado da União Europeia.
No caso europeu, as preocupações estão relacionadas às restrições ao uso de determinadas substâncias antimicrobianas em animais destinados à produção de alimentos, exigências que podem limitar o acesso da carne brasileira ao bloco.
Tarifas, cotas e barreiras preocupam o setor
Além das questões sanitárias, a indústria também acompanha o aumento de medidas protecionistas adotadas por diferentes países.
De acordo com Perosa, tarifas, cotas de importação e mecanismos de salvaguarda vêm sendo aplicados de forma unilateral, elevando a insegurança para exportadores e dificultando o planejamento do setor.
"O ambiente internacional tornou-se mais complexo, com questões geopolíticas, tarifas, cotas e salvaguardas que aumentam os desafios para toda a cadeia produtiva", destacou o presidente da Abiec durante o evento.
Perspectivas para a pecuária brasileira
Apesar do cenário de menor oferta de animais e dos desafios no comércio internacional, o Brasil mantém posição de destaque como maior exportador mundial de carne bovina e um dos principais produtores globais.
O desempenho das exportações ao longo de 2026 dependerá da evolução da demanda internacional, especialmente da China, das negociações comerciais com a União Europeia e da capacidade do setor em diversificar mercados e ampliar a competitividade da carne bovina brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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